OMS alerta que as crianças são as mais prejudicadas pela poluição do ar

 

OMS alerta que as crianças são as mais prejudicadas pela poluição do ar

Organização Mundial da Saúde divulga os novos padrões de qualidade do ar e entidades alertam para os cuidados com a saúde das crianças e gestantes

Por Paloma Albuquerque

A exposição à poluição do ar durante a gravidez pode prejudicar a saúde de recém-nascidos. Um estudo publicado na última edição da revista especializada Environmental Research, em 2021, analisou mais de 400 mães e bebês e revelou que o contato com substâncias tóxicas presentes no ar está associado ao desequilíbrio nos níveis de hormônio essencial para o crescimento das crianças.

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) revelam que no mundo anualmente morrem mais de 7 milhões de pessoas por doenças cardiorrespiratórias e cânceres de pulmão, doenças relacionadas à poluição do ar. Desse percentual, as crianças são as mais afetadas por respirarem mais ar por kg de peso corporal do que os adultos e, por terem menor estatura, respiram ainda mais poluentes que agridem seus pulmões, cérebro e sistema imunológico – ainda em construção.

As doenças respiratórias crônicas afetam as vias aéreas e outras estruturas do pulmão. As mais comuns são a pneumonia e as doenças pulmonares obstrutivas crônicas, como asma e bronquite – ocupacionais e hipertensão pulmonar.

“Todas as faixas etárias são afetadas pela exposição ao ar poluído. E a exposição de gestantes e bebês pode elevar o percentual de morte fetal e agravar o risco de mortalidade infantil, além de aumentar o risco de obesidade e diabetes, por conta da inflamação que a poluição gera no corpo”, destaca Flavia Antunes Michaud, diretora-presidente do Instituto Opy, entidade focada em ações relacionadas ao cuidado dos primeiros 1000 dias de vida e na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis.

Flavia alerta, principalmente, para a importância de cuidados preventivos. “Parece óbvio, mas a amamentação exclusiva é uma prática altamente eficaz: ajuda a contribuir para redução da mortalidade, aumenta a expectativa de vida e fortalece o sistema imunológico. Crianças amamentadas têm menos alergias, infecções, diarreias e doenças respiratórias. Além disso, a nutrição infantil na primeira infância tem um papel protetivo muito importante pra vida”, ressalta.

Mas diante do quadro atual, atrelado aos cuidados com a primeira infância, ações de monitoramento da qualidade do ar nos ambientes em que as crianças passam a maior parte do tempo e desenvolver estratégias que reduzam os efeitos das altas concentrações de poluentes tornam-se imprescindíveis.

De acordo com a médica e diretora- executiva do Instituto Saúde e Sustentabilidade, Evangelina Vormittag, apenas cerca de 2% dos municípios no Brasil possuem estações de monitoramento de qualidade do ar, dificultando em muito o diagnóstico do ar tóxico a que as crianças estão expostas na escola ou em suas casas. “Isso acarreta um obstáculo para a proteção de sua saúde, especialmente o desenvolvimento de doenças respiratórias como a pneumonia e a asma”, conclui a médica.

 

Nota da redação EcoDebate: sobre o mesmo tema sugerimos que leia, também:

Estudo global associa a poluição do ar a quase 6 milhões de nascimentos prematuros

Exposição pré-natal à poluição do ar tem impacto de longo prazo na saúde e no desenvolvimento das crianças

Exposição à poluição do ar na infância é relacionada a problemas de aprendizagem

Poluição do ar durante a gravidez pode afetar o crescimento de recém-nascidos

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/10/2021

 

A manutenção da revista eletrônica EcoDebate é possível graças ao apoio técnico e hospedagem da Porto Fácil.

 

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate com link e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Inclusão na lista de distribuição do Boletim Diário da revista eletrônica EcoDebate, ISSN 2446-9394,

Caso queira ser incluído(a) na lista de distribuição de nosso boletim diário, basta enviar um email para newsletter_ecodebate+subscribe@googlegroups.com . O seu e-mail será incluído e você receberá uma mensagem solicitando que confirme a inscrição.

O EcoDebate não pratica SPAM e a exigência de confirmação do e-mail de origem visa evitar que seu e-mail seja incluído indevidamente por terceiros.

Remoção da lista de distribuição do Boletim Diário da revista eletrônica EcoDebate

Para cancelar a sua inscrição neste grupo, envie um e-mail para newsletter_ecodebate+unsubscribe@googlegroups.com ou ecodebate@ecodebate.com.br. O seu e-mail será removido e você receberá uma mensagem confirmando a remoção. Observe que a remoção é automática mas não é instantânea.

Top