Recuperação de áreas degradadas, artigo de Roberto Naime

 

[EcoDebate] Áreas degradadas são porções de terrenos que sofreram distúrbios e que após estes fenômenos sofreram perda de vegetação e dos meios bióticos como banco de sementes, banco de plântulas, chuvas de semente e rebrotas, apresentando baixa capacidade de resiliência, isto é voltar ao seu estado anterior, necessitando para tanto de auxílio antrópico.

Esta conceituação de área degradada se aplica também para áreas desgastadas ou que perderam o equilíbrio e se tornaram improdutivas ou áreas onde os solos perderam capacidade de produção.

Aplica-se o conceito ainda para áreas que sofreram com ações antrópicas que modificaram de forma relevante seu ecossistema de tal maneira que houve influência significativa nos sistemas naturais com alteração substancial na dinâmica implicando em intervenção antrópica para reversão da situação.

A literatura técnica especializada considera área degradada a porção de geobiossistema (fração de área) que sofreu intensa perturbação e perdeu a capacidade natural (resiliência) de se auto regenearar. E denomina de área perturbada a fração que sofreu menores perturbações e não perdeu a capacidade de auto-regeneração ou resiliência.

As principais fontes de degradação podem ser a mineração, através de destruição de paisagens e produção de diversos tipos de erosão, o uso intensivo das áreas para finalidades agropecuárias (que geram saturação em agrotóxicos, salinização, superpastejo, etc.), a ocorrência de queimadas devido a manejos inadequados ou incêndios produzidos por secas e o simples desmatamento indevido de áreas verdes e matas ciliares.

As áreas degradadas tem por característica apresentarem menor diversidade de espécies, carência de estrutura vegetal, falta de solo ou más condições do solo e baixíssima ou ausente capacidade de reconstituição natural.

As áreas apenas perturbadas já tem maior diversidade de espécies, maior estrutura de flora e fauna, maior capacidade dos solos e melhores possibilidades de recuperação natural.

Recuperar áreas degradadas objetiva fornecer ao ecossistema local condições que permitam sua recuperação integral, recompondo tanto quanto possível o equilíbrio natural perdido e criando condições de recuperação. São ambientes que não tem condições físicas ou biológicas de se recuperarem sozinhos e precisam auxílio antrópico.

Em geral as concepções de recuperação passam por obras no meio físico como terraços e banquetas e culminam com reconstituição das espécies vegetais, através de replantio planejado e sequencial que possibilita reconstituição do ecossistema degradado.

As ocorrências mais comuns de áreas degradadas são desmatamentos impróprios em áreas de Reserva Legal; alterações de cursos de água e drenagens naturais em áreas de preservação permanentes; desmatamentos em áreas de preservação permanente e áreas degradadas por atividades minerais que vão desde o uso indevido de mercúrio, até escavações inapropriadas em garimpos e instalação de vossorocas em episódios erosionais descontrolados por ausência de drenagens adequadas.

Resumindo podemos definir que ocorrem desmatamentos, alterações impróprias em sistemas de drenagens e impacto ambiental por atividades poluentes ligadas a atividades rudimentares ou desestruturadas de mineração.

Em geral os processos de recuperação incluem obras civis moderadas para recuperação do meio físico e extensivos programas de reflorestamento começando com as chamadas espécies pioneiras, seguindo com espécies secundárias iniciais e espécies secundárias tardias e culminando com espécies climácicas ou de clímax.

As espécies pioneiras devem ter boa resistência, facilidade para se propagar, facilidade na obtenção de sementes, crescimento rápido e bom fornecimento de matéria orgânica para recuperação dos solos. Geralmente são espécies que necessitam grande exposição solar.

Já as espécies secundárias variam muito em função das características regionais, tem diferente comportamento em relação a luz solar e geralmente só ocorrem onde já existem espécies pioneiras previamente implantadas.

Dr. Roberto Naime, colunista do EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

EcoDebate, 20/10/2011

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