Plutão seja Aqui, artigo de Efraim Rodrigues

esgoto

 

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[EcoDebate] Foi um feito de engenharia. Decolar um foguete tão rápido que passou pela Lua em poucas horas, e seguiu na mesma velocidade por nove anos até chegar em Plutão, de onde começou a mandar as fotos nesta semana.

Eu entendo a alegria dos engenheiros quando a coisa toda dá certo. Em meu laboratório, comemoramos coisa muito menor, como medir temperaturas a 100 m de distância. Essas coisas tem infinitos modos de dar errado, mas só um de dar certo. Quando funciona a gente se sente espertíssimo, mas qual mesmo a importância?

Suponhamos o cenário fantástico que as tais montanhas de gelo no pólo contém formas de vida espetaculares. E daí? Daí daqui a mil anos ainda iriam falar sobre como isto completou a revolução de Copérnico (a Terra não é o centro do universo) e de Darwin (o homem é somente mais um animal), com a idéia que a vida também não é exclusividade da Terra, mas repito, qual a importância disto?

Nesta semana tive o privilégio de tomar um trem lotado às margens do Pinheiros em São Paulo. As fotos de Plutão mudam a vida daquelas pessoas exatamente em quê? Agora não andam mais de trem?

Há algumas semanas (http://www.ecodebate.com.br/2014/12/22/xixi-e-agricultura-artigo-de-efraim-rodrigues/) fiz umas contas mostrando que boa parte da agricultura brasileira poderia manter-se só com o Nitrogênio em nossa urina. Tive um enxurrada de respostas dizendo que seria muito complicado, talvez ainda mais que mandar uma câmera fotográfica com um transmissor para Plutão.

Mas uma outra noticia desta semana veja também em bit.ly/T4rXVg, mostra como uma ONG no Haiti já vendeu 300.000l de composto de fezes e bagaço de cana. Eles têm um pequeno subsídio para coletar as fezes em baldes fechados e levar para dois locais onde a compostagem é processada.

Pouca gente quer se envolver com transporte de cocô quando há alternativas como fotografar Plutão, mas para o bilhão de pessoas sem acesso a sanitários aqui mesmo na Terra, estes dois caminhos são mais que alternativas profissionais; um deles muda a vida das pessoas enquanto o outro é mero circo.

Efraim Rodrigues, Ph.D. (efraim@efraim.com.br), Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor pela Universidade de Harvard, Professor Associado de Recursos Naturais da Universidade Estadual de Londrina, consultor do programa FODEPAL da FAO-ONU, JICA e Vale, autor dos livros Biologia da Conservação e Histórias Impublicáveis sobre trabalhos acadêmicos e seus autores e Ecologia da Restauração, finalista do 56º Prêmio Jabuti 2014. Nos fins de semana ajuda escolas do Vale do Paraíba-SP, Brasília-DF, Curitiba e Londrina-PR a transformar lixo de cozinha em adubo orgânico.

 

in EcoDebate, 21/07/2015

[cite]


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Um comentário em “Plutão seja Aqui, artigo de Efraim Rodrigues

  1. Neste eu preciso discordar, Dr. Efraim. A pesquisa espacial é útil também, como todas as pesquisas. É famoso o artigo que enumerou todas as referências usadas para que médicos conseguissem efetuar com sucesso o primeiro transplante de coração, e entre as referências havia pesquisas na área de sociologia, na área de engenharia espacial (materiais que foram criados para ir para o espaço foram críticos para fazer o transplante), inúmeros artigos de ciência base, etc. As fotos de Plutão podem não lhe parecer tão inspiradoras, mas muito do que estes cientistas e engenheiros fizeram é crítico para nós aqui em baixo. Toda a tecnologia de satélites, por ex. Não seria possível (tá, possível talvez, ridículo com certeza) o combate ao desmatamento sem a tecnologia de satélites, e o combate à caça ilegal já está começando a ser feito dessa forma também.

    Mas mais importante que isso: não estaríamos tendo esta conversa se não houvesse a pesquisa espacial. Pelo menos não pela Internet.

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