Sistemas agroalimentares localizados: aproximando a produção do consumo através de redes sociais

 

artigo

 

Sistemas agroalimentares localizados: aproximando a produção do consumo através de redes sociais

Por Lucimar Santiago de Abreu, Maria Aico Watanabe , Lucas Ferreira Lima e Ademar Ribeiro Romeiro

Resumo

O atual sistema agroalimentar convencional continua fortemente sendo questionado por produzir um enorme passivo ambiental e social, abriu espaços para a transição da agricultura em direção à adoção de sistemas agroalimentares alternativos considerados mais justos e mais sustentáveis, com adoção de princípios da agroecologia. Tais sistemas vêm sendo construídos em redes territoriais alternativas de produção e consumo, em regiões onde à questão alimentar é protagonizada por agricultores familiares, agentes de desenvolvimento e consumidores, especialmente em regiões próximas de grandes metrópoles. O objetivo geral deste trabalho é o de apresentar essas novas formas de interação da produção e consumo, identificadas em vários continentes, e as características gerais destas redes agroalimentares alternativas cujo movimento social é uma resposta à crise do sistema dominante, que ocorre em diferentes partes do mundo. Para tanto, realizou se o balanço e a revisão da literatura especializada sobre o tema. Conclui-se que as transformações em curso são fruto de inovações sócio técnicas em redes de construção de novas práticas em sistemas agroalimentares.
Palavras-chave: Agroecologia, relação consumidor-produtor, sistema agroalimentar alternativo

Abstract

The current conventional agri-food system continues to be strongly questioned because it produces an enormous environmental and social passive, opened spaces for the transition of agriculture toward the adoption of alternative agrifood systems considered more just and more sustainable, with the adoption of agroecology principles. Such systems have been built in alternative territorial networks of production and consumption, in regions where the food issue is carried out by family farmers, development agents and consumers, especially in regions close to large metropolises. The general objective of this work is to present these new forms of interaction of production and consumption, identified in several continents, and the general characteristics of these alternative agrifood networks whose social movement is a response to the crisis of the dominant system, which occurs in different parts of the world. In order to do so, the review and review of the specialized literature on the subject was carried out. It is concluded that the ongoing transformations are the result of socio-technical innovations in networks of construction of new practices in agri-food systems.
Key words: Agroecology, consumer-producer relationship, alternative agro-alimentary system.

Introdução

A capacidade de adaptação da agricultura familiar surpreende em qualquer sistema sócio-político, pois em todos os países onde os mercados organizam as trocas, a produção agrícola alimentar é assegurada pela agricultura familiar. No Brasil, quase oitenta por cento dos alimentos (arroz, feijão, mandioca, leite) são produzidos pela agricultura familiar, caracterizada pela alta diversidade socioeconômica, ecológica e agrícola e revela, surpreendentemente, uma forte capacidade de adaptação (Abreu, 2005). Atualmente, a agricultura familiar é fortemente inspirada por princípios da agroecologia, resultado especial das políticas públicas de 2003 – 2014 (Abreu, 2018).

Um dos principais objetivos da agroecologia é o de construir sistemas agroalimentares localizados e aproximar a produção do consumo. Isso só é possível quando os atores dos territórios se articulam em redes e resgatam a autonomia sobre os processos de produção, transformação, comercialização e consumo, diz Paulo Petersen, coordenador executivo da AS-PTA e membro do Núcleo Executivo da Articulação Nacional de Agroecologia – ANA .

Há também um bom contingente de agricultores familiares que resistindo às condições impostas pela industrialização da agricultura, permanecem no campo, praticando atividades típicas da agricultura familiar, como o cultivo de produtos alimentares. Em geral, aqueles que resistem são os agricultores familiares para quem a terra é considerada como um patrimônio e não um instrumento de especulação (BRANDENBURG, et al. 2015).

Esse processo é global e nos últimos anos nos Estados Unidos, França, Itália, Alemanha, Reino Unido, em diversos países europeus, Japão e no Brasil, agricultores resistem ao sistema agroalimentar dominante através da organização social em redes territoriais, as quais são constituídas por agricultores, agentes de desenvolvimento e consumidores que propõem um sistema agroalimentar alternativo ao sistema convencional, resultado da conjunção de movimentos sociais que defendem sistemas agroalimentares alternativos considerados mais justos e mais sustentáveis. Nesta reconfiguração da produção de alimentos ecológicos e de novas formas de associação entre consumidores e produtores, tanto os consumidores quanto os produtores estão adotando novas atitudes de modo a estabelecerem interações, parcerias e laços de cooperação (Abreu, 2018).

Partindo desta premissa, o objetivo do presente artigo é o de apresentar essas novas formas de interação da produção e consumo, identificadas em vários continentes, e as características gerais destas redes agroalimentares alternativas cujo movimento social é uma resposta à crise do sistema dominante, que ocorre em diferentes partes do mundo.

Metodologia

Este trabalho é resultado da leitura e revisão de um conjunto de artigos especializados na temática abordada e publicados em revistas internacionais e nacionais, dos quais foram extraídas as principais contribuições. Neste trabalho é caracterizado sinteticamente o cenário de mudanças que ocorre nos Estados Unidos, em vários países da Europa como a França, Itália, Reino Unido, Alemanha também no continente asiático, no caso o Japão, e por último no Brasil.

** Nota da redação: Para acessar o artigo, na íntegra, no formato PDF, clique no link 190924_Sistemas agroalimentares localizados

Autores

Autora: Lucimar Santiago de Abreu
Filiação Institucional: Doutora em Ciências Sociais, Embrapa Meio Ambiente

Autora: Maria Aico Watanabe
Filiação Institucional: Doutora em Agronomia, Embrapa Meio Ambiente

Autor: Lucas Ferreira Lima
Filiação Institucional: Doutorando em Desenvolvimento Econômico – IE/UNICAMP

Autor: Ademar Ribeiro Romeiro
Filiação Institucional: Professor Titular do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 24/09/2019

Sistemas agroalimentares localizados: aproximando a produção do consumo através de redes sociais, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 24/09/2019, https://www.ecodebate.com.br/2019/09/24/sistemas-agroalimentares-localizados-aproximando-a-producao-do-consumo-atraves-de-redes-sociais/.

 

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