Afonso Cunha, entre Chapadas e Baixões, crônica de Mayron Régis

    O Chico da Cohab fez o percurso entre Chapadinha e Afonso Cunha incontáveis vezes (a perder de vista). A maioria, pela Chapada. A minoria. pelos Baixos. No ano em que chovia bem pra caramba, as pessoas pensavam duas vezes antes de saírem de casa em direção a zona rural. Não se via nuvem de chuva na hora de sair, mas em pouco tempo se formava uma chuva sabe-la-Deus-de-onde que escancarava o

MPF/MA propõe ação para que a empresa Suzano interrompa desmatamento do cerrado maranhense

    A expansão dos plantios de eucalipto feita pela empresa de papel e celulose está causando problemas ambientais e sociais na região do Baixo Parnaíba maranhense O Ministério Público Federal no Maranhão (MPF/MA) propôs ação contra o Estado do Maranhão, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a empresa Suzano Papel e Celulose S.A. por conta dos impactos causados pela expansão dos plantios de eucalipto na

As cabeceiras da Andreza, municipio de Barreirinhas, crônica de Mayron Régis

    Escreve-se Andreza e não Andressa. Por alguns meses, chegara a acreditar no contrário. Ednólia, presidente da associação, dirimiu a dúvida. Andreza com z e não com dois s. Ela raspava o Buriti dentro de uma bacia sobre a mesa de sua cozinha. Um vizinho “emprestara” alguns Buritis a ela para que fizesse um suco. Ela bateu a massa do buriti em seu liquidificador e depois a despejou numa jarra. O suco

Os desmatamentos silenciosos nas Chapadas da Mambira e do Pai Gonçalo, município de Chapadinha, MA

  [Territórios Livres do Baixo Parnaíba]  O assunto da viagem ficou no ar e tinha algo a ver com a tristeza que um deles sentia por dentro. Eles estavam atrasados. Uma caminhonete os transportaria por Baixões e por Chapadas, nem tão longe e nem tão perto do município de Chapadinha. O Cerrado e a mata silenciam por esses caminhos apertados e de raros movimentos. O vereador Manim se sentara no banco

O ‘imprestável’ em Capão dos Marcelos, Baixo Parnaiba, crônica de Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Nem sempre a palavra mais adequada se apresenta e, por essa razão, a palavra inadequada ou, quem sabe, a palavra imprestável servirá muito bem a quem se dispor a usá-la. O senhor Luis Vitor vive com a esposa em 60 hectares no Capão dos Marcelos, município de Buriti de Inácia Vaz. Os filhos moram próximos a eles. Nos últimos meses, o senhor Luis Vitor passou bastante

Um histórico de infrações ambientais, trabalhistas e de direitos humanos em Buriti, crônica de Mayron Régis

    [ Territórios Livres do Baixo Parnaíba ] Nem ao resto do almoço os negros de Santa Cruz tinham direito. Se, porventura, o proprietário almoçasse só, a cozinheira melava o arroz e/ou a farinha na gordura da carne que ficara no fundo da panela. Se, porventura, o proprietário almoçasse com sua esposa, esta estragava a gordura, pois jogava água na panela. Nessa época, Vicente de Paula morava com Maria Rita, sua

Baixo Parnaíba: Projetos socioambientais evitam desmatamentos em Buriti, por Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Ele se separara daquela visão ingênua que o impelira três anos antes. Só o amor pela aventura explicaria a sua disposição em querer conhecer as Chapadas de Buriti sem que ninguém lhe convidasse. Não necessitava de um convite formal, assim pensava, apenas ligou para Antonio Pernambucano, técnico que o ministério publico estadual contratara para elaborar um relatório sobre os impactos ambientais ocasionados pela monocultura da

A vereda, o medo… e a coragem! crônica de José Antonio Basto

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Certo dia bateu uma velha saudade de visitar a comunidade tradicional de Santa Maria, terra de histórias e lendas que atravessam gerações. Então fui até a casa do Sr. Nonato Crispim velho corajoso que ainda prefere se vestir e calçar a moda antiga. Perguntei ao Crispim como estava a área onde era localizada a antiga fazenda de cana de açúcar do fazendeiro João Paulo de

Um Encontro com a Chapada da Jurubeba, crônica de Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] À noite choveu e a cidade de Barreirinhas adormeceu enquanto esperava por alguém. Chegar a Jurubeba, povoado de Barreirinhas, requer sacrifícios. Os caminhos não empolgam. Os caminhos se desgastam e desgastam as pessoas. O povoado se situa as margens do rio Preguiças e defronta-se com o município de Santa Quiteria. Os povoados vizinhos a Jurubeba (Passagem do Gado e Mamede) venderam a totalidade de ou

As comunidades quilombolas alumiam o Baixo Parnaíba maranhense, por Mayron Régis

  O prefeito de Brejo, Omar Furtado, acompanhado de uma comitiva, participou no sábado (17) do último dia do 1º Congresso Regional de Comunidades Quilombolas do Baixo Parnaíba. Foto: Blogue de William Fernandes / TV Mirante   [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] O Encontro de comunidades quilombolas do Baixo Parnaíba alumiou muitas comunidades do município de Brejo. Algumas pessoas duvidaram de sua realização. A Secretaria de Direitos Humanos, ligada a Presidência da República,

O orgulho de quebrar coco babaçu em Vila Criolis, Baixo Parnaíba maranhense, por Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Não é recomendável chegar em determinada cidade depois de um determinado horário por talvez não encontrar quem o receba assim como não é recomendável deixar essa mesma cidade em determinado horário por não haver quem o leve. O povoado Vila Criolis se distancia treze quilômetros da cidade de Brejo, Baixo Parnaíba maranhense. Qualquer dificuldade, ele ligaria para dona Milagres que o aguardava em sua casa. Assim

Encarar o tempo em Carrancas, Baixo Parnaíba maranhense, crônica de Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] A linguagem, afinal, é um anseio. “Quem me ensinou a apreciar essas as belezas sem dono foi Diadorim...”, escreveu Guimarães Rosa em Grande Sertão Veredas. A linguagem retoma a beleza de sua inércia. “Estradas vão para as veredas tortas – veredas mortas “. A linguagem se apega ao solo. O solo se escreve com a enxada. A escrita dos homens se esconde sob a roça

Os campos da consciência em São Félix do Xingu, em Barcarena e no Baixo Parnaíba maranhense, crônica de Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Ele se retirou daquela loja porque não podia mais ficar tão perto daqueles livros. Ele se retirou ou bateu em retirada? Ele se retirou ou foi uma retirada estratégica? O livro “A Rosa o que é de Rosa”, do escritor paraense Benedito Nunes, despontara entre tantos livros que, em sua maioria, pouco representavam. O dinheiro era pouco para comprar o livro a não ser que

Bacuri magu, crônica de Mayron Régis

  Bacuri, Platonia insignis. Foto de Hellen Perrone / Wikipédia   [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] O assentamento recebeu o nome de Bacuri/Magu. A maior parte das pessoas se surpreendeu com a sua criação. O ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva assinou o decreto de desapropriação em 2010. Neste ano, além da fazenda Bacuri/Magu, localizada nos municípios de São Bernardo e Araioses, desapropriou-se a fazenda Veredão, em Chapadinha. As duas desapropriações quase não arranharam

A floresta da comunidade quilombola de Jenipapo, por Mayron Régis

  Jenipapo - Genipa americana. Nome cientifico: Genipa americana - Família: Rubiaceae - Nomes populares: Jenipapo, Jenipaba. Foto: Sob a sombra das Árvores   [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] A comunidade quilombola de Jenipapo, município de Caxias, ressente-se da migração dos mais jovens para o sul do Brasil. Pelo que conta o senhor Manoel Moura, presidente da associação, existem três comunidades cujo nome é Jenipapo, diferenciando-se pelo segundo nome. “- Acaso o senhor

O Bacuri do Faz-ânsia, crônica de Mayron Régis

  Bacuri, Platonia insignis. Foto de Hellen Perrone / Wikipédia   [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Alguns caminhos ficam para trás e sem ter e nem pra quê eles voltam a ser frequentados. O caminho do Brejão ficava atrás do que hoje é a propriedade do Vicente de Paula na Chapada do povoado Carrancas, município de Buriti, Baixo Parnaiba maranhense. A sua avô andava por esse caminho sempre que ia a casa de

Onde sobrevivem as mangabas, crônica de Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] As Cabeceiras da Baixa Grande. Os moradores das Cabeceiras desconversaram quando Chico Freitas, vulgo Chico sem Freio, presidente da Associação de Proteção do rio Buriti, pediu que eles coletassem mangaba na Chapada e que vendesse a ele as suas produções. Ele relembrou desse fato na casa do senhor Francisco, presidente da associação do povoado Cajueiro, município de São Bernardo, Baixo Parnaiba maranhense. O senhor Francisco vende

As águas de São Bernardo, crônica de Mayron Régis

  Assentamento Estadual Cajueiro, São Bernardo, Baixo Parnaíba maranhense   [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Difícil arrancar algo dela, um sorriso que seja. Ela pouco falava de si. Pretendia se formar em jornalismo pela universidade pública. A sua região era desprovida de ensino publico de terceiro grau. Ela mudou-se para a capital a fim de morar com a tia, irmã de seu pai. As duas se assemelhavam. A sua tia nunca abandonara o

O ‘evangelho’ segundo o agronegócio, crônica de Mayron Régis

  Baixo Parnaíba maranhense. Mapa: FETAEMA   [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Para cada comunidade havia uma recompensa. Ele só precisava abatê-las antes de aprenderem a voar. Assim que chegavam no Baixo Parnaíba, os plantadores de soja ou de eucalipto convocavam o Pedrão. Ele mantinha uma lista particular das várias comunidades que abatera. Não conhecia a derrota naquelas Chapadas de Urbano Santos, Anapurus, Santa Quitéria e Barreirinhas. O agronegócio o salvara da miséria e

São Raimundo e Jurubeba: A viagem assume um caráter de indagação, crônica de Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Depois do almoço, o céu prometia uma chuva para o leste de Urbano Santos. No centro da cidade o calor se impunha. Eles partiriam para o povoado da Estiva num carro da prefeitura. O carro se abarrotara com senhores de idade e com gente mais nova que se digladiaram em palavras durante todo o tempo da viagem. Para os digladiadores, a troca de “gentilezas” os

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