Educação Ambiental: Quem é o alvo? por Aluísio Vasconcelos de Carvalho, et al.

 

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[EcoDebate] Há quem diga que a educação ambiental deve priorizar todas as camadas de ensino e transpassar por todas as disciplinas no processo de educação básica e superior.

Diante disso, pergunta-se: isto ocorre efetivamente no Brasil? Como obter dados precisos sobre a eficácia da educação ambiental no país?

O desafio de criar uma sociedade ambientalmente correta vem sendo discutido em diversos países através de conferências, reuniões e congressos pelo mundo. Não se trata apenas de criar metas, mas de gerar ações transformadoras entre a sociedade e o poder público, atuando em conjunto na tomada de decisões quanto aos problemas socioambientais da sua realidade local.

No Brasil, isso não é diferente. Dentre os impactos ambientais encontramos a perda da biodiversidade, destruição de habitats de espécies endêmicas, contaminação dos recursos hídricos, desmatamento, queimadas, entre outros, tornando o país campeão no processo de extinção das espécies. Os planos de manejo para a conservação da biodiversidade e cultura das populações tradicionais tem sido um efetivo método para evitar danos ao ambiente em suas diversas formas. As atividades educativas voltadas para o currículo escolar no que tange ao meio ambiente aos poucos vem ganhando espaço no processo de reeducação para uma sociedade sustentável, mas ainda necessita de um bom empurrão para avançar com mais força.

A Educação Ambiental ainda é tratada como uma área estritamente da biologia, isso faz com que as outras disciplinas não se conversem no processo de aprendizagem dos alunos e da comunidade, ferindo totalmente a lei 9.795/99, Política Nacional de Educação Ambiental. Outro problema é a capacitação dos educadores e professores, muitos tem dificuldade em relacionar suas disciplinas com a questão ambiental, ou mesmo trabalhar assuntos ambientais de forma interdisciplinar no ambiente escolar.

Em se tratando de governança, pouco se tem feito quanto as políticas públicas voltado para os problemas ambientais. Ainda não sabemos mensurar e punir corretamente os responsáveis pelos danos ambientais ocasionados pela ação antrópica. O caso de Mariana (MG) é um grande exemplo sobre a defasagem do nosso sistema de avaliação de impactos ambientais. O resultado catastrófico rendeu ao país uma fama negativa quando se fala em meio ambiente, destruiu o ecossistema aquático afetando todas as espécies em todos os níveis tróficos, infertilizou o solo e assoreamento do rio devido aos rejeitos da mineração pelo rompimento da barragem.

A preocupação ambiental necessita está em pauta nas reuniões do senado, os representantes políticos devem assumir o compromisso de melhorar a nossa política ambiental e torná-la menos emblemática, fazer sair do papel e tornar-se mais prática no cotidiano. Outro problema concernente é que nossos representantes políticos pouco conhecem as leis ambientais, não tem conhecimento sobre os processos ecológicos ou mesmo não entendem a relação homem e natureza elencados pelos protagonistas tais como as populações ribeirinhas e indígenas.

Deparamos com grandes problemas ainda sem resolução que, aos poucos, vem se tornando uma bola de neve. A Usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, vem desfrutando do maior êxodo rural do país. A construção de barragens, cada vez mais comum no Brasil, está sendo o responsável por destruir a cultura local de inúmeras populações, o alagamento de sítios arqueológicos e cidades, mudanças no sistema hidrológico e perda da biodiversidade. Não basta indenizar para amenizar os impactos, mas é preciso averiguar as possíveis soluções para mitigação dos problemas enfrentados pela construção de usinas hidrelétricas.

Possuímos os dois maiores biomas em biodiversidade do planeta, Amazônia e Cerrado, além dos outros altamente ricos em diversidade biológica, mas não cuidamos deles. A fragmentação dos habitats ocasionados pela construção de rodovias e a expansão agrícola tornaram-se vilões na destruição dos biomas brasileiros, contribuindo para a perda de espécies-chave que assumem o papel de manter o ambiente equilibrado. A criação de Unidades de Conservação pode ser uma estratégia eficaz, porém não resolve todo o problema. A comunidade civil deve se atentar que suas ações refletem diretamente no ambiente, se os biomas são devastados, os recursos naturais se tornam escassos.

A ação antrópica exacerbada produziu um efeito natural em um problema irreversível: o aquecimento global. O efeito natural do aquecimento do globo terrestre aliado à queima excessiva de combustíveis fósseis aumentou o dano, jogando na atmosfera um número maior de poluentes que a capacidade de suporte do planeta possa enfrentar, subindo os ponteiros do clima da Terra. Embora haja um esforço competitivo entre países na guerra contra o aquecimento global, é evidente que, diante do pressuposto, podemos apenas retardar o aumento da temperatura global.

A grande pergunta que não quer se calar: onde entra a Educação Ambiental nesse processo? Por que ela não é internalizada nos processos de tomada de decisões das questões ambientais? Por que a Educação ambiental não é uma prática vivente nos currículos escolares em todas as modalidades de ensino e camadas sociais? O problema exposto trata-se de questões pluralistas que transpassam às responsabilidades ao meio ambiente. A educação ambiental necessita entrar como método transformador e formador de opiniões para que tenha efeito na sociedade. Não se trata de falar de “meio ambiente” como um fator isolado, as diversas áreas de conhecimento precisam conversar e encontrar um ponto norteador que as fundem em um só propósito.

A adoção de novas práticas em educação ambiental faz-se necessário, colocando os envolvidos como protagonistas no processo de transformação do pensar ambiental, que possam enxergar que os problemas socioambientais, educação e saúde pública são interligados diretamente, cabendo a todos o poder de reconstruí-los segundo a necessidade de cada local e público alvo.

Aluísio Vasconcelos de Carvalho
Biólogo, Especialista em Educação Ambiental e Desenv. Sustentável, Mestre em Ciências do Ambiente. Professor do IESC/Faculdade Guaraí, Guaraí-TO.
Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/5200758055263996.

Liberta Lamarta Favoritto Garcia Neres
Bióloga e biomédica, Especialista em Biologia da Conservação, Mestranda em Ciências Ambientais. Professora do IESC/Faculdade Guaraí, Guaraí-TO.
Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/5200758055263996.

Ana Paula Martins Guimarães
Bióloga, Mestra em Ecologia de Ecótonos. Professora do IESC/Faculdade Guaraí, Guaraí-TO. Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/0563097731032602

Júlio César Ibiapina Neres
Biólogo, Mestre em Ciências Ambientais e Saúde. Professor do IESC/Faculdade Guaraí, Guaraí-TO. Currículo lattes:  http://lattes.cnpq.br/9493252013144748.

 

in EcoDebate, 03/02/2017

Educação Ambiental: Quem é o alvo? por Aluísio Vasconcelos de Carvalho, et al., in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 3/02/2017, https://www.ecodebate.com.br/2017/02/03/educacao-ambiental-quem-e-o-alvo-por-aluisio-vasconcelos-de-carvalho-et-al/.

 

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