A corrosão da política, artigo de Gaudêncio Torquato

    [EcoDebate] A degradação política se espraia pela comunidade mundial. A rede da representação não tem passado no teste de qualidade. Aqui e alhures. Espraia-se pelos continentes o sentimento de que a política, além de não corresponder aos anseios das sociedades, não é representada pelos melhores cidadãos, como pregava o ideário aristotélico. Norberto Bobbio já descrevia as promessas não cumpridas pela democracia, entre as quais a educação para a cidadania, o

Nossa democracia participativa, artigo de Gaudêncio Torquato

    [EcoDebate] O clima de polarização que se instalou no país, cuja origem está na construção da equação “nós e eles”, de autoria do PT, gera uma bateria de efeitos, nem todos negativos. Se é verdade que a dose de bílis tem escorrido com maior intensidade pelas veias sociais, é plausível a hipótese de que a conscientização política se expande entre os grupamentos organizados. Fenômeno positivo. São palpáveis os sinais de que

A sub-representação feminina no Congresso Nacional, artigo de Doacir Gonçalves de Quadros

    [EcoDebate] A sociedade até o século passado foi marcada pelo perfil de uma elite dirigente formada sobretudo pelos homens, na qual “eles” eram o polo dominante e as mulheres eram marcadas pela submissão. Segundo o sociólogo francês Alain Touraine, no século 21 há indícios de uma inflexão nesta inferioridade da mulher. Vejamos. Atualmente aqui nas terras brasileiras a mulher representa 51% do total da população de nosso país. Na economia, com

Bolsonaro, o ecocida; análise de Luiz Marques (IFCH/Unicamp)

  JORNAL DA UNICAMP TEXTO LUIZ MARQUES FOTOS LEONOR CALASANS | IEA-USP EDIÇÃO DE IMAGEM LUIS PAULO SILVA O mote Écrasons l’infâme, com o qual Voltaire assinava suas cartas, exprimia sua indignação contra o obscurantismo e o desprezo pela ciência. No Brasil de hoje, a infâmia chama-se Bolsonaro, agente de anomia social e, acima de tudo, um ecocida que está acelerando exponencialmente a trajetória de nossas sociedades em direção a um colapso socioambiental. É preciso que

Sobre o tal ‘marxismo científico’; análise de Luiz Marques (IFCH/Unicamp)

  Jornal da UNICAMP TEXTO LUIZ MARQUES FOTOS WILSON DIAS | AGÊNCIA BRASIL EDIÇÃO DE IMAGEM LUIS PAULO SILVA Uma das bandeiras mais aguerridas do bolsonarismo é o combate ao “marxismo cultural”, o que não deixa de ser duplamente intrigante, porque o rebanho de Bolsonaro nunca leu Marx e, obviamente, não faz a menor ideia do que seja cultura. Na realidade, ninguém sabe muito bem o que é esse bicho-papão que os assombra. Segundo o verbete

Os enviados de Deus, artigo de Gaudêncio Torquato

    [EcoDebate] Governantes de todos os quadrantes não raro costumam escolher Deus como escudo. A história está pontilhada de referências a Deus. Em seus 40 anos de reinado, o ditador general Franco, “caudillo da Espanha pela Graça de Deus” referia-se sempre à Providência Divina, conforme passagens de seus discursos, como esta de 1937: “Deus colocou em nossas mãos a vida de nossa Pátria para que a governemos”. Os estatutos da Falange Espanhola

Alastra-se o rechaço a Bolsonaro; análise de Luiz Marques (IFCH/Unicamp)

  Alastra-se o rechaço a Bolsonaro JORNAL DA UNICAMP TEXTO LUIZ MARQUES FOTOS REPRODUÇÃO EDIÇÃO DE IMAGEM LUIS PAULO SILVA Bolsonaro deflagrou uma Blitzkrieg contra a sociedade brasileira e a natureza. Mas a sociedade começou a se mobilizar para derrotá-lo, política, científica e ideologicamente. O dia 15 pode e deve vir a ser mais um passo importante na demonstração para a sociedade de que, como escreve Jânio de Freitas, “a vida pública de Bolsonaro é demarcada pela ideia

É na filosofia e na sociologia que os cidadãos encontram os fundamentos para explicar a própria história da Humanidade, artigo de Gaudêncio Torquato

    Atirar contra a filosofia e a sociologia é querer excluir da aprendizagem clássicos do pensamento [EcoDebate] A história se repete. O presidente Bolsonaro anuncia a intenção de descentralizar investimentos em cursos de filosofia e sociologia, sob o argumento de que o desenvolvimento do país requer carreiras técnicas. Em 1970, o ditador Médici quis fazer uma reforma do ensino médio. Depois de 60 dias, um grupo apresentou um projeto para acabar com

A representação parlamentar e a degradação da política, artigo de Artigo Gaudêncio Torquato

    A política desceu ao fundo do poço. Nos últimos tempos, parcela ponderável da representação popular caiu nas malhas da Operação Lava Jato. Sua imagem está em baixa. É verdade que temos um novo quadro parlamentar no Senado e na Câmara. Tradicionais nomes foram despejados das cúpulas côncava e convexa do Parlamento. Persiste, porém, a dúvida: os novos nomes representam compromissos com uma nova política? Os sinais não são animadores. A base

As mulheres evangélicas pobres e a eleição de Bolsonaro, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

    [EcoDebate] O sociólogo Marcos Coimbra afirmou ao jornalista Mauro Lopes do canal “Paz e Bem” (e à TV) 247 que a parcela feminina pobre e evangélica do eleitorado foi quem decidiu a eleição presidencial de 2018 a favor do presidente Jair Bolsonaro. Com base no gráfico acima, o presidente do Instituto Vox Populi afirmou que, nas semanas anteriores ao pleito, a diferença entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro se manteve estável

Impactos do AI-5 na educação brasileira

  AI-5 - ‘Toda ditadura quer controlar o campo educacional, porque é nele que há liberdade para pensar e construir novos caminhos para a sociedade’. Entrevista com Paulo Carrano Era 13 de dezembro de 1968 quando o então presidente da República, general Artur da Costa e Silva, autorizou o Ato Institucional nº 5 (AI-5), que cassou as liberdades civis no país por mais de uma década. À época, várias medidas de exceção

13/12/1968 – O Ato Institucional nº 5 e seu significado histórico, artigo de Elival da Silva Ramos

  [Jornal da USP] Há 50 anos, no dia 13 de dezembro de 1968, o general Artur da Costa e Silva, 2º presidente da República do regime autoritário implantado em 31 de março de 1964, após ouvir o Conselho de Segurança Nacional, editou o Ato Institucional nº 5, que representou importante inflexão nos rumos traçados pelo governo anterior, comandado pelo marechal Castelo Branco. Não cabe aqui a discussão acerca do nível de apoio

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