Saiba mais: controle biológico de pragas, artigo de Roberto Naime

[EcoDebate] O controle biológico de pragas agrícolas visa a redução de prejuízos econômicos através de ações selecionadas após os sistemas vitais tanto dos predadores como das pragas terem sido compreendidos e as conseqüências ecológicas, bem como as econômicas, destas ações tenham sido previstas de forma rigorosa, para o melhor interesse da sociedade (Paulo Moretti em http://www.fam.br/microrganismos/map_cbpa.htm, consultado em 26/10/2009)

O controle biológico pode ser definido como quaisquer atividades envolvendo a manipulação de inimigos naturais tais como predadores, parasitas ou patógenos para reduzir ou suprimir uma população animal ou vegetal que represente uma praga para uma lavoura de qualquer tipo.


Um programa completo de controle biológico cobre uma ampla gama de atividades, desde a simples conservação de inimigos naturais através de criteriosa seleção de um pesticida que lhes seja menos tóxico até a liberação deliberada ou introdução de inimigos naturais.

O controle biológico é o uso de um organismo especialmente escolhido para controlar um outro que represente uma praga. É uma forma de manipular a natureza para obtenção de um efeito desejado. O controle biológico pode reduzir o uso de pesticidas na medida que suprime pragas agrícolas.

O uso descontrolado de herbicidas, pesticidas e fungicidas polui o meio físico, principalmente os solos e as águas superficiais ou subterrâneas. Ao atingir a ictiofauna (peixes) muitas vezes está eliminando os predadores naturais dos insetos, pois os peixes muitas vezes se alimentam das larvas de insetos, impedindo sua proliferação descontrolada e danosa para o convívio humano.

Todos tem conhecimento intuitivo da verdadeira praga que hoje representam os insetos em nosso cotidiano. As causas talvez estejam nestes desequilíbrios ecológicos discutidos.

O uso de venenos químicos atinge muitas vezes os pássaros, insetos, minhocas, formigas, microflora e microfauna de uma região, com um impacto ambiental que normalmente nem é medido ou considerado.

A incorporação total ou parcial dos produtos químicos pelas plantas que depois servirão de matérias primas para indústrias de alimentos também traz prejuízos para a qualidade de vida das populações. Não tem sido praticada a mensuração da extensão e da profundidade destas interferências.

Ninguém imagina que se possa substituir este tipo de agronegócio da noite para o dia sem drásticas conseqüências sobre a economia. Mas que é hora de pensar em atitudes planejadas, que incrementem cada vez mais soluções biológicas no controle de pragas vegetais ou animais, não existe a menor dúvida.

Já existem muitas pragas controladas por métodos biológicos. E são necessários programas cada vez mais intensos e planejados para aumentar a participação do controle biológico nas plantações. É muito melhor fazer esta alteração de forma planejada e sistêmica do que ter que administrar situações de relativa ruptura que podem advir dos descontroles ambientais causados pelo uso indiscriminado de controles químicos de pragas.

Em geral não existem estudos definitivos sobre a transgenia, ou o uso de organismos geneticamente modificados. Mas a princípio estas tecnologias são interessantes, na medida em que reduzem as aplicações de defensivos agrícolas, embora não existam estudos definitivos sobre os impactos ambientais que possam causar.

A grande polêmica que se estabelece atrás da transgenia guarda na maioria das vezes interesses econômicos muito elevados, cuja extensão e profundidade não podemos avaliar. Mas que são capazes de interferir em todas as discussões, por mais que se busque uma postura cientificista e independente.

Roberto Naime, Professor no Programa de pós-graduação em Qualidade Ambiental, Universidade FEEVALE, Novo Hamburgo – RS, é colunista do EcoDebate.

EcoDebate, 30/06/2010

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