Pós-Rio+20 – Reflexões sobre a ‘comoditização’ dos bens comuns, artigo de Amyra El Khalili

A palavra inglesa commodities vem sendo usada há anos nos jornais e cadernos especializados em notícias econômicas, mas pouco se sabe efetivamente o que são commodities. Sempre grafada no plural — commodities — e raramente no singular — commodity —, após a Rio+20, a palavra-expressão tornou-se vedete dos debates socioambientais que a utilizam tanto no plural quanto no singular para se referir à “comoditização” dos bens comuns. Commodity significa mercadoria padronizada

‘Descomoditização’: Ser ou não ser mercadoria – Eis a questão! artigo de Amyra El Khalili

    O debate sobre a “descomoditização” é antigo.[1] Começou bem antes da fundação do Movimento Via Campesina (1992) e do slogan cunhado pelo ativista campesino José Bové — “O mundo não é uma mercadoria” (1999). Essa discussão desenvolveu-se em fins da década de 80 e início da década de 90 entre alguns operadores de commodities e de futuros desde a adoção pelos banqueiros e políticos da teoria neoliberal de Milton Friedman,

Maior ameaça ao Cerrado é considerar sua vegetação nativa um estorvo ao desenvolvimento

  Maior ameaça ao Cerrado é considerar sua vegetação nativa um estorvo ao desenvolvimento. Entrevista especial com José Felipe Ribeiro     IHU Apesar de o Cerrado não ter rios de grande vazão, o bioma “concentra nascentes que alimentam oito das 12 grandes regiões hidrográficas brasileiras” e nele nascem os “rios que originam seis das principais regiões de hidrográficas brasileiras: Parnaíba, Paraná, Paraguai, Tocantins-Araguaia, São Francisco e Amazônica”, informa o biólogo José Felipe Ribeiro à

O crescente uso de recursos naturais e a necessidade de maior eficiência e desacoplamento, por José Eustáquio Diniz Alves

    [EcoDebate] O relatório “Resource Efficiency: Potential and Economic Implications”, divulgado no dia 16 de março de 2017, durante a reunião do G20 em Berlim, pelo International Resource Panel, da United Nations Environment Programme (UNEP), mostra que, até 2050, mantidas as tendências recentes, a população mundial deverá crescer 28%, com a utilização de 71% mais recursos per capita. Sem medidas urgentes para aumentar a eficiência, o uso global de metais, biomassa

Brasil no Antropoceno: desenvolvimento predatório e políticas ambientais, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

  [Tema: Antropoceno] [EcoDebate] O Brasil é o quinto país em extensão territorial e em população. Com uma grande riqueza ecossistêmica possui uma biocapacidade superior à Pegada Ecológica, sendo considerado uma das potências em reservas ambientais mais importantes do mundo. Seu papel geoestratégico nas decisões ambientais têm sido crucial para as negociações globais em curso em torno da mudança climática e do Acordo de Paris. Mas embora o Brasil seja visto internacionalmente como

O que está em jogo na ‘economia verde’? artigo de Amyra El Khalili

Às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável– Rio+20 (2012), fomos abordados por uma avalanche vinda dos ativistas internacionais que denunciavam os perigos da “economia verde” tão propalada pela mídia e pelas grandes Ongs ambientalistas, com a anuência de políticos ideologicamente alinhados, tanto com a direita quanto com a esquerda, neste continente latinoamericano-caribenho. A economia verde se apresentou como uma alternativa para solucionar os problemas socioambientais, como o combate

Ecologia Profunda, artigo de Roberto Naime

    [EcoDebate] A ecologia profunda é uma concepção filosófica proposta no início da década de 70 do século passado pelo pensador e filósofo norueguês Arne Naess. Sua evolução é atribuída a uma reação dos indivíduos à visão hegemônica, então dominante sobre a maximização de utilização dos recursos naturais. A ecologia profunda possui influência do pensamento de Mahatma Gandhi, Henry David Thoreau, Jean Jacques Rousseau, Aldo Leopoldo na “ética da terra” e de

Repensar a economia futura: a Economia Circular, artigo de Alexandra Leitão

[EcoDebate] Introdução A economia mundial tem sido construída, desde os primórdios da industrialização, com base num modelo linear de consumo de recursos que segue um padrão “extrair-produzir-descartar”, que se encontra nos dias de hoje sob ameaça devido à forma e velocidade insustentável como são usados os recursos naturais, cada vez mais escassos. Até determinado momento, poder-se-á dizer que este foi um modelo bem-sucedido, uma vez que providenciou produtos em larga escala, a

Degradação da natureza e agravamento da pobreza são frutos do sistema de produção, de consumo e de especulação

  Degradação da natureza e agravamento da pobreza são frutos do sistema de produção, de consumo e de especulação que impera. Entrevista especial com Ivo Poletto IHU Biomas brasileiros e a defesa da vida é o tema da Campanha da Fraternidade (CF) deste ano. Não é a primeira vez que a dimensão socioambiental da vida é abordada, lembra o filósofo e cientista social Ivo Poletto. Em 2007, a temática foi Fraternidade e Amazônia;

Os limites do baixo carbono e as possibilidades do decrescimento econômico

  Os limites do baixo carbono e as possibilidades do decrescimento econômico. Entrevista especial com Gisella Colares Gomes IHU A economia de baixo carbono entrou no debate sobre a necessidade de proteção de recursos naturais como uma nova moda, capaz de aliar essa ideia de preservação com a manutenção da produtividade. A economista Gisella Colares Gomes alerta sobre os limites dessa perspectiva. Além disso, pensar em calcular os bens naturais como qualquer outro tipo

A ficção perigosa da economia do dinheiro, artigo de Clóvis Cavalcanti

    O respeitado cientista britânico Frederick Soddy (1877-1956), vencedor do Nobel de Química de 1921, apesar de formado nas ciências exatas, aventurou-se numa visão crítica do modelo de sistema econômico dos economistas. Fez isso em quatro livros, um dos quais, de 1926, com o sugestivo título de Wealth, Virtual Wealth and Debt (riqueza, riqueza virtual e dívida). Nele, propõe uma ciência econômica com raízes na física, em particular nas duras Leis

Um novo arranjo de equilíbrio, artigo de Roberto Naime

    [EcoDebate] Países como o Butão já substituíram a noção de acumulação de bens que é sustentada no Produto Interno Bruto (PIB), por indicadores de felicidade existencial para mensurar parâmetros de vida. Também já induziram e determinaram o uso apenas da agricultura orgânica, dispensando a ‘venenama’ dos agrotóxicos ou aos organismos geneticamente modificados, chamados de transgênicos. Este é o caminho para novo arranjo de equilíbrio? Sem dúvida, pode ser uma nova trilha por

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