Relatório aponta endurecimento de políticas ambientais em todo mundo e faz alerta ao Brasil

 

Área degradada no município de Colniza, noroeste do Mato Grosso
Colniza, MT, Brasil: Área degradada no município de Colniza, noroeste do Mato Grosso. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Políticas Ambientais – Estudo avalia que país tem a segunda pauta exportadora mais dependente de capital natural no G20, atrás apenas da Argentina

Um estudo feito pela London School of Economics em parceria com o Planet Tracker avalia que haverá cada vez mais pressão para que títulos soberanos levem em conta questões de meio ambiente e sustentabilidade em suas decisões de investimento. Ao mesmo tempo, o documento ressalta que essa classe de ativos, que inclui fundos de pensão bilionários de países ricos, está se consolidando como um investimento que soma o desempenho macroeconômico de um país ao valor de seus títulos públicos no mercado de capitais — e essas duas sinalizações são sensíveis para o Brasil.

O relatório avalia que nesse cenário, o país pode tanto se tornar um destino pouco atraente para fundos soberanos devido a riscos de sustentabilidade do seu setor produtivo, como pode ver depreciado seus próprios títulos públicos. Isso ocorreria devido à desestabilização do cenário macroeconômico, afetando suas classificações de crédito e dívida externa. Esse desajuste, segundo o documento, é uma consequência esperada diante da elevada dependência das exportações brasileiras em relação ao seu “capital natural”.

O relatório utiliza um instrumento de pesquisa desenvolvido pela entidade para afirmar que 28% dos títulos soberanos da Argentina e 34% dos títulos soberanos do Brasil estarão expostos a um maior fortalecimento de políticas climáticas e anti-desmatamento nos próximos dez anos. Após 2030, o cenário muda para 44% e 22% dos títulos soberanos desses dois países, respectivamente.

O documento prevê que a próxima década será disruptiva em termos econômicos e recomenda que os títulos públicos desenvolvam mais resiliência para enfrentar essas turbulências. Para isso, o relatório orienta que emissores, investidores e agências de classificação de crédito trabalhem para garantir a incorporação do valor total da natureza na atividade produtiva. E sinaliza que pesquisadores e sociedade civil farão cada vez mais pressão para que haja uma real transparência em compromissos de empresas e governos com a sustentabilidade.

As chamadas “soft commodities”, onde estão classificadas todas commodities agrícolas, dependem fortemente de capital natural e foram quase 40% das exportações do país entre 2008 e 2017 — e representaram US ? 897 bilhões. Entre todos os países do G20, as exportações do Brasil estão em segundo lugar na dependência em relação ao capital natural, atrás apenas da Argentina. A média dos países do bloco é de 10%.

Na avaliação do Planet Tracker, essa dependência é perigosa devido ao cenário político internacional. Uma mudança global para uma economia de desmatamento zero pode colocar em gerar uma desvalorização aguda de ativos do agronegócio, o que teria efeitos negativos para todos os indicadores macroeconômicos — défice de balanço de pagamentos, deterioração das reservas cambiais, aumento do desemprego e diminuição da renda média nacional.

O documento aponta como sinal desse movimento uma tendência mundial de rejeição do biodiesel em favor de alternativas com menor risco de sustentabilidade. O Brasil é o segundo maior produtor desse combustível, atrás dos EUA.

Segundo a publicação, as primeiras ações concretas para políticas ambientais mais duras já podem ser observadas na Nova Zelândia, onde uma alteração da lei deve taxar emissões de carbono de produtos agrícolas em 2025. Outro exemplo citado é o debate em curso na Holanda para criação de um imposto com mesmo recorte.

Sobre o Planet Tracker

O Planet Tracker é um think tank financeiro sem fins lucrativos que alinha o mercado de capitais com os limites planetários. Foi lançado em 2018 pelo Investor Watch Group, cujos fundadores, Mark Campanale e Nick Robins, criaram a Carbon Tracker Initiative.

O Planet Tracker foi criado para investigar falhas de mercado relacionadas a limites ecológicos. O foco das investigações são a comunidade de investidores, para os quais a entidade avalia que os riscos atrelados à crise climática estão mal compreendidos e comunicados de maneira ainda mais falha.

Nota: O relatório “The sovereign transition to sustainability Understanding the dependence of sovereign debt on nature” é fruto de um estudo realizado pelo Grantham Research Institute da London School of Economics em parceria com o Planet Tracker. Acesse o relatório completo:
http://planet-tracker.org/tracker-programmes/food-and-land-use/sovereign-bonds/

Fonte: ClimaInfo

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 08/07/2020

 

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