Conceitos e Contextualização da Educação Ambiental com Enfoque Regional, artigo de Luiz Eduardo Corrêa Lima

artigo

CONCEITOS E CONTEXTUALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL COM ENFOQUE REGIONAL

Luiz Eduardo Corrêa Lima

(Professor Titular de Biologia Animal – UNIFATEA/Lorena/SP)

INTRODUÇÃO

[EcoDebate] Ultimamente, muito tem sido discutido sobre a Educação Ambiental e como se poderia e se deveria fazer para colocar esse modelo de Educação dentro dos conteúdos curriculares das escolas brasileiras, mas até aqui a tarefa de concluir essa discussão ainda não se demonstrou objetivamente tão clara e eficiente como deveria se supor que fosse num primeiro momento. Ao contrário da expectativa, do modo em que a situação se encontra, na verdade se fala muito e acaba se fazendo muito pouco sobre educação ambiental de fato. Alguns dos muitos envolvidos nessa questão resolveram decidir que educação ambiental é orientar para se fazer reciclagem, outros que educação ambiental é cuidar e tratar do lixo, outros ainda assumiram que a Educação Ambiental é despoluir as águas e conservar a natureza e vai por aí afora, porém ninguém produziu um mecanismo suficientemente abrangente para estabelecer um bom programa educacional.

Em suma, cada um vê a Educação Ambiental daquela forma que quer ver ou daquela forma que acha mais significativa e importante, mas sempre com um olhar sectário e caolha da realidade maior a sua volta. Desta maneira a Educação Ambiental segue sendo um ideal a ser atingido, mas que ainda está bastante longe da realidade necessária. De certa forma, todos estão parcialmente certos, mas por limitarem o foco, também acabam estando grandemente errados, porque a Educação Ambiental não pode ser dirigida diretamente a esse ou aquele aspecto, ela deve ser abrangente e globalizante.

As ideias por trás das práticas educativas devem ser ampliadas, ainda que as ações e a eficácia devam ser localizadas. A Educação Ambiental precisa ser trabalhada dentro de um conceito mais amplo, numa visão mais generalista, de acordo com os padrões precípuos da sustentabilidade. Os aspectos considerados são importantes, mas só podem fazer sentido se forem avaliados dentro de um contexto geral, que envolve todos concomitantemente, ou que os individualizem na temática, mas globalizem nas ações a serem postas em prática, considerando todas as três vertentes fundamentais da sustentabilidade (ambiental, social e econômico), obviamente priorizando a temática (o viés) ambiental do referido tripé. Entretanto, na maioria das vezes, não é isso que tem acontecido, porque cada aspecto considerado é individualizado e especificado para determinada questão e isso não alcança os objetivos maiores propostos na Educação Ambiental. Assim, os temas a serem tratados podem ser boas premissas como enfoques principais, mas precisam ser considerados no seu todo e nas suas relações com as demais questões ambientais e não serem isolados e tratados separadamente.

Além disso, também é fundamental que as questões a serem trabalhadas pela Educação Ambiental digam respeito à realidade próxima do grupo envolvido. Não adianta tentar trabalhar Educação Ambiental fora da realidade próxima e imediata da comunidade, porque desse jeito não vai haver percepção real. A contextualização é preponderante para que o entendimento daquilo que se quer demonstrar seja efetivamente alcançado. A ordem a ser priorizada deve seguir o seguinte sequencial: primeiro a realidade contingente do local, depois a realidade próxima do regional e por fim, a realidade intencional do estadual, do nacional, do internacional e do global (planetário).

A Educação Ambiental também tem que ser produzida a partir dessa premissa, isto é, quanto mais próximo do local em que se está, mais interessante, mais oportuno e principalmente mais prioritário. Os grandes problemas planetários começam a ser resolvidos por cada um de nós, na nossa própria casa, ou seja, no lugar mais próximo, dentro daquela máxima que diz: “pensar globalmente, agindo localmente”. Chega de pensar numa Educação Ambiental imaginária, irreal e para outro mundo. É preciso pensar, trazer e fazer uma Educação Ambiental para dentro da realidade cotidiana que se vive.

Nossa região é o Vale do Paraíba e aqui estão as nossas cidades e nossas comunidades, então esses devem ser os nossos norteadores da Educação Ambiental que precisa ser desenvolvida. Nossos problemas prioritários dizem respeito às nossas necessidades imediatas e não se trata de puro egoísmo, mas sim da real manifestação daquilo que é preciso resolver em primeiro plano, para garantir o verdadeiro envolvimento com as questões ambientais e tratar essas questões dentro das possibilidades situacionais que podem ser verdadeiramente operadas na região. Até porque em regiões diferentes da nossa, existem condições diferentes e obviamente as soluções possíveis também tenderão a ser bem diferentes. Assim, apenas o contexto real poderá lançar luz efetiva sobre a necessidade devida da Educação Ambiental a ser ensinada no local.

As soluções são locais e por isso mesmo, as orientações também têm que ser locais. Não posso me preocupar com os problemas dos outros, por mais importantes que eles possam ser, enquanto os meus problemas não estiverem resolvidos. É uma grande utopia, um sonho, achar que a minha preocupação resolve qualquer problema longe de mim. Contextualizar é exatamente o contrário disso, ou seja, contextualizar é trazer para si próprio o problema e buscar a solução a partir das condições ambientais externas e internas do próprio problema, sem qualquer importação de valores e outras condicionantes.

É claro que grande parte dos modelos existentes conhecidos e que são aleatoriamente aplicados sempre poderão ser úteis, mas na maioria das vezes eles não serão aplicáveis “in loco”, até porque são modelos e não podem ser verdades absolutas. Obviamente os modelos devem sim ser considerados, mas mudar o meio para adequar o modelo é uma tarefa irrisória e idiotizante, porque certamente isso não vai permitir resolver o problema. A solução está exatamente na postura contrária, isto é, deve ser adequada ao meio para começar a funcionar. Além do mais, transferir a mudança do meio para a adequação do modelo, sobretudo é artificial e antiecológica. Desta maneira não pode ser identificada em essência como Educação Ambiental.

Pois então, até aqui o muito que se viu da Educação Ambiental foi exatamente isso: alguém propunha um modelo e todos repetiam aquele modelo em diferentes lugares. Ora isso, salvo melhor juízo, não pode ser considerado como Educação Ambiental, isso, quando muito é aplicação de modelos genéricos para Educação Ambiental, o que, na maioria das vezes, é extremamente artificial. O Meio Ambiente não é como a Matemática que eu posso teorizar para qualquer lugar ou situação. O Meio Ambiente é muito diverso e infelizmente não existem padrões totalmente aplicáveis. Assim, é preciso que sejam construídos modelos locais, que identifiquem e interpretem as situações próximas e permitam solucionar problemas intrínsecos a esses mesmos locais, para se possa fazer Educação Ambiental de fato.

CONCEITOS AMBIENTAIS

Na área do Meio Ambiente, como em qualquer área, existem muitos conceitos genéricos aplicáveis, entretanto é preciso que se dimensione exatamente a abrangência daquilo que se quer operacionalizar. Por exemplo, aqui no Vale do Paraíba existe uma questão que afeta a todos os envolvidos na região e até mesmo fora dela, que é a situação da água da Bacia Hidrográfica. Sendo assim, obviamente é necessário e interessante se trabalhar com os conceitos de Bacia Hidrográfica, de Ecossistema Hídrico Limnológico, com o conceito de ambientes lóticos e lênticos. Enfim, há várias terminologias que precisamos ter em mente e aplicar no interesse da Educação Ambiental para a região. Entretanto, não são apenas esses os conceitos que podem interessar, porque muitas vezes a questão local transcende a questão regional, fazendo com que a terminologia seja outra e outros conceitos adicionais sejam necessários.

O Meio Ambiente é uma espécie de caixa preta que o homem ainda não conseguiu entender na sua plenitude. Na verdade, o homem tem apenas uma vaga ideia de algumas coisas, mas não conhece a maioria das verdades ambientais próximas, principalmente num país com diversidade geológica, biológica e cultural que o Brasil possui. Aqui no Brasil, nós ainda não somos capazes de identificar grande parte das espécies a nossa volta, quanto mais saber exatamente as respostas que elas poderão dar às diferentes situações naturais ou artificiais produzidas e muito menos nos casos de mudanças ambientais, os quais, infelizmente, têm sido cada vez mais comuns.

Muitos conceitos ambientais regionais e particularmente locais, ainda terão que ser construídos, definidos, entendidos e por fim popularizados a partir de suas ideias genéricas, para que a população tome ciência e consciência exata daquilo que possui, daquilo que existe à sua volta e de como deve proceder no seu interesse próximo para garantir que aquilo continue existindo. As noções de bem natural, de patrimônio ambiental e de manejo ambiental ainda estão muito distantes da realidade próxima das pessoas nas diferentes comunidades e enquanto for assim não será possível falar em Educação Ambiental efetiva. É preciso que as pessoas saiam do empirismo e do continuísmo sociológico no uso dos recursos naturais e que se apropriem conscientemente desses recursos, inclusive e principalmente considerando a finitude desses recursos. Para que isso ocorra, a noção de patrimônio ambiental e sua transformação em recurso e ainda a maneira de utilizar esse mesmo recurso, têm que ser noções precípuas que a Educação Ambiental necessita produzir e orientar nas diferentes comunidades.

Outro aspecto a ser considerado no que diz respeito aos conceitos ambientais é aquele que se relaciona com o próprio conceito ambiental em si. Nos ecossistemas antrópicos, essa é uma falha extremamente comum, quando se pensa em Educação Ambiental, porque o homem muda as condições de acordo com seus interesses particulares e os demais, inclusive os demais humanos que partilhem o ambiente em questão, que se danem. A Educação Ambiental precisa considerar essa questão dentro do modelo educacional que se quer propor naquele momento ou situação.

Por exemplo, se o meu negócio é gado e se o seu é horta, nós não temos os mesmos requisitos básicos quanto a qualidade de alguns recursos naturais. De repente, o que é poluição hídrica para uma comunidade pode ser uma condição natural essencial para outra comunidade. Essas situações têm que ser pensadas e esclarecidas pela Educação Ambiental com toda a parcimônia necessária, considerando a relação de custo e benefício ambiental, social e econômico. Obviamente, essa não é uma tarefa simples, entretanto existe grande necessidade de sua consideração, se é que se quer mesmo fazer Educação Ambiental.

Veja por exemplo, a água tratada que serve as populações humanas, esse tipo de água não presta para ser utilizada por determinados tipos de organismos vivos, porque o tratamento que é vital para os humanos, pode tornar essa água tóxica para outros organismos. Por outro lado, algumas vezes acontece o contrário, os agrotóxicos que um fazendeiro usa na sua plantação, pode ser vital para suas plantas, mas certamente será letal para os humanos que por ventura tenham contato estrito com essa material. Assim, como já foi dito, é preciso que sejam estabelecidos alguns critérios de prioridade.

A situação é realmente bastante complexa e fica mais conflitante ainda quando se considera que infeliz e lamentavelmente, embora o patrimônio natural seja de todos, os recursos naturais “pertencem” a alguns proprietários que tem esse ou aquele interesse e aí já se está falando de sociedade, de relacionamento interpessoal e de economia. Nessas alturas, na maioria das comunidades, o Meio Ambiente e a Educação Ambiental passam para um plano inferior, mas a situação não pode continuar sendo assim, se é que existe pretensão real em fazer Educação Ambiental.

Ora, se não houver concordância no mecanismo de exploração do patrimônio e no uso dos recursos naturais, obviamente não haverá bom relacionamento social e muito haverá vantagens econômicas compatíveis para todos os envolvidos. É por isso que as questões ambientais têm que ser tratadas com visão sustentável e generalizada, considerando todos os problemas possíveis e também é por isso que o Meio Ambiente tem que ser a base principal do tripé da sustentabilidade. Se não houver recurso, não há sociedade organizada e não há lucro econômico. Em suma, tudo pode ficar insustentável e ruir se o Meio Ambiente ruir. A Educação Ambiental tem que estar concatenada com essa situação, pois do contrário não existirá Educação Ambiental de fato e assim, o problema continuará não sendo entendido e muito menos resolvido.

CONTEXTUALIZAÇÃO

Considerando que existe consenso sobre o tamanho do problema que é a necessidade de construir um efetivo trabalho de Educação Ambiental, agora vem o que acabaria sendo mais simples, isto é, trazer à realidade daquilo que se quer demonstrar para uma condição tangível e verdadeira para os aprendizes. A contextualização deveria ser a parte mais fácil, desde que as demais condições estejam estabelecidas a contento. Quer dizer, depois que se tem a verdadeira dimensão do local, das suas possibilidades, das suas necessidades e das suas aplicações e ainda depois que se sabe exatamente aquilo que se quer dispor ou degradar para adquirir lucro com os recursos daquele lugar, aí é que a gente deveria contextualizar as diferentes situações possíveis.

O problema é que historicamente os processos foram atropelados e as coisas quase nunca aconteceram dentro dos princípios que se tentou demonstrar aqui nesse ensaio como sendo os mecanismos corretos de ação, de ocupação e principalmente de uso dos recursos oriundos do patrimônio natural. Infelizmente os ambientes foram usurpados, ocupados e explorados indevidamente sem nenhum critério e sem nenhuma parcimônia. Mas, por outro lado, Educação Ambiental exige que os acontecimentos se deem dentro de padrões que priorizem a utilização e manutenção do patrimônio natural dentro de preceitos claros. O patrimônio natural só pode ser transformado em recurso natural dentro de critérios muito bem estabelecidos, para que o não haja dana significativo ao patrimônio e que seja garantida a sustentabilidade do Meio Ambiente e a continuidade dos recursos e da comunidade.

Ou seja, que seja garantida a manutenção daquele mecanismo que gera o uso do patrimônio como recurso, ao longo das gerações, produzindo condições sociais e econômicas, mas sem o comprometimento integral daquilo que se fez recurso e também sem que haja uma degradação do local onde se explora a atividade. A degradação não é só do recurso, mas é do ambiente como um todo. Na verdade, quando se explora algo, se compromete todo o local (ambiente) onde esse algo se encontra. A Educação Ambiental tem que estar atenta a esse detalhe e tem que ser capaz de demonstrar que isso é um fato e também deve tentar transformar esse fato numa forma menos degradante possível, por isso há que procurar as, já citadas, alternativas locais para a resolução dos problemas.

Os materiais explorados devem mesmo ser explorados? Essa é uma questão que muitos jamais aceitarão que a resposta possa ser não. Entretanto, cabe a Educação Ambiental permitir a interpretação real dessa possibilidade e produzir mecanismos que façam os envolvidos entenderem essa necessidade ambiental, porque esse é o contexto real que se estar vivendo. Aqui se chegou numa condição de verdadeira contextualização que desagrada e aí como se resolve o problema?

Como eu disse no início contextualizar é fácil, o que é difícil é aceitar aquilo que a contextualização pode pedir para que se faça. Muitas vezes a Educação Ambiental deixa de ser interessante e assim, sempre é possível se dar um “jeitinho” para agradar a quem quer que seja e o patrimônio ambiental que se lasque. A sustentabilidade que se exploda, pois o ambiente não vai ser protegido, a sociedade não vai deixar de fazer o que sempre fez e a economia não pode parar de crescer. É aquele velho sonho absurdo do crescimento ilimitado num planeta limitado. Isso é impossível e a Educação Ambiental tem que demonstrar esse fato a todos os envolvidos pelas diferentes situações!

É preciso entender que não há como manter crescimento eterno e a sociedade e a economia precisam estar prontas para isso, porque o Meio Ambiente já está ciente de que não dá mais. A Educação Ambiental precisa informar e caracterizar isso. A Terra está gritando por socorro das ações humanas e a Educação Ambiental tem que demonstrar essa verdade. A pergunta que fica é a seguinte: será que vai se querer mesmo contextualizar a Educação Ambiental?

REGIONALIZAÇÃO

Ainda que já tenha sido dito, que não se pode partir de situações específicas para fazer Educação Ambiental, é preciso que se concorde que há necessidade de algum ponto de partida para que a prática da Educação Ambiental possa se estabelecer. Por outro lado, como também já foi dito, é fundamental que aquilo que se trabalha tenha a ver com a realidade próxima e nada é mais próximo do que aquilo que acontece localmente. Desta maneira, se existir algum aspecto que seja local e que, por contingência geopolítica ou mesmo situacional também seja regional, esse aspecto deve ser priorizado e considerado como possuidor de uma forte capacidade de interesse comunitário e consequentemente de grande contextualização. Aqui na região existem vários aspectos que podem se enquadrar nessa condição de local, com interesse regional e facilmente contextualizado para a Educação Ambiental.

O principal desses aspectos certamente é o Rio Paraíba do Sul, que empresta o nome e atravessa toda a região e, por isso mesmo, acaba sendo o elo comum a todos e um fator preponderante à região como um todo. O Rio Paraíba do Sul e toda a sua Bacia Hidrográfica, certamente têm mais detalhes regionais em comum do que contrastantes, embora esses também existam. Assim, talvez as questões hídricas possam e devam ser o ponto de partida para um estudo ou mesmo para um programa básico de Educação Ambiental regional. Vejam bem, não vai aqui qualquer referência sobre esse ou aquele pedaço do rio, mas sim sobre a sua importância que é comum a todos, porque suas águas é que atendem direta ou indiretamente às necessidades regionais.

O Rio Paraíba do Sul integra e qualifica interesses regionais e assim se apresenta como uma das características mais importantes no interesse de toda a coletividade da região. Ele está em todas as comunidades e mais, todas as comunidades dependem direta ou indiretamente dele. O Rio Paraíba do Sul é, por assim dizer, um ícone capaz de definir aspectos locais e regionais, além de ser forte indicador de como proceder para garantir a qualidade ambiental regional. Quer dizer, o Rio Paraíba do Sul é sim um excelente parâmetro para servir de base a qualquer projeto de Educação Ambiental na região do Vale do Paraíba, haja vista que de uma forma ou de outra, ele interessa e participa na vida de todas as comunidades locais, que compõem a população da região como um todo.

Outros dois bons aspectos para definir padrões peculiares e desenvolver programas e projetos de Educação Ambiental na região são a Serra da Mantiqueira e a Serra do Mar, que abrigam formas vivas de grande biodiversidade, riquezas geomorfológicas e belezas cênicas incomparáveis. Ambas acompanham e margeiam de cima, lá do alto, o Rio Paraíba do Sul e toda a região. Assim, essas serras, de alguma forma, também estão associadas direta ou indiretamente a quase todos os municípios, porque derramam seus nutrientes diretamente em alguns deles. Suas realidades geomorfológicas também são bem parecidas e ambas guardam peculiaridades históricas bastante semelhantes. Ou seja, ambas as serras são fatores comuns de interesse regional, mas que também apresentam importância local em grande parte dos municípios da região.

Enfim, além desses, existem vários outros aspectos que depois de muito bem trabalhados, podem servir de ponto de origem para demonstrar o que deve ser feito com a região do Vale do Paraíba e em cada um dos seus municípios, usando, preservando e também mantendo as condições básicas e fundamentais da região como um todo. Qualquer programa ou projeto de Educação Ambiental a ser desenvolvido e implantado no Vale do Paraíba tem que partir desses tipos generalizados de aspectos ou, pelo menos, de um pressuposto integrador que reúna todas as características que aglutinam a região como uma unidade, apesar das individualidades específicas e das diferenças notórias.

CONCLUSÃO

Pois então, a situação de fazer Educação Ambiental não é tão simples quanto aparentemente se gostaria que fosse, porque na verdade existe uma grande montanha de questões que se contrapõem à Educação Ambiental. Até aqui o que tem sido feito, como foi dito no início é apenas “perfumaria”, os problemas são muito mais profundos e suas possíveis soluções são muito mais drásticas e conturbadoras do que alguns pensam. Tratar de Educação Ambiental com seriedade vai envolver uma gama muito maior de argumentos e de dispositivos que possam justificar as ações e além disso, vai necessitar de muita vontade política de quem administra e de quem acredita “ser dono” de alguns produtos naturais.

O patrimônio natural é do planeta e não do homem e o planeta deve ser a prioridade máxima na questão da Educação Ambiental, mas não se pode ter dois pesos e duas medidas na hora de decidir sobre como proceder. O Meio Ambiente SEMPRE deve estar em primeiro lugar, porque somente o que for bom para o ambiente poderá ser bom para toda a sociedade e poderá trazer avanços econômicos reais até um determinado limite, o qual também SEMPRE será imposto pelo próprio Meio Ambiente.

A Educação Ambiental de verdade deverá contemplar claramente o que está aqui proposto, porque do contrário ela será mera falácia sobre o Meio Ambiente, sem nenhuma vinculação efetiva com a realidade que precisa existir. O ser humano é a espécie mais dependente do planeta e do patrimônio natural, mas usurpou a Terra sem nenhum cuidado e agora está na hora de se preparar para tratar o planeta como ele merece, porque começou a entender o óbvio. Somente uma Educação Ambiental coerente e verdadeira, sem falsas alternativas, poderá mudar o comportamento humano e conduzir a humanidade um pouco mais à frente. Do contrário a espécie humana está fadada a extinção prematura.

Somente uma vivência com implicação direta na sustentabilidade poderá conduzir a humanidade para um futuro um pouco mais longínquo. A Educação Ambiental regionalizada é exatamente o caminho metodológico que poderá permitir que isso aconteça dentro de padrões convincentes e esclarecedores, porque esta é a única maneira objetiva de envolver toda a comunidade na questão ambiental e assim fazer com que haja um efetivo interesse na resolução dos problemas ambientais, locais, regionais, estaduais, nacionais, internacionais e globais.

Luiz Eduardo Corrêa Lima (61) é Biólogo, Professor, Pesquisador, Escritor e Ambientalista.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 10/05/2018

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