As Fases do Ciclo de Vida do Produto Baseado no Marketing Sustentável para Empresas de Palmito no Brasil, por José Austerliano Rodrigues e Izabel Cristina da Silva

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As Fases do Ciclo de Vida do Produto Baseado no Marketing Sustentável para Empresas de Palmito no Brasil, por José Austerliano Rodrigues e Izabel Cristina da Silva

[EcoDebate] Numa agroindústria associados ao cultivo e processamento de matérias-primas de palmito, além da adoção da gestão ambiental e responsabilidade social com objetivo de oferecer guias as empresas que desejarem avaliar as fases do ciclo de vida do produto baseado no marketing sustentável, devem-se conhecer, também, os regulamentos e a legislação pertinentes, desde a extração de matéria-prima ao descarte deste vegetal.

Na proposta do ciclo de vida do produto, do ponto de vista do marketing sustentável, essas fases têm classificação um pouco diferente. A primeira fase é o impacto social e ecológico durante o processo de fabricação, depois na comercialização do produto, em seguida no consumo e, posteriormente, no descarte (ZENONE; DIAS, 2015).

A etapa de produção tem a análise de todo o processo e a relação com outros necessários na fabricação. Além do processo central de fabricação, existem outros que dão suporte.

Na comercialização tem embalagem do produto, seu transporte até os ponto de venda espalhadas por diversas regiões e um conjunto enorme de materiais de comunicação. No consumo, após efetuar a compra, vêm os gastos pessoais com transporte, descarte de embalagens e, muitas vezes, o descarte dos produtos que foram substituídos. Na última fase vêm o descarte efetivos dos produtos e os impactos que ocasionam na natureza, no caso não possam ser reutilizados ou reciclados.

Uma transparência de todo esse ciclo de vida do produto baseado no marketing sustentável pode permitir que ocorra interação entre cada uma dessas fases, procurando minimizer os impactos e buscar soluções alternativas associados ao cultivo e produção. Além dessas fases do ciclo de vida do produto, as empresas de palmito, também, deve considerar as dimensões do modelo de sustentabilidade de marketing: econômica, ambiental, social, ética/cidadania ecológica e tecnologia de informação (OTTMAN, 2012; ZENONE; DIAS, 2015; LIM, 2015; RODRIGUES; RODRIGUES FILHO, 2018). Por parte do consumidor, a decisão de compra poderá ser mais consciente ou se tornar corresponsável pelos problemas enfrentados pelo planeta (ZENONE; DIAS, 2015).

Do ponto de vista empresarial, a mudança provocada por um consumo ético/sustentável, se de um lado ocasionaria um desafio maior na criação e no planejamento dos produtos derivados do palmito, do outro lhe traria uma enorme vantagem ambiental e social. A vantagem social e ambiental seria das empresas de palmito que seriam capazes de gerenciar melhor o ciclo de vida do produto do ponto de vista de marketing sustentável e atender às necessidades não apenas do consumidor individual e desinformado, mas também do planeta, da sociedade em geral e do consumidor ético/sustentável.

Este artigo é direcionado a pequenos, médios e grandes produtores ou cooperativas e empresários rurais que desejam analisar os impactos ambientais e socais em um período de tempo, com base na avaliação das fases do ciclo de vida do produto baseado no marketing sustentável para empresas de palmito no Brasil.

O palmito é um alimento extraído de dentro de alguns tipos de árvores chamadas palmeiras, como o açaizeiro, a palmeira juçara e a pupunheira. Elas são as principais fontes do palmito. A palmeira juçara é do gênero Euterpe, do qual fazem parte 28 espécies encontradas entre as Antilhas e a América do Sul (BRITANNICA, 2020).

O homem é um dos grandes consumidores do miolo desses tipos de palmeira, o palmito. Além de ser importante no comércio interno e externo para o Brasil, é uma das principais fontes de alimento dos povos que habitam a Amazônia, principal local de produção do palmito. Das palmeiras aproveita-se quase tudo: os frutos (como alimento e no artesanato), as folhas (em coberturas de casas e em trançados), a parte externa do caule (em ripas de telhado), as raízes (como vermífugo) e o próprio palmito (como alimento e remédio anti-hemorrágico).

Para obter o palmito é preciso cortar a palmeira, e, como o consumo desse alimento é grande, a planta fica ameaçada de extinção. Isso prejudica a manutenção da biodiversidade de biomas como o da mata Atlântica, já que a semente da palmeira e o seu fruto servem de alimento para diversos animais, como tucanos, sabiás, macucos, periquitos, maritacas, jacus, jacutingas, porcos-do-mato, antas, ratos-de-espinho, esquilos, tatus e capivaras (BRITANNICA, 2020).

A exploração do palmito é tanta, que causa desequilíbrio ecológico também na Amazônia. Por isso, atualmente, agrônomos vêm pesquisando o palmito de pupunha, e já se comprovou que ele se desenvolve com mais facilidade do que o da palmeira juçara (BRITANNICA, 2020).

Contudo, as fases do ciclo de vida do produto baseado no marketing sustentável para empresas de palmito no Brasil, visto acima, onde se avalia tudo que envolve o processo de fabricação, comercialização e consumo, representa para o profissional de marketing a grande oportunidade de identificar pontos fracos na visão sustentável e transforma em vantagens sociais e ambientais para as empresas de palmito no Brasil.

José Austerliano Rodrigues. Doutor em Marketing Sustentável pela UFRJ, com ênfase em Sustentabilidade e Marketing, com interesse em pesquisa em Marketing Sustentável, Sustentabilidade de Marketing, Responsabilidade Social e Comportamento do Consumidor. E-mail: austerlianorodrigues@bol.com.br.

Izabel Cristina da Silva. Especialista em Análise Ambiental pela UNIR. Idealizadora e Fundadora do Museu do Babaçu em Porto Velho/RO. Secretaria Municipal de Educação – SEMED/Porto Velho/RO. E- mail: pedradesantoantonio@gmail.com.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/06/2020

 

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