Capão Grande: a quem se destina as terras do Baixo Parnaíba maranhense? por Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] O Moca é um dos moradores do povoado Capão Grande, município de Buriti, Baixo Parnaiba maranhense. A sua família e a família Feitosa disputam mais de 400 hectares de Chapada com a empresa Fanip Agricola, sediada em Fortaleza e que planta eucalipto e soja em propriedades que se espalham pelo município de Buriti e pelo município de Brejo. Segundo consta na ação reivindicatória proposta pelo

Cajueiro: O esplendor das hortaliças, crônica de Mayron Régis

  [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Lê-se Bar do Atola no alto. Acabavam de chegar ao povoado depois de alguns minutos na estrada que liga São Bernardo aos municípios de Santana, Araioses, Água Doce e Tutóia. O povoado de Cajueiro enxerga em seu território a família do seu Zé da Rocha. A área desse povoado chega a mais de 900 hectares e extrema com a propriedade do Junior Esperança, a propriedade do

A sujeira do Agronegócio, artigo de Mayron Régis

  O agronegócio já é praticamente senhor do sul do Maranhão e, agora, quer ser o único senhor do Baixo Parnaíba; mas, também, ele é o senhor do Mato Grosso, do Goiás, do Tocantins, de Rondônia, de parte de Minas Gerais, de São Paulo, da Bahia e do Piauí.     [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] O estado brasileiro acredita no e defende o agronegócio. É só pegar o recente caso da Liminar de

O Cerrado de Barreirinhas, crônica de Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] O seu nome é José Divan Garcês. Ele descende de um nobre espanhol chamado Sancho Garces III, cuja existência data do começo do século XI. Um dia, comunicou esse fato a um professor do município de Barreirinhas. O professor comentou com evidente desgosto que sobre a sua familia nada sabia. A família do Divan se espalha por parte dos municípios de Barreirinhas e Urbano Santos.

Baixo Parnaíba maranhense: Crime e Castigo, crônica de Mayron Régis

  Mapa: FETAEMA   [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Ante a possibilidade de um encontro, hesitava. Como se achegar? Perguntaria o quê? Arriscaria uma avaliação indesejada por parte dessa pessoa? Ela era quem dizia ser ou representava? Incrível que essas dúvidas assaltassem sua mente. Nunca fora disso. Nem precisaria relembrar as inúmeras vezes que arriscara em viagens nas quais o único contato se resumia a uma conversa rápida por telefone. A pessoa que

Espécies nativas e monoculturas nas Chapadas, crônica de Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Ele passara muitos dias naquela região. Nem tinha ideia de quantos dias foram em oito anos. Como esses dias se comportavam em sua mente e em seu espirito também não sabia. De tantos dias, o ar empesteado pelas carvoarias se impusera como norma. Contrariar isso de que forma? Quem se interporia entre as áreas de Chapada e os plantios de soja e de eucalipto que

Projetos agroextrativistas na linha de frente da agricultura familiar, por Mayron Régis

    Projetos agroextrativistas na linha de frente da agricultura familiar – Baixo Parnaiba maranhense – Urbano Santos, Santa Quiteria, Buriti, São Bernardo e Barreirinhas. [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] O Cerrado e as comunidades agroextrativistas desfazem, de pouquinho em pouquinho, a pretensão de que basta desenhar uma figura geométrica sobre um papel e tem-se uma propriedade na Chapada. Antes que as monoculturas se achegassem ao Cerrado, as comunidades intuíam os seus limites a

Baixo Parnaíba maranhense: A Chapada reúne produção e simbologia, artigo de Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Assim que os agricultores familiares se aproximam, os órgãos fundiários e ambientais e o sistema judiciário sentem uma compulsão enorme por lavarem as mãos. Em certos casos, a dificuldade que os agricultores enfrentam para se dirigirem ao Incra ou ao Iterma, saindo de suas comunidades cedo da manhã, nem se compara com a dificuldade que é obter alguma informação por parte do órgão. Às vezes,

A conversa ‘acalma’ o fogo em Carrancas, Baixo Parnaíba Maranhense, artigo de Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] A conversa acalma o fogo. Nesses tempos, o fogo imprime sua fúria sobre as áreas de Chapada e sobre as áreas de Baixo. No caminho, entre Chapadinha e Buriti, presenciam-se inúmeros córregos secos e inúmeras queimadas em áreas de preservação permanente. A falta de chuva no sertão maranhense em 2012 implicou na perda da safra de culturas como arroz e milho e no aumento das

Baixo Parnaíba maranhense: A disputa pela Chapada, por Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Não há espaço para imaginação em um campo de eucalipto. Dificilmente, alguém confundiria os eucaliptos com gigantes como fez Dom Quixote ao ver moinhos de vento. Os eucaliptos expulsaram a imaginação, suas formas e suas cores para bem longe. Em vários casos, reduziram-na a meras placas de reservas legais. As pessoas se conformam com a perda da imaginação. Quer dizer, nem todas as pessoas. A

A recusa é um direito tradicional, artigo de Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] A Chapada se define pelos seus atributos, pela gente que nela vive e as formas de convivência que, ao longo de décadas, consolidaram-se. Ela também se define pela recusa. O Vicente de Paula e seu irmão recusaram as propostas que os fariam se mudar da Chapada para o baixão da comunidade de Carrancas, município de Buriti de Inácia Vaz. Os representantes do plantador de soja

A luta contra a miséria e contra a fome no leste maranhense, artigo de Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Aos olhos de muitos a Chapada quase não se move ou talvez se mova de forma quase imperceptível. As floradas dos bacurizeiros espantam pela leveza do formato e pela intensidade das cores. Elas valem a atenção mais do que um mero instante. Dizem que a variedade branca da flor do bacurizeiro dificilmente se encontra no Maranhão. Por certo que a variedade avermelhada predomina sobre as

Baixo Parnaíba: O Iterma eliminou as dúvidas sobre as Chapadas do Pólo Coceira, por Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Em mais de cinco anos, as comunidades do pólo Coceira presenciaram o surgimento de inúmeras hipóteses que ou confirmavam ou que desmentiam a versão propalada pela Suzano que quase sete mil hectares do município de Santa Quitéria de fato lhe pertenciam. Uma das primeiras versões, na qual as comunidades logo se apegaram para prover de sentido sua luta pela regularização fundiária do seu território, encartava documentos

Os horizontes do Pólo Coceira, Santa Quitéria, Baixo Parnaíba Maranhense, por Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Todos ali participavam das associações dos povoados do Coceira, Baixão da Coceira, Lagoa das Caraíbas e São José, município de Santa Quiteria, Baixo Parnaiba maranhense. As sessões ocorriam embaixo da casa de farinha, pertencente ao senhor Verissimo, pequeno proprietário rural da comunidade de Coceira. Geralmente, as concentrações de gente para questões que atormentavam as comunidades acorriam para essa comunidade sem excluir as outras, visto que

O descarte da agricultura familiar, artigo de Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Alex Motta, morador de Buriti de Inácia Vaz, que não é bordador, numa manhã de 2011, bordou comentários a respeito da criação da Área de Proteção Ambiental Morros Garapenses: “O governo do estado do Maranhão cria a APA Morros Garapenses que protege os terrenos menos elevados, mas, por outro lado, entrega as Chapadas de Buriti para os gaúchos”. A APA Morros Garapenses foi criada em 2008

O futuro do Baixo Parnaíba maranhense, artigo de Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Afora algum problema de saúde desenvolvido recentemente, o Wilson que vemos hoje pouco difere do Wilson de três anos atrás. Mora na mesma Rua de Urbano Santos. Distribui aqui e acolá uma risada irônica sobre qualquer assunto, preferencialmente, quando se refere à politica dos municípios de Urbano Santos e Belágua. Ele pretende levar projetos produtivos para a sua propriedade no município de Belágua. Os pequenos

‘O Gigante Gentil’, artigo de Mayron Régis

  Bacuri [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] De uma hora para outra surgiram formigas na horta do Vicente, o "Gigante Gentil" da comunidade de Carrancas, município de Buriti de Inácia Vaz. Elas permaneciam próximas às margens do rio Preto. Ele não sabia responder o porquê dessa erupção de formigas. Vicente não se dava conta, mas pagava um preço pelo desmatamento de uma área vizinha a sua para que um “gaúcho” plantasse soja.

O lugar da sustentabilidade nos projetos da Suzano Papel e Celulose, artigo de Mayron Régis

  [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] As recentes derrotas com as quais o setor jurídico da Suzano Papel e Celulose se defrontou nas justiças federal e estadual dos estados do Maranhão e do Piaui e que empacou os seus projetos de fabricação de pellets no município de Chapadinha e de produção de celulose no município de Palmeirais correspondem a uma pequena amostra de um todo que a empresa passou anos negligenciando

Baixo Parnaíba: Uma Perspectiva em Comum, artigo de Mayron Régis

  [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Qual é a expectativa de conclusão do galinheiro? Questões como essa que tratam do tempo ficam a espreita e surgem mesmo quando não se duvida que o outro cumpra o firmado. Quase um ano em que se riscou o mapa do Baixo Parnaiba maranhense com as marcações dos galpões de criação de galinha caipira e essa pergunta se reforma em outras tantas versões. Perguntar ao

Agronegócio avança no Baixo Parnaíba e preocupa pesquisadores

  O interior do Maranhão, especificamente a região de Baixo Parnaíba, que desponta como uma nova fronteira agrícola, principalmente para o plantio de soja e milho, começa a preocupar pesquisadores pelo fato de representar uma ameaça à produção de culturas tradicionais, como o babaçu e pequi; à agricultura familiar que abastece a população local, e ao meio ambiente. O tema centralizou o debate da mesa redonda "Os Impactos do Agronegócio na Região

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