Líder de associação que denunciava crimes ambientais em Barcarena é assassinado

 

A vítima era ligada a movimento pela terra no distrito de Vila dos Cabanos, em Barcarena e era diretor da Cainquiama

Repórter Amazônia / EBC

Representante de associação que denunciava crimes ambientais no Pará foi assassinato na madrugada de hoje, no município de Barcarena. Paulo Sérgio Almeida Nascimento, de 47 anos foi morto a tiros por um homem ainda não identificado. O crime ocorreu no Ramal Fazendinha, zona rural de Barcarena. Por volta de 3h da manhã, a vítima levantou para usar o banheiro, que fica no lado de fora da casa, quando foi alvejada pelos disparos.
A vítima era ligada a movimento pela terra no distrito de Vila dos Cabanos, em Barcarena e era diretor da Associação dos Caboclos Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama) foi assassinado a tiros dentro de casa, em Barcarena. A entidade denunciava os possíveis crimes ambientais da empresa Hydro e questionava a autorização para construção das bacias de rejeito.
O Ministério Público do Pará informou que em janeiro deste ano recebeu denúncias de representantes da Associação. O grupo disse que estaria sofrendo ameaças por parte de policiais militares do município.
O Ministério Público do Pará notificou a Hydro Alunorte para que a empresa faça imediatamente, no prazo de até 48 horas, os procedimentos necessários para vedação de um canal não autorizado de despejos, descoberto semana passada.
A notificação foi entregue na sexta-feira (9), às 18h, durante reunião que avaliava o cumprimento das recomendações para evitar que novos vazamentos ocorressem na planta da empresa no município de Barcarena.O canal de despejo de rejeitos conhecido como “canal antigo” ou “canal reserva” foi descoberto após vistoria técnica realizada na semana passada.
De acordo com o MP, ele não teria licença ambiental e que se constituiria numa espécie de ‘bypass’, com a função de desviar parte dos efluentes que deveriam ser submetidos à tratamento na Estação de Tratamento de Efluentes da empresa e direcioná-los diretamente ao Rio Pará, sem qualquer tratamento. A empresa terá que vedar com concreto a comporta de lançamento de efluentes ao canal.
Procurados, a empresa ainda não se posicionou sobre a questão.
Ontem (12), Hydro Alunorte admitiu que liberou água da barragem de mineração no rio Pará em Barcarena, no estado paraense. Segundo a empresa, a liberação foi feita por causa do excesso de chuva na região.
A companhia informou que os resíduos liberados podem conter poeira de bauxita e vestígios de soda cústica, mas destacou que a água não esteve em contato com as áreas de depósito de resíduos de bauxita que é uma rocha usada como matéria-prima para a produção de alumínio.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 13/03/2018

 

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