Veganismo e a alimentação ética

 

Veganismo e a alimentação ética

Artigo de Roberto Naime

[EcoDebate] O veganismo sempre ressaltou a necessidade de uma alimentação saudável e que também respeite os animais. Enfatiza a importância de preservar o solo e o uso correto da terra, para que futuras gerações não a encontrem com erosão e queimadas, sem os minerais necessários para uma vida saudável.

Os veganos confiam em métodos naturais de alimentação pura, ar fresco, sol e exercícios. Em vez de vacinas e medicamentos para manter corpo e mente saudáveis. O que pode parecer uma radicalização sem fundamentação científica.

O uso de agrotóxicos e adubos químicos se opõe aos princípios do veganismo e às diretrizes da agricultura vegana que comprova que são desnecessários quando o equilíbrio correto do solo for estabelecido. Disto não ocorre a menor dúvida. Frutas e verduras cultivadas com métodos veganos podem ser tão grandes e bonitas quanto aquelas cultivadas sob qualquer outro método.

Na visão vegana, também a contaminação da água com esgoto, resíduos industriais ou adição de flúor é contrária aos interesses da comunidade.

Devido à sua fé em “Ahimsa”, que em sânscrito significa não matar, não machucar e mobilizar energia inofensiva, os veganos tendem ao pacifismo e opõem-se a todos os tipos de atividade agressiva. O veganismo é um estilo de vida preocupado em viver sem machucar os outros.

Há vários caminhos para o veganismo e muitas teorias a seu respeito, mas o veganismo é somente uma única coisa um modo de viver que evita a exploração, seja ela humana, animal ou do solo do qual se depende para a existência. Alguns são inicialmente atraídos ao veganismo porque desejam melhorar ou recuperar sua saúde, outros estão mais interessados no aspecto econômico, que é de grande importância para todos.

Poucos indivíduos não-vegetarianos avaliam o fato de que muito mais alimentos vegetais do que os alimentos animais podem ser produzidos em uma área igual e no mesmo o espaço de tempo adotado de forma geral.

O veganismo poderia livrar o ser humano da criação animal com toda a sua crueldade e muitas terras férteis seriam liberadas para ampla produção de alimentos destinados diretamente ao consumo humano. Mas como já referido em outras oportunidades, a fome é muito mais uma questão de distribuição de renda do que disponibilidade de alimentos.

O maior número de veganos, são motivados por compaixão a adotar este modo de vida. Não machucar. A maioria foi criada comendo bastante carne, ovos, leite e peixe, porém sentindo que esta talvez não fosse a melhor maneira de viver.

Muitos se porque questionam porque se mobiliza tal radicalidade, que no caso das vacinas é totalmente questionável. Mas o movimento até hoje não formulou manifestações que levem a um silogismo satisfatório.

Diferente dos veganos, grande número de vegetarianos estão principalmente preocupados com a saúde e aceitam o abate de animais na produção de carne, couro e queijo. Não importa para o animal inocente, se ocorre ser abatido para fornecer alimento, medicamento, vestimenta, esporte ou objetos de luxo como ornamentos de marfim, bolsas de pele de jacaré ou um perfume exótico.

A maioria das pessoas, ao iniciar uma alimentação lacto-vegetariana, aumenta seu consumo de laticíneos e ovos.

Os produtos como biscoitos, bolos, massas prontas, pastéis, pudins, sopas enlatados e outros, são considerados suspeitos. Provavelmente contêm manteiga, leite, mel, queijo, gorduras animais ou ovos.

Sob a dimensão nutricional são inferiores aos alimentos frescos, porque foram super-cozidos ou processados de alguma forma e porque provavelmente contêm alguns dos 800 aditivos usados na alimentação, como corantes, adoçantes, estabilizantes, conservantes, aromatizantes e outros.

Mobilizar uma boa sopa caseira, com verduras cozidas de forma tradicional, pão integral ou batatas assadas com casca, vai acrescentar variedade às saladas verdes, frutas frescas, nozes e grãos. Estes facilmente germinados com resultados excelentes e são a base da boa alimentação vegana.

Mas o veganismo não está somente preocupado com a alimentação. Os veganos deploram o abatimento ou a exploração de qualquer animal, qualquer que seja o motivo. Há veemente condenação do uso de carnes de qualquer espécie para alimentação, com o sacrifício de quaisquer animais.

Não se usam vestimentas que utilizam tecidos ou órgãos de animais, nem mesmo como ornamentos. Também não se utilizam cosméticos fabricados com constituintes animais e não se usam produtos domésticos com estas substâncias. Tampouco se praticam esportes como pesca ou que envolvam animais e de forma alguma se prestigia circos e outras formas de entretenimento que envolvam animais.

Vacinas, soros e outros, produzidos usando animais, não são utilizados. Sem esquecer que muitas espécies faunísticas são utilizadas em experiências para testar todo tipo de medicamentos e cosméticos.

Além dos efeitos imediatos, os veganos consideram esse estilo de vida um dever para futuras gerações. Vai levar muito tempo, no atual ritmo de progresso, para desfazer o que consideram como resultantes de erros passados.

Quaisquer que sejam as ações, serão os herdeiros do planeta, que colherão os resultados bons ou ruins, daquilo que se realiza.

Como se denota existe um nobre e bem fundamentado arcabouço de suporte para o veganismo. Mas também existem grandes questionamentos e aspectos lógicos muito obscuros em toda a apropriação. Como não se submeter ao uso de vacinas.

Referência:

http://www.taps.org.br/Paginas/vegetartigo07.html

 

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

Nota da Redação: Sobre o mesmo tema, sugerimos que leia, também:

Alimentos Nutracêuticos, artigo de Roberto Naime

Alimentos Funcionais, artigo de Roberto Naime

Alimentação Alternativa, artigo de Roberto Naime

Vegetarianismo, artigo de Roberto Naime

 

Veja, abaixo, as características das dietas, em informação da EBC:

A dieta vegetariana existe em diversas formas, confira abaixo:

Ovolactovegetarianos

Não ingerem nenhum tipo de carne (nem frango, peixe ou frutos do mar), mas consomem laticínios e ovos. Esse tipo de vegetarianismo é o mais comum.

Lactovegetarianos

Além de não ingerir nenhum tipo de carne – como os ovolactovegetarianos -, os lactovegetarianos excluem os ovos da dieta. É o tipo de vegetarianismo predominante em países como a Índia, de acordo com a SVB.

Vegetarianos estritos

Não ingerem nenhum tipo de carne, laticínios ou ovos.

Veganos

Criado em 1944, na Inglaterra, por Donald Watson, o movimento vegan, ou vegano, vem ganhando cada vez mais espaço na sociedade brasileira. Por motivações éticas, os veganos não consomem nada de origem animal em nenhuma área de suas vidas. Alimentação, vestuário, espetáculos ou qualquer outro tipo de atividade que envolva sofrimento animal é excluída da vida de uma pessoa vegana. O veganismo é uma postura política e não uma dieta. No Brasil, a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) é entidade responsável pela certificação de produtos veganos. O selo é entregue após análise rigorosa da cadeia produtiva.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 16/09/2020

 

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Um comentário em “Veganismo e a alimentação ética

  1. Olá,
    Os veganos não precisam necessariamente se preocupar com a alimentação, ou a forma como é feito o plantio, produção e disponibilidade dos alimentos. Por exemplo, alimentos processados e ultraprocessados de origem vegetal estão cada vez sendo comercializados e há muitos veganos que consomem sem preocupações. Também não há necessariamente uma conexão entre a alimentação com o modo de produção, embora eu acredito que ela seja importante.
    O que leva à afirmação que existam veganos de diferentes orientações. Há diversos termos dentro do meio, como o bem-estarismo, o antiespecismo, o abolicionismo, pragmatismo, etc.
    De maneira alguma quero desmerecer o trabalho de pesquisa que você realizou para esse artigo, mas fiquei incomodada com alguns reducionismos, um pouco de visão romântica do veganismo e do meio ambiente (que existe, mas não é predominante), por exemplo.
    E foi perigosa a colocação de que veganos são antivacina. Geralmente os que são antivacina têm esse posicionamento por causa de outras crenças. E há um forte movimento dentro do veganismo para se desassociar disso.
    Enfim, existe muita diversidade dentro do pensamento vegano. Sei que em um artigo não é possível contemplar tudo, mas gostaria de deixar a minha colaboração por aqui.

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