Biocombustíveis e especulação contribuem para fome, diz estudo

 

Fatores causados pelo homem, como o uso da agricultura para biocombustíveis e a especulação no preço de alimentos, são determinantes para a fome nas partes mais pobres do mundo, segundo relatório divulgado nesta terça-feira pelo centro de pesquisas, sediado nos EUA, International Food Policy Research Institute.

O estudo diz que a volatilidade nos preços dos alimentos afetou bastante os mais pobres, que não conseguiram se adaptar às mudanças.

A volatilidade seria causada por três fatores principais: o uso de alimentos para a produção de biocombustíveis, eventos meteorológicos extremos e mudanças climáticas, além do o aumento das transações envolvendo produtos agrícolas nos mercados financeiros.

A situação seria agravada por uma diminuição nas reservas mundiais de grãos e por uma dependência dos poucos exportadores de alimentos.

Outro complicador seria a falta de informações disponíveis que evitem reações intempestivas nos mercados quando ocorram variações menores na oferta de alimentos.

Além de reduzir o consumo de calorias entre os mais pobres, a alta de preços leva à escolha de alimentos menos nutritivos, contribuindo para a desnutrição.

Os pesquisadores sugerem a criação de mecanismos de proteção aos mais vulneráveis, além da revisão das políticas de biocombustíveis, regulação das atividades financeiras sobre alimentos e uma melhor adaptação aos efeitos das mudanças climáticas.
Índice

O estudo afirma que o chamado Índice Global da Fome (ou GHI, na sigla em inglês) de 2011 vem diminuindo, mas lentamente e permanece em um nível considerado “sério”.

O GHI varia bastante entre as regiões do mundo, com os mais altos ocorrendo na África Subsaariana e partes da Ásia. O estudo afirma que 26 países apresentam níveis alarmantes ou extremamente alarmantes.

Entre os seis países em que a fome piorou no documento deste ano, os pesquisadores destacam a situação da República Democrática do Congo, que registrou aumento de 63% do GHI devido ao conflito interno do país e instabilidade política.

Os países que mais progresso realizaram entre 1990 e 2011 foram Angola, Bangladesh, Etiópia, Moçambique, Nicarágua, Níger e Vietnã.

O estudo não computou os efeitos da crise no preço dos alimentos ocorrida entre 2010-11, nem a fome deste ano no chifre da África.

Na segunda-feira, a ONU afirmou que os preços de alimentos devem continuar altos e talvez até aumentar, levando a mais insegurança alimentar ao redor do mundo.

Reportagem da BBC Brasil, publicada pelo EcoDebate, 13/10/2011

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2 comentários em “Biocombustíveis e especulação contribuem para fome, diz estudo

  1. Pode contribuir, Mas é muito pouco. A fome na Africa se deve em grande parte a um desastre natural ou seja uma grande seca que ocorreu neste continente.

  2. Em relação aos biocombustíveis e a fome também sugerimos que leiam:

    O biocombustivel e a fome, artigo de Sergio Sebold in http://www.ecodebate.com.br/2011/04/28/o-biocombustivel-e-a-fome-artigo-de-sergio-sebold/

    Plantações destinadas à produção de biocombustíveis tomam espaço de culturas agrícolas básicas in http://www.ecodebate.com.br/2011/04/11/plantacoes-destinadas-a-producao-de-biocombustiveis-tomam-espaco-de-culturas-agricolas-basicas/

    Dossiê EcoDebate: A substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis e suas conseqüências in http://www.ecodebate.com.br/2009/03/30/dossie-ecodebate-a-substituicao-de-combustiveis-fosseis-por-biocombustiveis-e-suas-consequencias/

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