Sucessão Ecológica na Recuperação de Áreas Degradadas, artigo de Roberto Naime

 

[EcoDebate] Sucessão ecológica é a denominação do processo de implantação sequenciada e interdependente de espécies da flora e fauna numa determinada região considerada. Se o processo ocorre numa área até então desabitada, o processo se denomina sucessão primária. Se ocorre numa área que já tem ecossistemas que foram degradados por desmatamento, queimadas ou disposição irregular de resíduos sólidos, o processo é denominado sucessão secundária.

A sucessão primária pode ocorrer em áreas rochosas que nunca foram habitadas antes como ocorre em áreas de vulcanismo recente. Nestes casos, a ausência de nutrientes orgânicos não permite a sobrevivência de organismos heterótrofos (que não produzem seu próprio alimento), e a escassez de nutrientes inorgânicos dificulta até mesmo a sobrevivência dos autótrofos (que produzem seu próprio alimento).

Os primeiros organismos são de pequeno porte e tem capacidade de síntese da matéria orgânica como liquens, cianobactérias e musgos. Estes organismos são denominados de pioneiros e constituem juntamente com seus consumidores e decompositores as denominadas comunidades pioneiras.

Com o passar do tempo, a decomposição de fezes, tecidos e organismos mortos produz nutrientes inorgânicos como nitratos e fosfatos, permitindo a sobrevivência de espécies gramíneas, herbáceas e animais invertebrados ou mesmo vertebrados de pequeno porte. Esta categoria já constitui as comunidades de seres intermediários.

Estas associações de organismos intermediários vão possibilitar o surgimento de árvores da vegetação adulta, geralmente de ciclo de vida longo, que formam as comunidades de clímax ou climácicas.

Já o processo de sucessão secundária ocorre em lugares anteriormente povoados, cujas comunidades saíram da fase climácica pela intervenção antrópica, que geralmente produz impactos através de desmatamento, queimadas ou disposição irregular de resíduos sólidos.

Nesses casos, a sucessão ocorre a partir dos seres das comunidades secundárias. O principal fator que deve ser controlado são as perturbações ambientais que podem prejudicar a recuperação, como desmatamentos, queimadas, agrotóxicos, disposição irregular de resíduos sólidos urbanos ou industriais ou diversas formas de poluição do ar e do solo que podem ocorrer por ações antrópicas.

Caso se consiga controlar adequadamente os fatores antrópicos de perturbação para que não sejam intervenientes relevantes, a comunidade em recuperação da sucessão ecológica pode atingir o estágio climácico como ocorre na sucessão primária.

O tempo de ocorrência do processo é bastante longo, sendo medido em décadas, variando muito em função das condições específicas do caso concreto. E a condição fundamental é que sejam controladas as perturbações ambientais.

O estudo detalhado das interações entre os seres que constituem a comunidade auxilia muito na eficiência que pode ser obtida, favorecendo a sinergia do sistema. As espécies vegetais tem diferentes características em relação a luz, e é necessário consorciar espécies que se completem. O desenvolvimento da fauna vai depender da disponibilidade de água e alimento. Também é preciso planejar as interações entre os diferentes tipos de seres.

No geral, espécies ditas pioneiras tem grande necessidade e tolerância à luz solar, enquanto as espécies secundárias variam e são subdivididas em função de sua tolerância à luz enquanto as espécies climácias em geral tem pouquíssima tolerância a luz durante o seu desenvolvimento principalmente.

Propiciar a recuperação de cadeias alimentares em função das espécies faunísticas próprias do ambiente também faz parte da recuperação adequada. Por isto sistemas agroflorestais são tão eficientes na recuperação de áreas degradadas desde que implantados com planejamento e controlados os fatores de perturbação relevantes, que geralmente são de natureza antrópica.

Dr. Roberto Naime, colunista do EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

EcoDebate, 01/11/2011

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