Vegetação da Terra: Pesquisadores publicam banco de dados exclusivo como Acesso Aberto

 

Vegetação da Terra: Pesquisadores publicam banco de dados exclusivo como Acesso Aberto

É um tesouro de dados: a geodatabase global de parcelas de vegetação “sPlotOpen” agora está acessível gratuitamente. Ele contém dados sobre a vegetação de 114 países e de todas as zonas climáticas da Terra.

O banco de dados foi compilado por uma equipe internacional de pesquisadores liderados pela Martin Luther University Halle-Wittenberg (MLU), o Centro Alemão de Pesquisa Integrativa em Biodiversidade (iDiv) e o Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica (CNRS).

Pesquisadores de todo o mundo finalmente têm um conjunto de dados representativo e equilibrado da vegetação da Terra à sua disposição, como relata a equipe na revista “Global Ecology & Biogeography“.

Questões globais exigem respostas globais. “Se quisermos entender ou prever como as mudanças climáticas afetarão a biodiversidade em todas as regiões da Terra, temos que considerá-los em sua totalidade. Precisamos de mais do que apenas dados de algumas regiões bem estudadas”, explica o professor Helge Bruelheide, um geobotânico da MLU e membro do iDiv. Em vez disso, é necessária uma geodatabase global com informações sobre a vegetação de todos os continentes e zonas climáticas.

Agora, com o lançamento do “sPlotOpen“, esse banco de dados não só existe, mas pode ser acessado por qualquer pessoa interessada. Cerca de 100.000 parcelas de vegetação de 114 países foram inseridas no banco de dados, que foi liberado como acesso aberto. Cada ponto de dados contém informações sobre todas as espécies de plantas que ocorrem simultaneamente naquele local, juntamente com metadados geográficos, temporais e metodológicos. Isso permite que os pesquisadores vejam exatamente quando, onde e por quem o ponto de dados foi coletado.

Mais importante ainda, o sPlotOpen fornece informações sobre a comunidade completa de plantas que podem ser encontradas no respectivo local. Esta é uma das grandes vantagens da nova base de dados, explica o Dr. Francesco Maria Sabatini da MLU e iDiv, que coordena o projeto juntamente com o Dr. Jonathan Lenoir do CNRS. “Já existem vários bancos de dados que mostram a distribuição das espécies de plantas individuais no mundo. Na realidade, porém, as espécies de plantas raramente ocorrem sozinhas e isoladas”, diz o pesquisador.

Com a ajuda do “sPlotOpen”, os cientistas puderam descobrir se os dados foram coletados de uma floresta – com várias espécies de árvores e gramíneas – ou de um prado. Segundo a bióloga, isso é importante na hora de selecionar pesquisas individuais para projetos de pesquisa específicos que se destinam a investigar, por exemplo,apenas florestas ou pastagens.

Outra vantagem é que a equipe tentou equilibrar os dados. “Já existe uma riqueza incrível de dados sobre a vegetação na Europa, América do Norte e Austrália. Mas, por diversos motivos, há muito menos dados sobre outras regiões”, diz Sabatini. Se os dados de todos os países fossem comparados sem ponderá-los primeiro, poderiam ser tiradas conclusões falsas. Portanto, a equipe tentou estabelecer uma certa comparabilidade entre os conjuntos de dados de diferentes regiões.

Por exemplo, nem todos os dados da Europa Ocidental foram incluídos no projeto – apenas uma seleção representativa. A equipe já equilibrou os dados para o benefício dos futuros usuários. Isso deve evitar um desequilíbrio notável de dados em regiões que são menos bem documentadas, por exemplo, climas quentes ou frios, secos ou úmidos. “Nosso banco de dados tem potencial para ser um trocador de jogos para projetos de pesquisa na área de macroecologia e além “, explica Sabatini.

Também poderia ser usado na área de geociências, por exemplo, para treinar algoritmos de análise de imagens de satélite. Se você sabe onde existe uma certa comunidade de plantas, você pode associar essa comunidade de plantas a um padrão específico em imagens de satélite, ou seja, uma comunidade espectral específica, e pesquisar os mesmos padrões em outras imagens.e procure outras imagens para os mesmos padrões.e procure outras imagens para os mesmos padrões.

Para criar este conjunto único de dados, a equipe da Alemanha e da França contou com o apoio de 161 pesquisadores de 57 países que participaram do projeto, fornecendo dados. “Por trás desses conjuntos de dados individuais estão inúmeros colegas e alunos, que foram para o campo coletando dados em primeiro lugar. O banco de dados sPlotOpen não poderia existir sem eles”, diz Sabatini. Os dados também vêm de projetos nacionais, como o Banco de Dados de Referência da Vegetação Alemã, que é gerenciado na MLU pelo grupo de pesquisa de Helge Bruelheide.

Topo: distribuição global de todas as parcelas de vegetação contidas em sPlotOpen (n = 95,104). Cada cor representa um conjunto de dados de origem diferente (n = 105 - conjuntos de dados diferentes podem ter a mesma cor). Abaixo: distribuição espacial da densidade do gráfico de vegetação para o conjunto de dados ambientalmente equilibrado selecionado pela primeira iteração de reamostragem (n = 49.787). As densidades são calculadas em células hexagonais com resolução espacial de aproximadamente 70.000 km². A projeção do mapa é Eckert IV
Topo: distribuição global de todas as parcelas de vegetação contidas em sPlotOpen (n = 95,104). Cada cor representa um conjunto de dados de origem diferente (n = 105 – conjuntos de dados diferentes podem ter a mesma cor). Abaixo: distribuição espacial da densidade do gráfico de vegetação para o conjunto de dados ambientalmente equilibrado selecionado pela primeira iteração de reamostragem (n = 49.787). As densidades são calculadas em células hexagonais com resolução espacial de aproximadamente 70.000 km². A projeção do mapa é Eckert IV

Referência:

Sabatini, FM, Lenoir, J, Hattab, T, et al. sPlotOpen – An environmentally balanced, open-access, global dataset of vegetation plots. Global Ecol Biogeogr. 2021; 00: 1– 25. https://doi.org/10.1111/geb.13346

 

Henrique Cortez, tradução e edição, a partir de original da Martin Luther University Halle-Wittenberg

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 21/06/2021

 

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