A luta pela terra no Pará e a mídia. Tudo é omissão? Artigo de Rogério Almeida

[EcoDebate] A Agropecuária Santa Bárbara Xinguara aproveita o clima de caça às bruxas às organizações camponesas animado pela senadora Kátia Abreu (DEM/TO) no Congresso e na mídia e emplaca matéria no Estadão, edição de ontem.

A reportagem denuncia a execução de cerca de 500 cabeças de gado. As acusações se repetem nos meios de comunicação regionais. Tal expdiente tem sido freqüente.

A praxe é o fretamento de aviões para levar jornalistas às fazendas ocupadas por camponeses no sudeste do Pará.

Como no caso de abril, na fazenda Espírito Santo, no município de Xinguara, sudeste do estado, quando “empresas de segurança” dispararam contra militantes do MST.

As “empresas” operam ilegalmente no Pará, constatou investigação da PF. As mesmas possuem licença para operar no estado do Tocantins, terra da senadora Abreu, que também preside a representação nacional dos ruralistas, a Confederação Nacional da Agropecuária (CNA):

A reportagem não lança luzes informando que a Santa Bárbara Xinguara é o braço rural do Banco Opportunity, comandado por Daniel Dantas, condenado em dezembro de 2008 por corrupção.

Pesam ainda contra ele em denúncia aceita em julho deste ano os crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas e crime de quadrilha e organização criminosa. Veja AQUI.

Pelo que consta é aí que entra em cena a Agropecuária Santa Bárbara, gerenciada pelo ex cunhado, Carlos Rodenburg, também indiciado pelos mesmos crimes acima.

A matéria omite ainda que as terras “adquiridas” nas negociações são da União ou do estado. Algumas foram cedidas através do expediente jurídico do aforamento para a família Mutran, que as negociou com Dantas.

O Instituto de Terras do Pará (ITERPA), investiga o assunto desde julho de 2008.

O aforamento concede direito de uso para extrativismo e não de posse. Em resumo, não poderiam ter sido comercializadas.

Mais omissões: na fazenda Espírito Santo os castanhais foram destruídos para a instalação de pastagem. Outro crime, desta feita na dimensão ambiental.

Para não falar em trabalho escravo. Nem na criminalização das lutas políticas, culturais e populares. Como nos tempos primevos dos sambas de terreiro, campoeira e outros batuques. Tia Ciata mãe amor….

E assim vamos cantarolando: “o Brasil não conhece o Brasil….SOS é o Brasil…”

* Colaboração de Rogério Almeida, coordenador do Blog FURO, colaborador da rede www.forumcarajas.org.br, articulista e colaborador do EcoDebate

EcoDebate, 22/10/2009

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