Covid-19: Minas Gerais possui os menores coeficientes de incidência e mortalidade do Brasil

Covid-19: Minas Gerais possui os menores coeficientes de incidência e mortalidade do Brasil

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

[EcoDebate] O Ministério da Saúde registrou 5,2 milhões de pessoas infectadas e 153.675 vidas perdidas, no dia 17 de outubro, com uma taxa de letalidade de 2,9%. Na 42ª semana epidemiológica (SE), de 11 a 17 de outubro, a média diária de pessoas infectadas foi de 20,2 mil casos (variação relativa de 0,4% ao dia) e a média diária de vidas perdidas foi de 497 óbitos (variação relativa de 0,33% ao dia), o menor valor em quase 6 meses.

O Brasil está em terceiro lugar global no número acumulado de casos (atrás apenas dos EUA e da Índia) e no segundo lugar no número acumulado de óbitos pela covid-19 (atrás apenas dos EUA). Em termos de coeficiente de incidência o Brasil está entre os 10 mais elevados do mundo e em terceiro lugar global no coeficiente de mortalidade (atrás apenas do Peru e da Bélgica).

Mas no território nacional os impactos são diferenciados nas regiões e nas Unidades da Federação (UFs). As regiões Sudeste e Nordeste são aquelas que apresentam o maior número absoluto de casos e de óbitos, pois são as duas regiões mais populosas do país. Mas o Sudeste possui o menor coeficiente de incidência e o terceiro coeficiente de mortalidade. A região Sul tem o segundo menor coeficiente de incidência e o menor coeficiente de mortalidade. A região Norte tem o maior coeficiente de mortalidade, bem acima da média brasileira.

O estado de São Paulo, que é a UF mais populosa do país, apresentou mais de 1 milhão de casos e 38 mil vidas perdidas até o dia 17 de outubro. Minas Gerais, a segunda UF mais populosa, apresentou 334 mil casos e 8,4 mil vidas perdidas. O estado do Rio de Janeiro que é a terceira UF mais populosa fica também em terceiro lugar em número de casos (290 mil), mas fica em segundo lugar em número de óbitos (20 mil vítimas fatais).

Os menores números absolutos da covid-19 estão no Acre, que tem somente 0,4% da população brasileira, com 29,7 mil casos e 679 óbitos. O Amapá e Roraima aparem em seguida com menores valores absolutos.

Contudo, para se comparar os impactos estaduais é preciso levar em consideração o peso demográfico de cada UF. Para tanto se utiliza o coeficiente de incidência (casos por milhão de habitantes) e o coeficiente de mortalidade (óbitos por milhão de habitantes), como apresentado na tabela abaixo e como veremos nos gráficos seguintes.

população e coeficientes de incidência e mortalidade por Covid-19 no Brasil

A Unidade da Federação (UFs) com o menor coeficiente de incidência é Minas Gerais, com 15,7 mil casos por milhão de habitantes. As UFs com maior coeficiente de incidência são Roraima (85,6 mil casos por milhão), Distrito Federal (66,9 mil casos por milhão), Amapá (58,2 mil casos por milhão) e Tocantins (45,6 mil casos por milhão). O Brasil apresentou coeficiente de 24,7 mil casos por milhão de habitantes, conforme mostra o gráfico abaixo.

Covid-19: coeficientes de incidência, casos por milhão, no Brasil

A Unidade da Federação (UFs) com o menor coeficiente de mortalidade é também Minas Gerais, com 395 óbitos por milhão de habitantes. Santa Catarina é a segunda menor com 409 óbitos por milhão. As UFs com os maiores coeficientes de incidência são Distrito Federal (1.159 óbitos por milhão), Rio de Janeiro (1.142 óbitos por milhão), Roraima (1.079 óbitos por milhão) e Mato Grosso (1.037 óbitos por milhão). O Brasil apresentou coeficiente de mortalidade de 726 óbitos por milhão de habitantes, conforme mostra o gráfico abaixo.

Covid-19: coeficiente de mortalidade, casos por milhão, no Brasil

Comparando com o coeficiente de incidência global de 5,1 mil casos por milhão, o coeficiente brasileiro é cerca de 5 vezes maior e o de Roraima é 17 vezes maior. O coeficiente de mortalidade mundial é de 143 mortes por milhão, sendo 5 vezes menor do que a mortalidade brasileira e 8 vezes menor do que o coeficiente do Distrito Federal.

Mesmo Minas Gerais que é a UF com menores coeficientes da pandemia, tem cerca de 3 vezes mais casos e mortes do que a média mundial.

Portanto, o Brasil é um dos países mais impactados pela pandemia. Atualmente o país apresenta uma trajetória de queda do número de casos e de mortes, enquanto a Europa enfrenta uma segunda onda da covid-19. Os EUA, Israel, Irã, dentre outras nações, vivem uma terceira onda do novo coronavírus.

A possibilidade de o Brasil também enfrentar novas ondas pandêmicas é grande. O país está longe de controlar a propagação comunitária do vírus. Desta forma, todo cuidado é pouco e as medidas preventivas devem ser reforçadas.

José Eustáquio Diniz Alves
Colunista do EcoDebate.
Doutor em demografia, link do CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2003298427606382

Referências:

ALVES, JED. A pandemia de Coronavírus e o pandemônio na economia internacional, Ecodebate, 09/03/2020 https://www.ecodebate.com.br/2020/03/09/a-pandemia-de-coronavirus-covid-19-e-o-pandemonio-na-economia-internacional-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

ALVES, JED. Presidente quinta-coluna não combate a pandemia e instala o Necroceno no Brasil, Ecodebate, 08/06/2020

https://www.ecodebate.com.br/2020/06/08/presidente-quinta-coluna-nao-combate-a-pandemia-e-instala-o-necroceno-no-brasil-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

ALVES, JED. A Argentina ultrapassa o Chile e ocupa o 10º lugar no ranking global dos casos da covid-19, Ecodebate, 31/08/2020 https://www.ecodebate.com.br/2020/08/31/a-argentina-ultrapassa-o-chile-e-ocupa-o-10-lugar-no-ranking-global-dos-casos-da-covid-19/

ALVES, JED. O Irã vive uma terceira onda da covid-19 e com aumento de vítimas fatais, Ecodebate, 12/10/2020 https://www.ecodebate.com.br/2020/10/12/o-ira-vive-uma-terceira-onda-da-covid-19-e-com-aumento-de-vitimas-fatais/

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 19/10/2020

 

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