Coordenador vê relação entre madeira apreendida e grupos organizados no Pará

Brasília – O chefe substituto de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Alex Lacerda, que coordena a operação Guardiões da Amazônia, denunciou, no dia 20/02, a existência de “quadrilhas organizadas” na região do município de Tailândia, no nordeste do Pará, para roubo de madeira. Matéria de Gilberto Costa, da Rádio Nacional da Amazônia, publicada pelo EcoDebate, 22/02/2008.

“Eles são conhecidos no estado como ‘sem-tora’, invadem a área com violência, expulsam os empregados ou moradores da área e roubam madeira daquela área. Essa madeira é revendida para as empresas que trabalham na ilegalidade no município”, disse.

Desde o dia 11, a operação Guardiões da Amazônia apreendeu 13 mil metros cúbicos de madeira sem origem comprovada em Tailândia. “Com certeza há madeira das quadrilhas dos sem-tora. Não consigo conceber que um volume desse [apreendido em uma semana de operação] venha todo de planos de manejo, que estão como problemas, como alegam os sindicatos”, acrescentou.
O presidente do sindicato dos trabalhadores de serraria de Tailândia, Francisco das Chagas, já havia afirmado que os produtores aguardavam a liberação de planos de manejo florestal da Secretaria de Meio Ambiente do Pará para terem suas atividades regularizadas.

A assessoria de imprensa da Secretaria do Meio Ambiente do Pará confirma que há insatisfação dos madeireiros com a liberação dos planos de manejo, mas afirma que o volume de madeira dos planos autorizados no ano passado foi de 3 milhões de metros cúbicos, o que equivale à média dos anos anteriores, quando a responsabilidade de aprovação era do Ibama.

No dia 19, trabalhadores de serrarias e carvoarias e populares se revoltaram contra a apreensão de madeira e a demissão de cerca de 2 mil pessoas que trabalhavam no setor. Eles chegaram a cercar fiscais do Ibama no pátio de uma das serrarias vistoriadas.

De acordo com o engenheiro florestal Francisco Neves, analista ambiental do Ibama e um dos fiscais da operação, a equipe passou por situações de constrangimento verbal durante todo o período da operação: “Havia informações de que eles iam invadir o hotel onde nós estávamos, de que eles estavam se organizando, porque nosso trabalho prejudicava o comércio e o ganha-pão deles”.

O protesto contra a apreensão da madeira interrompeu o tráfego na rodovia PA 150, entre o final da manhã e a noite. A estrada voltou a ter circulação só após às 22h, segundo o Ibama.

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