Fake News na saúde e entre médicos: da manipulação à morte, artigo de Antonio Carlos Lopes

 

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Imagem: EBC

[EcoDebate] Desde que a COVID-19 chegou no Brasil, enfrentamos, além da maior e mais complexa pandemia de toda a sua história, a “infodemia”. A Organização Mundial da Saúde utilizou o termo para se referir ao bombardeio de informações muitas vezes (e na maioria delas) falsas e manipuladas, às quais a população está submetida diariamente.

As fake news não são novidade nem exclusividade de um grupo ou outro. No campo político, são fartamente utilizadas para manipular pessoas/eleitores; e todos os dias ouvimos denúncias sobre isso.

Na própria área médica, sofremos com esse grave problema. Em disputas recentes por diretorias de nossas associações, conselhos e sociedades de especialidade, são recorrentes a utilização de fake news para macular imagens e manipular quem tem direito a voto. Curioso é que é sempre o mesmo grupo que recorre a elas, que isso já ocorre há anos e mais anos, só que muitos médicos ainda cobram gato por lebre.

São fatos preocupantes. Mas, durante a atual crise mundial da saúde, são mais perigosas.

Enquanto nós, profissionais da saúde, nos esforçamos para atender a demanda cada vez maior de pacientes contaminados, sete em cada dez brasileiros são enganados por notícias falsas sobre a pandemia todos os dias, especialmente através das redes sociais.

As fake news popularizam-se pelo aspecto emocional. Frente ao medo e às incertezas as quais estamos vivendo, qualquer notícia que ofereça segurança e conforto ganham rapidamente a adesão da população. Entre os maiores absurdos que surgiram na mídia recentemente, estão remédios caseiros para combater a COVID-19 e a possibilidade de transmissão da doença por pernilongos, só para citar alguns.

Nesse cenário de fragilidade, indivíduos mal-intencionados se aproveitam para impulsionar tratamentos ditos milagrosos, medicamentos sem eficiência comprovada e projetos de vacinas misteriosos. Muitos deles envolvidos em projetos políticos, econômicos e ideológicos. Ao criar essa condição de desinformação, lavando pessoas a seguir notícias falsas, em vez da ciência, coloca-se vidas em risco.

A baixa adesão dos brasileiros ao distanciamento social é uma das consequências das fake news. Mesmo que reforcemos a necessidade médica da quarentena e do isolamento, seus autores insistem em colocar essas práticas em dúvida na mentalidade popular. Assim, os números de casos crescem, os hospitais ficam sobrecarregados e o retorno à normalidade parece um sonho sempre distante.

Como profissionais da saúde, somos essenciais no combate à pandemia e também à infodemia. Somos responsáveis pela mediação entre o que a ciência atesta e o que é divulgado na imprensa ou em redes sociais. Precisamos recuperar, e logo, a confiança da população em veículos de imprensa credíveis e órgãos oficiais de saúde por meio de informações sérias, fundamentadas e de fácil compreensão. A histeria provocada pelas fake news é a última coisa que precisamos nesse momento de crise sanitária.

Já para os autores dessas falsas notícias, há remédio. Considerando tratar-se de crime, o mais indicado é a cadeia.

Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica

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in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 06/07/2020

 

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