Chuvas, artigo de Aroldo Cangussu

chuva

[EcoDebate] Estamos atravessando um período bom de chuvas na região. Isto faz parte de um ciclo que ocorre no semi-árido, onde se alternam anos chuvosos com anos secos, porém sem nenhuma previsibilidade garantida.

Em Montes Claros, acho que a primeira vez que isso acontece, as chuvas provocaram danos enormes em determinados bairros, fato que chegou a lembrar o que acontece em São Paulo e em outras capitais do país. Os córregos que cortam a cidade transbordaram, invadiram ruas e casas e provocaram grandes prejuízos.

A população atingida ficou perplexa, ainda mais que os locais atingidos foram regiões de classe média que nunca tinham passado por situação semelhante.

As perguntas são inevitáveis: por que isto aconteceu? Podemos relacionar alguns aspectos que contribuíram para a calamidade.
Primeiro: a ocupação humana, o adensamento demográfico em novas regiões da cidade foi feito sem preconizar a questão da água, da drenagem pluvial considerando os limites máximos de ocorrências. As construções são feitas sob um modelo insustentável sob os parâmetros da natureza, pensando apenas em agradar a estética dos usuários.

Segundo: a velha questão do lixo. Infelizmente, a absoluta falta de consciência ambiental e de cidadania fazem com que os resíduos domésticos não sejam tratados de maneira adequada. As pessoas atiram o lixo em qualquer lugar da rua, principalmente as famigeradas sacolinhas de plástico e as garrafas pet, que entopem as tubulações que deveriam dar passagem à água.

Terceiro: o completo descaso com os ribeirões, córregos, riachos e outros corpos d’água que sofrem com a intervenção do homem através do assoreamento, desmatamento ciliar e de topo de morro e outros tipos de agressão, principalmente com o encapsulamento dos trechos urbanos. É uma verdadeira praga: os prefeitos só pensam em canalizar e concretar os córregos que passam pela cidade, agredindo de maneira brutal o que a natureza nos oferece.

Existem muitos outros fatores, mas quase todos estão relacionados com a educação ambiental. É preciso conhecer um pouco mais sobre a interligação sistêmica entre os recursos hídricos, a atividade humana e a preservação do meio ambiente.

Os rios não separam as cidades, os estados nem os países. Eles os unem”.

* Colaboração de Aroldo Cangussu, Engenheiro, Coordenador Adjunto do Fórum Mineiro de Comitês de Bacia e Ex-Secretário de Meio Ambiente de Janaúba – MG, para o EcoDebate, 10/11/2009

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