As comunidades quilombolas alumiam o Baixo Parnaíba maranhense, por Mayron Régis

 

O prefeito de Brejo, Omar Furtado, acompanhado de uma comitiva, participou no sábado (17) do último dia do 1º Congresso Regional de Comunidades Quilombolas do Baixo Parnaíba. Foto: Blogue de William Fernandes / TV Mirante
O prefeito de Brejo, Omar Furtado, acompanhado de uma comitiva, participou no sábado (17) do último dia do 1º Congresso Regional de Comunidades Quilombolas do Baixo Parnaíba. Foto: Blogue de William Fernandes / TV Mirante

 

[Territórios Livres do Baixo Parnaíba] O Encontro de comunidades quilombolas do Baixo Parnaíba alumiou muitas comunidades do município de Brejo. Algumas pessoas duvidaram de sua realização. A Secretaria de Direitos Humanos, ligada a Presidência da República, enviou uma representante.

O leste maranhense responde por um numero expressivo de defensores dos direitos humanos que o agronegócio ameaçou de morte. Esses defensores entraram no programa de proteção que a secretaria coordena. A comunidade de Depósito se proclamou como comunidade remanescente de quilombos. Por várias vezes, os funcionários da proprietária destruíram as plantações dos quilombolas.

Eles se enfrentaram pela última vez quando a proprietária arrendou a propriedade para empresários paulistas plantarem cana. A Secretaria de Meio Ambiente do Maranhão fiscalizou a propriedade a pedido da SMDH (Sociedade Maranhense de Direitos Humanos) e autuou a proprietária por desmatar áreas de preservação permanente. O senhor Manoel Natal, presidente da associação de Depósito, é um dos incluídos no programa de proteção.

Os quilombolas aguentaram calados, anos a fio, os desmatamentos de seus territórios para que empresários plantassem soja e capim. As carvoarias devastaram a Chapada. Os bacurizeiros e pequizeiros predominavam na vegetação. O Cerrado deu lugar a soja. A mata ciliar deu lugar ao capim. Em qualquer um dos casos, as pessoas se sujeitam aos agrotóxicos que empresários ou até mesmo os próprios agricultores despejam. A contaminação dos veios de água é feroz.

O prefeito de Brejo, o doutor Omar, apareceu no ultimo dia do Encontro de Comunidades Quilombolas do Baixo Parnaiba. Provavelmente, ele imaginou que os quilombolas o tratariam com mesuras. Aconteceu o contrário em todos os espaços públicos onde parou para conversar. A declaração de um morador da Vila das Almas soou como uma tapa na cara do prefeito: “Eu bebo é lama”. Ele se referia ao fato que a água, que saia do poço artesiano construído a mando da prefeitura, vinha cheia de barro.

Em outro momento, ele perguntou o que poderia fazer para conter o desmatamento das Chapadas. Quem sabe, propor uma lei a Câmara de Vereadores de Brejo que impeça novos desmatamentos. As comunidades quilombolas de Milagres arquitetaram com os vereadores do município e com o CEDEPROC, de Santa Quiteria, a elaboração e a aprovação de um projeto de lei que impede mais desmatamentos no município. A iniciativa partiu das comunidades de Tucuns e São Francisco.

O Syd, plantador de soja, planejava desmatar os baixos, plantar capim e criar gado próximo às comunidades. Com a lei, ele não pôde prosseguir. Os plantadores de soja no Baixo Parnaiba aplicam parte de suas rendas na compra de propriedades situadas nos baixos com o propósito de criarem gado.

* Mayron Régis, Colaborador do EcoDebate, é Jornalista e Assessor do Fórum Carajás e atua no Programa Territórios Livres do Baixo Parnaíba (Fórum Carajás, SMDH, CCN e FDBPM).

** Crônica enviada pelo Autor e originalmente publicada no blogue Territórios Livres do Baixo Parnaíba.

 

EcoDebate, 23/05/2014


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