Crescimento do rebanho e aumento no uso de fertilizantes nitrogenados elevam emissões na Agropecuária

 

Crescimento recorde do rebanho e aumento de 23% no uso de fertilizantes nitrogenados elevam emissões na Agropecuária

 

pecuária
Foto: EBC

 

As emissões de gases de efeito estufa na agropecuária subiram quase 2% entre 2015 e 2016. É o maior crescimento registrado dos últimos cinco anos. Esse é um dos resultados do relatório elaborado pelo Imaflora para o 5º Seminário Nacional sobre Gases de Efeito Estufa, realizado pelo Observatório do Clima. O relatório mostra ainda que quando se toma o período de 1970 a 2016, os indicadores apontam para um crescimento anual das emissões de gases de efeito estufa, que representam 22% das emissões brutas brasileiras.

O que explicam os números atuais são, principalmente, dois fatores: o número recorde de bovinos que, ao lado da redução no abate, levou o país a ter 220 milhões de cabeças (IBGE); e o salto em 25% no uso de fertilizantes nitrogenados na agricultura (ANDA): “nunca havíamos registrado um crescimento tão grande para uma mesma fonte, de um ano para outro”, explica Ciniro Costa Júnior, pesquisador do Imaflora, que lembra que isso ocorreu em um ano de crise.

O estado do Mato Grosso é o maior emissor, com 12%, Minas Gerais fica em segundo lugar com 11% e o Pará em terceiro, com 10% do total das emissões da agropecuária brasileira.

Os cálculos levam em conta os dados fornecidos pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas e pelo Inventário Nacional, do Ministério da Ciência, Tecnolgia e Inovação. No entanto, não consideram as emissões provocadas pelas áreas degradadas e o sequestro de carbono das áreas bem manejadas (variação do estoque de carbono nos solos agrícolas) que atualmente, é negativo. O SEEG fez esse exercício de cálculo e concluiu que se essa variável fosse considerada, as emissões de gases de efeito estufa na agropecuária seriam 7% maiores. “É importante termos essa informação já que o Brasil assumiu o compromisso de recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e da implantação de 5 milhões de hectares de sistema integrado lavoura,pecuária e floresta entre 2020 e 2030, ao assinar o Acordo de Paris”, lembra Ciniro.

Falta monitoramento – No relatório analítico do trabalho anterior (SEEG 2016), o Imaflora faz uma análise do Plano ABC e da baixa procura pelo financiamento destinado à agricultura de baixa emissão de carbono. O estudo aponta que mesmo os juros subsidiados não são suficientes para atrair o produtor, dada à complexidade da burocracia exigida. E constata que mesmo com o sistema de monitoramento do programa pronto, não é possível saber, se fato, a proposta de reduzir as emissões de gases de efeito está acontecendo, pois não chegou a ser implantado. Isso porque o sigilo em torno do tomador do crédito não permite a localizar a fazenda onde o crédito seria aplicado, portanto, informações essenciais à análise do sucesso do plano ABC, não estão disponíveis; como o tipo de solo, seu estágio de degradação, o manejo da pastagem, entre outras informações.

Por isso, essas análises sugerem que os bancos, os produtores, as processadoras e a sociedade civil, se engajem para que permitam o monitoramento e avaliação do programa que desde 2011 destinou aproximadamente 20 bilhões de reais em créditos.

Colaboração de Fátima Nunes, Imaflora, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 01/11/2017

 

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