Agroecologia urbana, artigo de Roberto Naime

 

artigo

 

[EcoDebate] SOUZA-OLIVEIRA e PEREZ JR (2015) avaliaram as possibilidades de realização da agroecologia urbana. Os resultados obtidos demonstram que é possível obter produtos ainda que em espaços reduzidos em áreas urbanas. A experiência mostrou a eficácia tanto no modelo agroflorestal quanto na horta em espiral.

O estabelecimento da Agroecologia como protagonista de novo paradigma, tem despertado um público preocupado com as questões ambientais e também grupos que buscam a interação entre homem e natureza, na recriação de espaços para fins agroecológicos. Essas preocupações encontram eco na agricultura biodinâmica, na agricultura ecológica, na agricultura natural, na agricultura orgânica.

Observa-se que em boa parte de lugares do mundo, a relação homem e planta é tema recorrente de pesquisas e novas práticas são construídas.

SOUZA-OLIVEIRA e PEREZ JR (2015) fizeram o acompanhamento da implantação de horta em residência urbana de personagens engajados, no modelo da sustentabilidade e no respeito à natureza. Foi realizada uma experiência em sistema agroflorestal e outra em sistema espiralado de produção.

Segundo a EMBRAPA (2008) o Sistema agroflorestal objetiva otimizar a produção por unidade de área, com o uso mais eficiente dos recursos como solo, água e luz e da diversificação de produção e da interação positiva entre os componentes. A experiência no sistema agroflorestal que o aspecto que determina a sustentabilidade desses sistemas é a presença das árvores, com suas capacidades de capturar nutrientes de camadas mais profundas do solo, reciclando e disponibilizando estes nutrientes nas camadas superiores do solo, de forma eficiente.

TIMMERMANN et al (2003) sugere que para fazer uma horta em espiral são fundamentais aspectos como diversidade, consórcios diretos e indiretos, efeito de bordas, microclimas e drenagem. Bem como as características das espécies que se pretende cultivar, suas peculiaridades e necessidades, para melhor escolher o local apropriado para cada planta considerada.

Para a construção de horta em espiral, tudo que estiver disponível, é utilizado, como por exemplo, como pedras, tijolos, estacas de madeiras, pedaços de bambu, telhas ou tijolos. Enfim todo o material que for mais prático e disponível, conforme sua funcionalidade.

O plantio de alimentos sempre evidencia a conservação do ambiente, pois os cuidados refletem a continuidade da apropriação sensorial. Respeitar as peculiaridades locais incide em conhecimento e valorização da agricultura e das pequenas produções.

A agroecologia busca a manutenção do conhecimento tradicional entendendo, também, que a prática materializa sua consolidação. A “práxis” agroecológica se dá em várias instâncias da vida humana. Mas atualmente se observa que já não é tão comum a manutenção de hortas em quintais domésticos. Porém, também se identifica que o interesse pela manutenção de hortas acontece e está fortemente presente no cotidiano da civilização, que cada vez mais se urbaniza.

Hortas urbanas agroecológicas contribuem para a interação entre homem e a natureza. Os sentidos são aflorados e ouvir, olhar, tocar, cheirar passa a ser uma experiência ímpar. No cotidiano, as experiências ocorrem com o intuito da alimentação, da cura de enfermidades, no bem-estar pessoal e no compartilhamento.

No meio tecnológico a busca pela interação e envolvimento com as plantas também ocorre, porém na perspectiva do apelo produtivo comercial das plantas. Independentemente do objetivo da ação, se observa que o homem continua em busca do contato com as plantas, sendo esta interação da forma simples ou da mais sofisticada.

Tanto o quintal que desenvolveu o sistema agroflorestal quanto a horta em espiral obtiveram ótimos resultados. Hortas urbanas são viáveis; para além de sua primordial função. Também propiciam as condições para eficiente interação entre homem e planta, homem e seu entorno e homem e seu próximo, conforme evidenciam SOUZA-OLIVEIRA e PEREZ JR (2015) em sua manifestação.

Mais que a beleza estética, vinculada a qualquer procedimento, está a profunda vinculação existencial entre todos os fatores já enunciados. Cultura, saberes, tradições, se agregam às experiências de existência e constituem o cenário onde a vida se expressa em toda sua magnificência e plenitude.

Referências:

EMBRAPA AMAZONIA OCIDENTAL, O que é Sistema Agroflorestal? SISAF – Sistema de Informação Agroflorestal. Disponível em: http://servicos.cpaa.embrapa.br/sisaf/pagina_interna2.php?cod=1, Acesso 03/08/2014

TIMMERMANN, J.; ORTIZ, P.M.; RODRIGUES, J; MARQUES, M.; BECKAUSER, R. Curso de construções alternativas, construção da zona 1. São José do Cerrito/SC

IPAB – Instituto de Permacultura Austro Brasileiro, 2003. Disponível em: http://www.permear.org.br/pastas/documentos/permacultor31/Apostila%20Curso%20 Zona1.pdf. Acesso 10/09/2014

SOUZA-OLIVEIRA, Ivete Maria; PEREZ JR, Ciro. Agroecologia Urbana: Homem e Planta. Cadernos de Agroecologia, v. 9, n. 4, 2015.

 

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

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in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 27/02/2018

Agroecologia urbana, artigo de Roberto Naime, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 27/02/2018, https://www.ecodebate.com.br/2018/02/27/agroecologia-urbana-artigo-de-roberto-naime/.

 

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