Fauna, artigo de Roberto Naime

[EcoDebate] A fauna representa todo o conjunto de espécies animais, que tem funções reguladoras extremamente importantes nos ecossistemas, especialmente na cadeia alimentar.

Cada animal é parte de um complexo sistema de funções dentro da cadeia biológica. O pássaro denominado tié-sangue (Ramphocelus bresilius) carrega sementes de árvores frutíferas, do qual é grande dispersor, e sua retirada da natureza causa um enorme impacto ambiental, comprometendo significativamente toda a cadeia alimentar que depende das árvores frutíferas que ele espalha.

As grandes divisões dos ambientes ocupados pelos animais são as águas salgadas, as águas doces e a terra. Os animais marinhos ecologicamente são separados por tipos. Denomina-se Plâncton os organismos que flutuam e são movidos passivamente pelos ventos, ondas e/ou correntes e apresentam tamanho pequeno ou microscópico, incluindo protozoários e crustáceos.

Organismos do Nécton são animais que nadam livremente, incluindo lulas, peixes, serpentes marinhas, tartarugas, aves marinhas, focas, peixes e baleias. Os animais do conjunto Plâncton e Nécton são chamados de Pelágicos. Os animais marinhos que rastejam e se prendem ou cavam no substrato do fundo são denominados bentônicos.

Os animais de águas doces (rios) compreendem animais vertebrados como peixes e mamíferos, protozoários, esponjas, moluscos bivalvos, vermes, crustáceos, larvas e insetos.

Alguns macroinvertebrados bentônicos tem sido amplamente utilizados como bioindicadores de qualidade de água e saúde de ecossistemas por apresentarem características adequadas. Estes animais tem ciclos de vida longos, fácil amostragem a custos relativamente baixos, elevada diversidade toxonômica e de identificação relativamente fácil ao nível de família ou gênero e são muito sensíveis a diferentes concentrações de poluentes nos meios, fornecendo ampla faixa de respostas frente a diferentes níveis de contaminação ambiental.

Os animais terrestres são os mamíferos, aves (todos os que voam ou vivem no ar e voltam ao chão, a árvores ou rochedos) répteis, insetos, anfíbios, crustáceos, moluscos, vermes e protozoários. São todos móveis, com exceção de alguns parasitas. Vivem na superfície da terra, nas plantas ou em pequenas profundidades nos solos.

A identificação das espécies animais que ocorrem em um determinado ecossistema é essencial para os diagnósticos ambientais e demais estudos de manejo, preservação e conservação.

O diagnóstico deve permitir a obtenção de informações não apenas sobre diversidade de espécies, mas também sobre densidade populacional das mesmas, permitindo assim investigar a capacidade de suporte do habitat.

Nos ecossistemas terrestres por exemplo, os mamíferos (mastofauna) representam o grupo que é mais vulnerável à perturbação ambiental. Podem ser bons indicadores do grau de conservação de determinadas áreas. Para muitas espécies animais, a ocupação de novas áreas é muito difícil, não apenas pelas barreiras físicas, mas devido a características comportamentais, como habitat restrito ou grande territorialidade.

Os impactos sobre as florestas e a vegetação em geral, produzem efeitos diretos na fauna pela redução, aumento ou alteração de duas variáveis básicas na sobrevivência das espécies animais: alimentação e abrigo.

A natureza é um sistema complexo, onde qualquer ação por menor que seja, tem um efeito impressionante em todas as alterações nas inter-relações que pode causar. Sempre é preciso não ser simplista e lembrar disto.

Dr. Roberto Naime, colunista do Ecodebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

EcoDebate, 05/05/2011

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Alexa

Um comentário em “Fauna, artigo de Roberto Naime

  1. Sem denegrir, mas parece parte de um capítulo de EIA-RIMA de hidrelétrica; faltou explicar sobre os Corredores biológicos (corredor de fauna) principalmente ao longo das matas ciliares e de galeria, com vegetação ripária, que acompanham largos trechos ao longo dos córregos e rios.

    Sem a continuidade das matas ciliares (por exemplo quando interrompidos por inundação, principalmente por represa hidrelétrica que sobe e desce sazonalmente.

    O interrompemento de corredores ecológicos (biológicos) leva ao isolamento de populações de espécies, que não conseguem transpor rio a cima ou a baixo, ou para outras bacias hídricas e vertentes. Populações de espécies isoladas minguam, por falta de renovação genética; por não poder percorrer longas distâncias para acasalar entre populações da mesma espécies de outras regiões e bacias. Populações de espécies isoladas minguam, e acabam se extinguindo.
    Como a Rachael Carson escreveu em ‘Primavera Silenciosa’, a gente só percebe quando não escuta mais o píado de certas espécies de pássaros, ou não vê mais o rastro de lagartos, certos mamíferos, etc.
    Convém lembrar que ‘extinção é para sempre’.

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