Uso de medicamentos durante gripe deve ser feito com cautela

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Os pais e profissionais de saúde devem ficar atentos para a não utilização de medicamentos contendo ácido acetilsalicílico em crianças e adolescentes, em especial, para o alívio dos sintomas associados às infecções virais. De acordo com alerta publicado pela Farmacovigilancia da Anvisa, o uso destes medicamentos deve ser feito com atenção, principalmente durante o inverno, período no qual os casos de gripe tendem a aumentar. O cuidado vale tanto para os casos de gripe comum como da gripe A H1N1.

O alerta se deve ao risco que crianças e adolescentes tem de desenvolver a Síndrome de Reye. A síndrome pode ocorrer durante a recuperação de uma infecção viral ou pode desenvolver-se 3 a 5 dias após o início da virose. Seus sintomas incluem: vômito recorrente ou persistente, letargia, mudanças de personalidade como irritabilidade ou agressividade, desorientação ou confusão, delírio, convulsões e perda da consciência, exigindo assistência médica imediata.

A causa da doença ainda não é conhecida. Entretanto, estudos demonstraram que o uso de medicamentos que contêm ácido acetilsalicílico no tratamento de doenças virais aumenta o risco de seu desenvolvimento. A restrição já está no Protocolo de Manejo Clínico e Vigilância Epidemiológica da Influenza publicado pelo Ministério da Saúde.

Uso de salicilatos em infecções virais aumenta o risco de Síndrome de Reye

Estamos em um momento de pandemia da Influenza A e ainda no período de ocorrência de gripe comum (Influenza Sazonal). Por este motivo, os pais e profissionais da saúde devem ficar atentos para a não utilização de medicamentos contendo ácido acetilsalicílico, em crianças e adolescentes em especial, para o alívio dos sintomas associados às infecções virais.

Em relação à infecção pelo vírus H1N1- Influenza A – pode apresentar uma série de sintomas, tais como: febre, tosse, dor de garganta, dor de cabeça, dores no corpo, calafrios e cansaço. A severidade da doença pode variar de média a grave, podendo causar pneumonia, dificuldade respiratória e morte. Estes sintomas não são relacionados com a Síndrome de Reye e não deve ser tratados com o uso de salicilatos.

A causa da Síndrome de Reye ainda não é conhecida. Entretanto, estudos demonstraram que o uso de medicamentos que contêm ácido acetilsalicílico no tratamento de doenças virais aumenta o risco de seu desenvolvimento.

Medicamentos sintomáticos para a Gripe por vírus:

O ácido acetilsalicílico pertence à classe dos salicilatos, um grupo de fármacos antiinflamatórios não esteróides com propriedades analgésicas, antipiréticas e antiinflamatórias. É utilizado para o alívio sintomático da dor e da febre e um dos salicilatos mais utilizados no mundo. Também é usado nos distúrbios inflamatórios agudos e crônicos, tais como artrite reumatóide, osteoartrite e espondilite anquilosante. Além disso, o medicamento inibe a agregação plaquetária, bloqueando a síntese do tromboxano A2 nas plaquetas, possuindo várias indicações relativas ao sistema vascular.

O uso de salicilatos está contra-indicado nos casos de indivíduos com asma, úlcera, gastrite, insuficiência renal ou hepática e sangramentos. Seu uso para alívio dos sintomas da gripe deve ser evitado em crianças, porque ele está associado com o aumento de risco para o desenvolvimento da Síndrome de Reye.

Os princípios-ativos ácido acetilsalicílico (AAS), acetilsalicilato de lisina e salicilamida são salicilatos disponíveis no Brasil como analgésicos e antitérmicos.

Síndrome de Reye:

A Síndrome de Reye (SR) é uma doença rara e grave, que normalmente ocorre em crianças com idades entre 4 e 12 anos, embora possa ocorrer em qualquer faixa etária. A doença afeta todos os órgãos do corpo, sendo mais prejudicial ao cérebro e ao fígado, por causar um aumento agudo de pressão dentro do cérebro e, freqüentemente, acúmulos volumosos de gordura nos demais órgãos.

A SR é definida como uma enfermidade de segunda fase, pelo fato de ocorrer com qualquer infecção viral prévia, incluindo a Influenza A (H1N1), mas com sua freqüência aumentada após exposição a medicamentos contendo salicilatos.

A síndrome pode ocorrer durante a recuperação de uma infecção viral ou pode desenvolver-se 3 a 5 dias após o início da virose. Seus sintomas incluem: vômito recorrente ou persistente, letargia, mudanças de personalidade como irritabilidade ou agressividade, desorientação ou confusão, delírio, convulsões e perda da consciência, exigindo assistência médica imediata. Os sintomas da SR não seguem um padrão típico, como por exemplo, vômitos nem sempre ocorrem

Recomendações:

Pacientes com sintomas de gripe devem seguir as seguintes recomendações:

– Evitar a automedicação e não aceitar indicações de leigos para o tratamento sintomático da gripe;

– Checar na embalagem e na bula os princípios-ativos dos medicamentos utilizados para ter certeza de que estes não contêm salicilatos (AAS, acetilsalicilato de lisina e salicilamida);

– Febres e dores podem ser tratadas com paracetamol, ibuprofeno, naproxeno, dipirona ou outros antiinflamatórios não-esteróides (não salicilatos), mediante indicação de um farmacêutico (para medicamentos isentos de prescrição) ou consulta médica;

– Os cuidados indicados, especialmente no caso de crianças menores de 2 anos, podem incluir a utilização de um umidificador e de um aspirador nasal para auxiliar na limpeza das secreções nasais;

– Caso haja suspeita de infecção de Influenza A (H1N1), procurar o posto de saúde mais próximo imediatamente;

– Menores de 18 anos de idade é contra-indicado o uso de salicilatos em casos suspeitos ou confirmados de infecção por vírus influenza, por causa do risco de desenvolvimento da Síndrome de Reye.

Na busca pela promoção do uso correto e seguro dos medicamentos, a Gerência de Farmacovigilância divulga essa informação e solicita que:

– Aos profissionais de saúde que orientem os pacientes e notifiquem a suspeita desta grave reação adversa (e todas as suspeitas de reação adversa grave a qualquer medicamento ou aquela que não esteja descrita na bula) por meio do NOTIVISA;

– Aos usuários de medicamentos que procurem orientação de um profissional da saúde em caso de dúvidas ou efeitos adversos.

A contribuição de todos é fundamental na constituição do sistema de monitorização dos medicamentos comercializados no País, pois o acúmulo de informações norteia as ações regulatórias no mercado farmacêutico brasileiro.

Referências Consultadas:

Centers for Disease Control and Prevention – CDC – (acessado em 24/06/2009)

National Reye’s Syndrome Foundation – (acessado em 24/06/2009)

– Goodman & Gilman. As Bases Farmacológicas da Terapêutica, 11ª edição.

Protocolo de Manejo Clínico e Vigilância Epidemiológica de Influenza – (acessado em 08/07/2009)

Informações da ANVISA, publicadas pelo EcoDebate, 11/07/2009

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