Mais um passo para a revitalização do Velho Chico

Obras para tratamento secundário de esgoto na ETE Onça vão permitir o alcance da Meta 2010 na bacia do Rio das Velhas e contribuir para a revitalização do São Francisco.

Foi assinado ontem, pelo governador de Minas Gerais, Aécio Neves, a ordem de serviço para as obras de implantação do tratamento secundário do esgoto que chega à ETE Onça. Atualmente, não chega a 70% da poluição presente no esgoto que é removida após passar pela ETE Onça. Com a obra, no entanto, a remoção será de aproximadamente 90%. O ribeirão Onça é afluente do rio das Velhas e drena metade do território dos municípios de Belo Horizonte e Contagem, na região metropolitana. O tratamento secundário consiste na implantação de um sistema de filtros biológicos e decantadores que tornam ainda mais apurada a despoluição do esgoto. Essas obras fazem parte da Meta 2010 e conseqüentemente vão ajudar na revitalização do rio São Francisco.

A Copasa deverá investir 64 milhões de reais na obra, que, segundo previsão da empresa de saneamento, será concluída em 24 meses. Ou seja, em 2010. Segundo o coordenador do Projeto Manuelzão, Apolo Heringer, é tempo demais: “proponho que a obra de tratamento secundário da ETE Onça dure 18 meses ao invés dos 24 previstos para assim poder melhorar o rio até 2010”. Para ele, 2010 é ano de colher os frutos dos investimentos. “Vamos fazer o que pudermos para anteciparmos nosso cronograma e trabalharmos nesse projeto, talvez como um grande exemplo”, disse Aécio Neves. O governador lembrou ainda que investir na Meta é prioridade e que, em 2008, o tesouro do estado de Minas Gerais e empresas públicas destinarão mais de 1 bilhão para o programa e que há perspectivas de investimentos maiores em 2009 e 2010.

Mais desafios

Outra iniciativa apontada como fundamental para que se volte a navegar, nadar e pescar no Velhas daqui há dois anos é acelerar o programa Caça-Esgoto, que tem como objetivo identificar e eliminar todos os lançamentos de esgoto indevidos nas bacias dos ribeirões Arrudas e Onça, que drenam os 2 maiores municípios da região metropolitana e direcioná-los às respectivas ETEs. Dirigindo sua palavra ao presidente da Copasa, Márcio Nunes e para o secretário José Carlos Carvalho, o governador Aécio Neves disse que fazer o esgoto chegar às ETEs é prioridade e, que é preciso articular as ações do programa com o Ministério Público para que as interferências do Caça-Esgoto em regiões extremamente urbanizadas, como a Centro-sul de Belo Horizonte, seja a melhor possível.

Márcio Nunes afirmou que, até 2010, serão tratados 120 milhões de metros cúbicos de esgoto. Valor que corresponde a 95% de todo o esgoto produzido na bacia do Rio das Velhas e que está sob a concessão da Copasa. Hoje, a Copasa trata cerca de 80 milhões de metros cúbicos “Tenho a convicção de que até 2010 poderemos nadar com cautela no rio”, na região metropolitana, disse o presidente.

De acordo com Márcio Nunes, dentre as cidades cujos esgotos causam maiores impactos ao Rio das Velhas, a única que a Copasa não tem a concessão para o tratamento do esgoto é Sete Lagoas. A empresa chegou a manifestar interesse em tratar todo o esgoto do município, no entanto, o município fez a opção de contar com um recurso a fundos perdidos que havia sido prometido. Dinheiro que não apareceu, deixando a cidade sem ETE. O presidente disse que a empresa é favorável à retomada das discussões em Sete Lagoas.

A meta da Meta

A Meta 2010 foi proposta pelo Projeto Manuelzão em 2003, depois que a Expedição Manuelzão Desce o Rio das Velhas percorreu navegando os 804 Km do rio, em 29 dias, registrando suas condições. A Meta propõe navegar, pescar e nadar no Rio da Velhas em sua passagem pela região metropolitana de Belo Horizonte, trecho do rio mais degradado pelas ações do homem. A Meta ganhou a simpatia do Governo Estadual, que a adotou como um dos Planos Estruturadores do Estado. Pesquisas feitas pelo Núcleo Transdisciplinar e Transinstitucional pela Revitalização da bacia das Velhas da UFMG/ Projeto Manuelzão, espécies de peixes, como o dourado e a matrinchã, que não conseguiam sobreviver no Velhas na região metropolitana já estão sendo encontrados no “ponto zero” da Meta. Ou seja, os peixes estão chegando no ponto do rio que era mais poluído e que o governador e o coordenador do Manuelzão vão nadar em 2010.

Mas, para atingir a Meta, não é necessário apenas retirar e tratar o esgoto que é jogado diretamente no rio. É necessário outras iniciativas. Uma delas é a recuperação das matas ciliares, nas margens degradadas do Rio das Velhas. Essa recuperação é feita por pesquisadoras do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, em parceria com o Projeto Manuelzão e algumas prefeituras. Aliás, a participação de todos os segmentos da sociedade na Meta 2010 é fundamental para que ela seja alcançada. Infelizmente o setor empresarial não abraçou esta causa ainda. “Sem massificar a Meta, aumentando a participação voluntária e eficaz do conjunto da sociedade na solução dos problemas em cada local, corremos o risco de não termos os resultados almejados. Falta pouco, precisamos de um maior envolvimentos dos beneficiários, municípios e usuários, e maior integração entre órgãos governamentais e destes com a sociedade”, avalia o coordenador do Projeto Manuelzão, Apolo Heringer.

Informe enviado pela assessoria do Projeto Manuelzão, UFMG.

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