Espanha: Conselho de Segurança Nuclear convoca os controladores das centrais nucleares para discutir os últimos acidentes


Vandellòs II, com o incêndio na sala das turbinas geradoras. Foto de Carles Ribas, no El País

O Conselho de Segurança Nuclear (CSN) decidiu convocar para as empresas controladoras das centrais nucleares para discutir os recentes incidentes em suas instalações. O CSN enviará uma nova equipe de inspeção à central de Vandellòs II, a fim de verificar as circunstâncias que causaram o pré-alerta de emergência, causado por um incêndio, que mantém paralisada a atividade da central nuclear. Por Henrique Cortez, do Ecodebate, com Agências.

Em um comunicado, o CSN informou que havia decidido a convocar a reunião para discutir os planos de ação. No que diz respeito ao incêndio em Vandellòs ontem, o CSN o classificou, de forma preliminar, com o nível 0 na Escala Internacional de Eventos Nucleares (INES, de zero a sete), tendo em vista que os sistemas de segurança funcionaram corretamente.

Dentre as empresas convocadas estão a Iberdrola e Endesa, controladoras das centrais nucleares de Vandellòs II e Ascó. Ambas centrais acumulam 18 dos 30 incidentes nas usinas nucleares espanholas, registrados pelo CSN no ano de 2008

O Conselho decidiu enviar uma inspeção às instalações, para verificar as circunstâncias que causaram o pré-alerta de emergência e para conhecer, em detalhes, a extensão dos danos causados pelo incêndio, que começou com um desligamento automático do reator. Houve um incêndio no edifício da turbina que durou mais de dez minutos, quando se declarou o pré-alerta de emergência. Nessa altura, o fogo foi completamente extinto pelos bombeiros da própria central nuclear, sem afetar a área nuclear da mesma.

“Um problema menor”

O fogo afetou, principalmente, a área do edifício que se situa imediatamente abaixo do gerador elétrico principal. O operador da central está analisando as causas do incêndio e a extensão do dano produzido. A avaliação será realizada em colaboração com especialistas técnicos das empresas produtoras das máquinas: ABB e Siemens. Uma vez avaliados os danos, será possível determinar os meios e os prazos necessários para a reparação. Mas, independente da avaliação, a central continuará inativa devido a danos ao sistema afetado, o que dificulta o funcionamento da unidade.

Em declarações à imprensa, o delegado geral de emergência do CSN, Eugenio Gil, disse que o incidente “não tem significado”, se apenas visto pelo fato de que produção da atividade industrial será paralisada por várias semanas. Ele acrescentou, no entanto, que, nos aspectos de segurança e de impacto ambiental, “absolutamente” não representam qualquer risco. Também afirmou que o fogo não afetou quaisquer equipamentos/insumos nucleares ou radiológicos, ficando apenas na parte elétrica. Gil explicou que há semelhanças com o incêndio que ocorreu anos atrás, em Vandellós I, que levou à desclassificação de segurança da central, mas, desta vez, foi “um problema menor na parte elétrica.”

Tranqüilidade entre vizinhos

O delegado acrescentou que “ainda não sei o que poderia causar tal incêndio”.. Em uma declaração conjunta Ecologistas en Acción e Greenpeace argumentam que existem “fontes indícios” de que o fogo foi causado por um vazamento de hidrogênio” na sala de turbinas. Ambas as associações solicitaram ao CSN que faça “um exercício de transparência e publique as causas do incêndio, bem como que esclareça os problemas e as falhas ocorridas na turbina e na construção de centrais nucleares antes do acidente de ontem.”

Por seu lado, o prefeito de Vandellòs, Jose Castelnou, assegurou que, embora as pessoas estejam preocupadas com qualquer incidente que ocorra na central nuclear, este último evento permite que possam “viver com relativa normalidade”. “Muitos de nossos vizinhos estão ligados à central nuclear e sabemos que o problema é “menor”.

[Ecodebate, 26/08/2008]

Um comentário em “Espanha: Conselho de Segurança Nuclear convoca os controladores das centrais nucleares para discutir os últimos acidentes

  1. Energia limpa, mobilização vital!

    Por Haroldo Mota*

    A crise climática mundial apresenta grandes desafios para todos e requer um processo de mudança de hábitos pessoais e culturais. A necessidade de integrar conhecimentos para as políticas públicas em suprir a crescente demanda energética, será uma constante necessidade mundial, pela utilização de matrizes de tecnologias limpas.

    Energia Nuclear, Não! é um projeto de mobilização de educação e conscientização ambiental, da Ong Baobá, em parceria com outras entidades e empresas, vem promover a discussão e diálogos com vários atores da sociedade no investimento e desenvolvimento de estratégias públicas, na geração de tecnologia de fonte de energia limpa e segura para nossa biodiversidade e sociedade.

    Visando sensibilizar o cidadão para sua parcela de co-responsabilidade frente aos desafios da manutenção de um ambiente sustentável entre as pessoas e desta com a Natureza.

    O nosso país precisa de energia motriz para alavancar seu crescimento econômico. Reativar o programa da matriz energética nuclear brasileira, tendo como uma das condições, na emissão zero de CO2, e desprezar os graves riscos de segurança gerado pela mesma.

    Lanço mão, de um trecho da reportagem do físico José Goldemberg, publicado pela revista época em 30 de junho de 2008: “Os países que adotaram a energia nuclear em grande escala são França, Japão, Coréia do Sul e Taiwan. No caso da França, a adoção foi para buscar a autonomia energética, o que a torna hoje o país da União Européia menos dependente do gás natural da Rússia. A segunda razão foi a inexistência de outras opções. O Japão não tem recursos hídricos nem petróleo. O pico na construção de usinas no mundo foi entre os anos 1960 e 1970. As empresas que produziam reatores começaram a pressionar os paises em desenvolvimento a fazer usinas. Ai aconteceram os acidentes nas usinas em Three MileIsland (1979) na Pensilvânia e Chernobil ( 1986) na Ucrânia.

    A construção de usinas nos países ricos parou. Nos Estados Unidos, não se inaugura um reator hà 30 anos. Muitas empresas fecharam. A Siemens fechou sua divisão nuclear. A General Electric saiu do ramo. Sobrou apenas uma empresa, a francesa Areva, que absorveu todas as outras.”

    O Brasil, dispõe de imensas fontes seguras e renováveis de energias. Você pode participar, votando a favor da vida! A política de investimentos na matriz energética brasileira em tecnologias limpas, depende da sua ajuda e da sua mobilização. Para que possamos garantir um relacionamento de vida com o nosso planeta.

    Acesse nosso site http://www.energianuclearnao.org.br, e participe da nossa campanha pelo projeto de lei de iniciativa popular contra a reativação do programa nuclear brasileiro.

    * É administrador de empresa, fundador e presidente da Ong Baobá (haroldomota@terra.com.br)

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