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Fauna nativa volta ao Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho

 

Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho
Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho. Foto: Divulgação

 

Após décadas como uma das maiores aflições socioambientais do Estado do Rio de Janeiro, o antigo lixão de Gramacho, que movimentava cerca de 10.000 toneladas de resíduos diários, hoje testemunha uma reviravolta histórica.

Por Danielle Franca

Aves como socó-dorminhoco, colhereiro, maçarico (ave migratória), marreca toicinho, garça azul, entre tantas outras espécies, além de capivaras, lagarto teiú e jiboia, são alguns dos animais que têm sido visto na região restaurada do manguezal no entorno do Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho (AMJG).

“Destaco que isso é uma pequena, reduzidíssima lista do que existe numa área que há 30 anos era praticamente um deserto ambiental, uma gigantesca montanha de lixo com chorume escoando por todos os lados”, explica o biólogo Mário Moscatelli. O especialista foi contratado pela Statled Brasil, empresa vencedora do processo licitatório conduzido pela Comlurb há três anos e que faz a manutenção e o monitoramento do local. Hoje o espaço recuperado equivale a 60 campos de futebol do Maracanã e é a maior área de manguezal da Baía de Guanabara.

O biólogo enfatiza a importância das cercas de proteção instaladas nas áreas de plantio para bloquear a grande quantidade de lixo que desemboca na baía através dos rios, medida fundamental para a preservação do manguezal. “É imprescindível continuar protegendo as áreas recuperadas com sistemas de telas até que a população pare de usar os rios e a baía como depósitos de lixo. Mesmo com as proteções existentes, é fundamental remover o lixo que sempre encontra uma maneira de se infiltrar nas áreas de plantio”, explica Moscatelli.

O processo de revitalização enfrentou uma série de desafios. O acesso às novas áreas de plantio e a urgência de bloquear o retorno do lixo da Baía de Guanabara aos manguezais surgiram como grandes obstáculos. A remoção contínua de detritos, como as 320 toneladas retiradas em 2023 em uma área de plantio de 15 mil metros quadrados, é essencial para a saúde do manguezal e da Baía de Guanabara. O lixo pode representar uma ameaça significativa, contendo substâncias tóxicas que prejudicam a vida marinha e interferem nos ciclos naturais de nutrientes.

“Estratégias como a construção de acessos com pallets para áreas remotas e a instalação de cercas foram adotadas para mitigar esses problemas. No entanto, o manguezal, com sua argila marinha, trouxe dificuldades adicionais, transformando o acesso às novas áreas de plantio em um desafio grandioso”, revela o engenheiro ambiental da Statled Brasil e gerente operacional do projeto, Vinícius Freitas.

Freitas explica que os funcionários oriundos do bairro Jardim Gramacho desempenham um papel vital na conscientização sobre a gestão adequada do lixo. No entanto, o apoio da comunidade ainda é um desafio, dada a história do local como ponto de catação de lixo. “Nosso plano é envolver escolas e creches locais para promover a conscientização e abrir as portas do projeto para visitação, buscando tornar a comunidade parte ativa do processo de recuperação”, afirma o gerente operacional do AMJG.

Os manguezais operam como maternidades ecológicas, filtros da água e da atmosfera, agentes anti-erosivos e responsáveis pela manutenção e incremento da biodiversidade. Moscatelli ressalta a importância dos manguezais como ecossistemas altamente resilientes.

“O projeto, por sua localização e existência numa das áreas mais degradadas da Baía de Guanabara, teve, e continua tendo, destaque nacional e internacional como exemplo de recuperação ambiental. Alguns diziam ser impossível recuperar o que ainda não havia sido aterrado. Eu contrariei os ‘sábios’ da época e o resultado é esse daí. Na época fui considerado doido. Hoje sou considerado um visionário! Nem uma coisa e nem outra, apenas estudei e sabia o que estava dizendo e fazendo”, encerra Moscatelli.

 

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in EcoDebate, ISSN 2446-9394

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