Mudanças climáticas causarão uma crise alimentar que afetará 25 milhões de crianças

Imagem do filme Garapa, de José Padilha
Imagem do filme Garapa, de José Padilha

Cerca de 25 milhões de crianças sofrerão de fome em um prazo de quatro décadas devido à escassez de alimentos que será causada pelo aumento das temperaturas, advertiu hoje o Instituto Internacional de Pesquisa de Política Alimentar (International Food Policy Research Institute, IFPRI, em inglês), na reunião sobre mudança climática da ONU realizada em Bancoc.

“Este drama pode ser evitado com um investimento de US$ 9 bilhões anuais para aumentar a produtividade agrícola e ajudar os produtores enfrentar os efeitos do aquecimento global”, afirmou Gerald Nelson, um dos autores do relatório do IFPRI. Reportagem de Gaspar Ruiz-Canela, da Agência EFE, com informações complementares do EcoDebate.

“Melhores estradas, sistemas de irrigação, acesso a água potável e escolarização para meninas são essenciais”, acrescentou Nelson, dentro da conferência sobre mudança climática realizada em Bancoc para preparar a cúpula de Copenhague, em dezembro.

O estudo [Climate change: Impact on agriculture and costs of adaptation] afirma que os habitantes nos países em desenvolvimento terão acesso a 2,41 mil calorias diárias em 2050, 286 calorias a menos que em 2000. Na África, será de 392 calorias a menos e, nos países industrializados, de 250 calorias abaixo.

No ano passado, o aumento do preço dos alimentos básicos perante as notícias de escassez de produção provocou revoltas populares em várias partes do mundo, do Egito à Tailândia, e a ONU decidiu realizar uma reunião urgente.

Os líderes do Grupo dos Vinte (G20, os países ricos e os principais emergentes) decidiram na semana passada, em Pittsburg (EUA), doar US$ 2 bilhões para combater a fome, enquanto a ONU anunciou uma cúpula sobre o problema em novembro.

No fim de semana passado, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pressionou o Banco Mundial e outras instituições multilaterais a aumentar suas contribuições aos países pobres, em um momento no qual “ainda mais pessoas não têm acesso a alimentos, porque os preços são inacreditavelmente altos devido à crise econômica ou à falta de chuvas”.

Nelson disse que as crises alimentares do ano passado, quando as informações de escassez de alimentos básicos geraram protestos em vários países pobres e emergentes, foi uma chamada de atenção.

Etiópia, Quênia, Somália e Uganda sofrem um aumento dos preços dos alimentos por causa de colheitas ruins e secas, porque há áreas do planeta que mostram sinais de vulnerabilidade à mudança climática e estão mudando seus ciclos de chuvas, segundo o IFPRI.

“A população da Terra será 50% maior que a atual em 2050 (…), os desafios serão enormes até sem mudança climática”, acrescentou o pesquisador.

Para Lester Brown, fundador do Instituto de Políticas da Terra, a alimentação também é o assunto mais preocupante da mudança climática, e advertiu que a Ásia está no epicentro da crise.

Por um lado, cerca de 2,5 bilhões de pessoas ou cerca da metade da população economicamente ativa nos países ricos dependiam da agricultura para seu sustento, segundo dados correspondentes a 2005.

E por outro lado, 75% dos pobres de todo o mundo moram nas áreas rurais, as mais vulneráveis às alterações climáticas.

“Se continuarmos fazendo as coisas como fizemos até agora, estaremos garantindo, com toda certeza, consequências desastrosas”, advertiu Nelson.

Cerca de 4 mil delegados de 179 países participam da conferência de Bancoc, que começou na segunda-feira e que terminará em 9 de outubro.

As conquistas e obstáculos de Bancoc passarão à reunião que será realizada em Barcelona (Espanha) em novembro, para que se prepare e feche a agenda da cúpula sobre mudança climática de Copenhague.

Climate change: Impact on agriculture and costs of adaptation

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* Report

* Appendix 1: Methodology

* Appendix 2: Results by World Bank Regional Grouping of Countries

The Challenge

The unimpeded growth of greenhouse gas emissions is raising the earth’s temperature. The consequences include melting glaciers, more precipitation, more and more extreme weather events, and shifting seasons. The accelerating pace of climate change, combined with global population and income growth, threatens food security everywhere.

Agriculture is extremely vulnerable to climate change. Higher temperatures eventually reduce yields of desirable crops while encouraging weed and pest proliferation. Changes in precipitation patterns increase the likelihood of short-run crop failures and long-run production declines. Although there will be gains in some crops in some regions of the world, the overall impacts of climate change on agriculture are expected to be negative, threatening global food security.

Populations in the developing world, which are already vulnerable and food insecure, are likely to be the most seriously affected. In 2005, nearly half of the economically active population in developing countries—2.5 billion people—relied on agriculture for its livelihood. Today, 75 percent of the world’s poor live in rural areas.

This Food Policy Report presents research results that quantify the climate-change impacts mentioned above, assesses the consequences for food security, and estimates the investments that would offset the negative consequences for human well-being.

This analysis brings together, for the first time, detailed modeling of crop growth under climate change with insights from an extremely detailed global agriculture model, using two climate scenarios to simulate future climate. The results of the analysis suggest that agriculture and human well-being will be negatively affected by climate change:

* In developing countries, climate change will cause yield declines for the most important crops. South Asia will be particularly hard hit.

* Climate change will have varying effects on irrigated yields across regions, but irrigated yields for all crops in South Asia will experience large declines.

* Climate change will result in additional price increases for the most important agricultural crops–rice, wheat, maize, and soybeans. Higher feed prices will result in higher meat prices. As a result, climate change will reduce the growth in meat consumption slightly and cause a more substantial fall in cereals consumption.

* Calorie availability in 2050 will not only be lower than in the no–climate-change scenario—it will actually decline relative to 2000 levels throughout the developing world.

* By 2050, the decline in calorie availability will increase child malnutrition by 20 percent relative to a world with no climate change. Climate change will eliminate much of the improvement in child malnourishment levels that would occur with no climate change.

* Thus, aggressive agricultural productivity investments of US$7.1–7.3 billion are needed to raise calorie consumption enough to offset the negative impacts of climate change on the health and well-being of children.

Author:
Nelson, Gerald C.
Rosegrant, Mark W.
Koo, Jawoo
Robertson, Richard
Sulser, Timothy
Zhu, Tingju
Ringler, Claudia
Msangi, Siwa
Palazzo, Amanda
Batka, Miroslav
Magalhaes, Marilia
Valmonte-Santos, Rowena
Ewing, Mandy
Lee, David

Published date: 2009
Publisher: International Food Policy Research Institute (IFPRI)
Related Media Briefings: Impact of Climate Change on Agriculture
Series number: 21
PDF file: pr21.pdf(993.8KB)

* Reportagem da Agência EFE, no UOL Notícias, com informações complementares do EcoDebate.

EcoDebate, 01/10/2009

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