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Artigo

Os Heróis e a reportagem interrompida, artigo de Raimundo Gomes da Cruz Neto

[EcoDebate] A mídia no mundo inteiro, inclui-se o Brasil, com raríssimas exceções, sempre esteve a serviço dos interesses das classes dominantes, os capitalistas, predadores, especuladores e parasitas, que vivem da riqueza gerada pela exploração da força de trabalho da classe trabalhadora e espoliação dos recursos naturais e materiais disponíveis na sociedade, com apoio irrestrito da máquina administrativa do Estado, os governos.

Imprensa, que Paulo Henrique Amorim considera já se articularem como partido, que denominou de PIG – Partido da Imprensa Golpista, que não serve à sociedade mas a setores que se reclamam dominantes, do capital, da política e das vidas das pessoas, e agem com requintes de crueldade.

A Rede Globo e suas associadas tem cumprido o papel que interessa estritamente aos empresários e latifundiários, que é de criminalisar os movimentos sociais que se contrapõem à lógica perversa do capital e de seus gerentes, tendo como principal alvo o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra – MST, onde quer que ele atue, de Norte a Sul e Leste a Oeste, deste país.

No Pará, sua associada, pertencente a Organizações Rômulo Maiorana – ORM, principalmente através de seu jornal escrito, O LIBERAL, este ano não tem dado trégua, é só fazer uma leitura de seus editoriais e matérias produzidas por este jornal. A história deste grupo é marcada por perseguições e tentativas de macular movimentos e pessoas, veja o caso do jornalista Lúcio Flávio Pinto.

Depois de ler reportagens de jornais locais com depoimentos dos repórteres, assistir as imagens dos cinegrafistas divulgados por diversos canais de televisão e, ouvir manifestantes do MST, que marcharam para libertar dois de seus companheiros feitos prisioneiros por capangas da fazenda Espírito Santo, implantadas em terras públicas e ditas do grupo Agropecuária Santa Bárbara, surge a questão: a serviço de quem a imprensa estava na fazenda?

Ora, juntamente com a advogada da Agropecuária Santa Bárbara os repórteres foram transportados para a fazenda em avião fretado pela empresa, ao chegarem à fazenda, às 13h30, fizeram “as primeiras tomadas de imagens de restos de animais supostamente sacrificados pelos sem-terra.” “Em seguida, os repórteres foram até o pasto onde o caminhão estava abandonado…” (Opinião, 21 e 22.04.09).

O que dar a entender, segundo outros trechos da matéria reddigida por Edinaldo Sousa, jornal Opinião, 21 e 22.04.09, é que neste momento o objeto da reportagem é interrompido e começa o imprevisto e o heroísmo: “e, quando retornavam(os repórteres) para a sede da fazenda o grupo de sem-terra marchava em direção aos seguranças(capangas) e funcionários que estavam postados atrás de uma porteira no retiro São José.” “…os jornalistas foram feitos de escudo humano, mas nenhum profissional da imprensa foi ferido, pois correram para longe da linha de tiro, segundos antes do início do confronto.”

As informações passadas logo depois do tiroteio, feitas pelos repórteres, resguardando capangas da fazenda, que tinham “escopetas e munição que daria para até três dias de confronto”, e denunciando os trabalhadores, foram suficientes para a TV Liberal tentar limpar sua cara e dos seus repórteres, divulgando que os mesmos haviam sido usados como escudos humanos e se encontravam em cárcere privado.

Segundo as imagens transmitidas pelos canais de televisão mostram que o cinegrafista estava sempre por trás dos capangas da fazenda durante o tiroteio e, a imagem feita pelo cinegrafista da marcha dos sem-terra não aparece nenhum repórter usado como escudo ou à frente dos manifestantes, portanto, o registro não condiz com a afirmação.

O que esclarece é que se os repórteres estavam em condição de cárcere privado não era por conta dos manifestantes do MST, porque quem os levou para a fazenda e não providenciou o retorno foi a direção da empresa, que tentou se redimir com o repórter da TV Liberal, através de uma ligação telefônica: “Eu temo pela vida de vocês. Os sem-terra bloquearam a estrada de acesso à fazenda e eu soube que o manifestante ferido está morto”.(jornal Opinião 21 22.04.09).

Tudo isto eu queria chamar de “um tiro que saiu pela culatra” mas preferi dizer que foi uma “reportagem interrompida”. Quem poderá esclarecer: quantos capangas fardados e sem fardas participaram do tiroteio? quem dirigiu o tiroteio, aquele que gritava: atira nele…? quantas escopetas foram utilizadas? como a TV Liberal vai mostrar sua (im)parcialidade?

Marabá, 22 de abril de 2009.
Raimundo Gomes da Cruz Neto
rgc.neto{at}yahoo.com.br

* Artigo enviado por Rogério Almeida, coordenador do Blog FURO http://rogerioalmeidafuro.blogspot.com/

[EcoDebate, 23/04/2009]

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