O movimento “Too good to go”, contra o desperdício de comida

 

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O movimento “Too good to go”, contra o desperdício de comida

Artigo de Vivaldo José Breternitz

Nestes tempos em que a pandemia, aliada a conflitos armados, secas, inundações, pragas e crises econômicas, podem deixar cerca de 265 milhões de pessoas sujeitas à fome, vale a pena refletirmos sobre nosso relacionamento com a comida, especialmente em termos de desperdícios.

Afinal, um terço de toda a comida que se produz é desperdiçada; são cerca de 51 toneladas por segundo.

Um movimento nascido em 2015 na Dinamarca, usa um aplicativo batizado “Too good to go”, algo como “muito bom para ser jogado fora”, como a principal ferramenta para diminuir esse desperdício.

A ideia é que restaurantes, lojas de fast food, padarias e outros estabelecimentos desse tipo, vendam no final do dia a comida que não foi consumida nos horários normais, a preços que na Europa oscilam entre 3 e 5 euros.

Os interessados em comprar essa refeições, contatam o estabelecimento de sua preferência, fazem reservas e pagam através do aplicativo; no horário fixado, retiram suas compras. Um detalhe: o conteúdo é surpresa, e as refeições vêm em uma embalagem chamada “magic box” (caixa mágica).

Participam 45 mil estabelecimentos de 14 países da Europa e dos Estados Unidos, que já venderam 40 milhões de “magic boxes”.

É uma solução do tipo ganha-ganha: os preços são baixos pelos padrões europeus e os empresários obtém uma receita marginal. A natureza também agradece, pois o movimento já permitiu que se evitasse o lançamento na atmosfera de 100 mil toneladas de dióxido de carbono.

Os idealizadores do movimento lembram aos compradores que se trata de uma filosofia e não de uma jogada de marketing, mostrando na tela de seus smartphones, quando concluem a compra, uma mensagem lembrando o benefício feito à natureza.

Vivaldo José Breternitz é Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/10/2020

 

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