Rio+20: Debate popular pela internet não tem caráter inclusivo, diz ativista da Via Campesina

 

O debate popular via internet , que será iniciado na próxima segunda-feira (16), com vistas à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), não tem caráter inclusivo, ao contrário do que analisa o Itamaraty. Esta é a opinião do ativista Marcelo Durão, representante da Via Campesina no Comitê Facilitador da Sociedade Civil para a Rio+20. A Rio+20 está programada para junho no Rio de Janeiro.

Falando ontem (12) à Agência Brasil, Durão disse que a metodologia do debate “é um fracasso em termos de ouvir a sociedade, porque quem tem acesso à internet não são os povos mais pobres”.

Durão argumentou que a iniciativa está envolvendo o mundo acadêmico e não a sociedade de forma concreta. “Para a Via (Campesina), essa metodologia é uma total exclusão da sociedade civil. Você não abre perspectivas de diálogo, de construção e de debate, que são uma coisa longa, demorada. São temas hiper complicados”.

Por essa razão, Durão insistiu que a metodologia pela internet é excludente. “Achamos muito dignificante o governo chamar para uma conversa. Mas, no fundo, achamos que não é um método participativo. É mais participante, no sentido de a gente estar participando do que vai acontecer, do que realmente uma construção de documento a partir da sociedade”.

A plataforma eletrônica Diálogos da Rio+20 conta com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). Durante um mês, serão discutidos projetos da sociedade civil sobre dez temas (erradicação da pobreza; segurança alimentar; desemprego e trabalho decente; energia; cidades sustentáveis e inovação; água; oceanos; florestas; crise financeira e econômica no contexto do desenvolvimento sustentável e economia de desenvolvimento sustentável).

Findo esse período, começa o processo de votação, que resultará na seleção de três recomendações para cada um dos temas debatidos. As recomendações mais votadas serão lidas para os chefes de Estado que participarão da conferência oficial. A plataforma online terá capacidade para 400 mil pessoas e prevê a participação inicial de 27 universidades, sendo nove de países desenvolvidos, nove de países em desenvolvimento e nove do Brasil, que auxiliarão na escolha das recomendações finais.

Reportagem de Alana Gandra, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 13/04/2012

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2 comentários em “Rio+20: Debate popular pela internet não tem caráter inclusivo, diz ativista da Via Campesina

  1. Eles inventam essas coisas todas somente para depois dizer que as bobagens ali decididas (as quais não terão, na prática, nenhum resultado positivo) tiveram a participação popular.

    Eles são demais!

  2. Acho extremamente importante discutirmos o nosso futuro. Não dá mais para vivermos numa sociedade em que os seus viventes não se importam com o meio ambiente, qualidade de vida, crescimento sustentável, aceesibilidade, e muito mais. Não dá para poluirmos como estamos poluindo, nãso dá para consumirmos além da capacidade que a natureza tem para repor.Temos que cuidarmos melhor do ambiente que vivemos, é melhor para nós e para as futuras gerações.

Comentários encerrados.

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