A indústria farmacêutica e a credibilidade, artigo de Roberto Naime

 

artigo de opinião

 

[EcoDebate] Não é necessário pesquisar sobre a importância da indústria farmacêutica de medicamentos alopáticos para determinar sua importância transcendental para os grandes avanços na qualidade de vida e na expectativa média de vida, que já beira 80 anos.

Nem é necessário explicitar sua relevância social como geradora de emprego e renda, oportunidades, ou como geradora de impostos. Mas com alguma frequência se ouve que gigantes farmacêuticas contratam autores “fantasmas” para produzirem artigos e divulgar produtos.

Pelo que se conhece do mercado editorial acadêmico, esta acusação não se sustenta como regra. Mas pode tranquilamente caracterizar casos pontuais.

Uma coisa é certa. No mínimo é estranho que telejornais de grandes redes televisivas abram espaços para noticiar estes avanços e progressos da indústria farmacêutica de maneira fortuita ou fragmentada, com notícias desconectadas de algum vínculo.

Mas não é de duvidar que artigos em periódicos médicos, que deveriam ter sido escritos por acadêmicos ou médicos, sejam escritos por autores fantasmas contratados por laboratórios farmacêuticos, como revela uma investigação da publicação “The Observer”.

Esses periódicos podem exercer enorme influência sobre quais medicamentos os médicos receitam e o tratamento proporcionado pelos hospitais. Porém, muitos artigos escritos por assim chamados “acadêmicos independentes”, podem ter sido escritos por autores a serviço de agências, que recebem grandes somas das indústrias farmacêuticas para fazer propaganda dos seus produtos.
Por tudo que se explicita, não parece necessário que isto ocorra. Se reconhecem os grandes avanços das medicações alopáticas na civilização humana.

O envolvimento destes escritores de aluguel, com as indústrias farmacêuticas raramente são revelados. Esses trabalhos, endossando certos medicamentos, são exibidos perante os clínicos como pesquisa independente para auxiliar na persuasão para que se receitem os medicamentos. Ocorre enfatizar novamente que se acredita nesta situação como prática fortuita e não como regra ou método da indústria farmacêutica de alopáticos, que não necessita estes apanágios.

Existe uma cortina de fumaça sobre esta realidade, e poucas pessoas se manifestam para possibilitar a formulação de um cenário realista.

Entretanto Susanna Rees, conforme nota do site http://www.taps.org.br/Paginas/medartigo16.html, conhecida assistente editorial de uma agência de trabalhos sobre medicina até 2002, ficou tão preocupada com o que tinha testemunhado, que mandou uma carta para o website do “British Medical Journal”. “As agências que escrevem artigos médicos fazem tudo que é possível para esconder o fato de que os trabalhos que escrevem e submetem a periódicos e eventos são escritos por fantasmas a serviço das empresas farmacêuticas e não pelos autores apontados”, escreveu ela. “O sucesso desses trabalhos-fantasmas é relativamente alto Não é enorme, mas bastante consistente”.

Susanna Rees declara na mesma matéria reproduzida, que como parte do seu trabalho, ela devia assegurar que em nenhum artigo a ser eletronicamente submetido tivesse qualquer vestígio quanto à origem da pesquisa. “Um procedimento padrão que usei estabelece que, antes que um trabalho seja submetido a um jornal eletronicamente ou em disco, o assistente editorial precisa abrir o arquivo do documento no Word e eliminar os nomes da agência responsável pela redação ou da agência de autores-fantasmas ou da companhia farmacêutica e substituí-los pelo nome e a instituição da pessoa que foi convidada pela indústria farmacêutica ou pela agência que atua em seu nome, a ser apontada como autor principal, embora não tenha contribuído para o trabalho”, escreveu ela.

No entanto, quando entraram em contato, ela se recusou a dar detalhes. “Assinei um acordo de confidencialidade e estou impedida de fazer comentários”, disse ela. Estranho.
A indústria farmacêutica de alopáticos certamente não precisa conviver com estas dúvidas e o sombreamento que isto gera. Vai continuar havendo estranheza com a divulgação tão meticulosa de certas ocorrências, mas não é necessário que se materializem constrangimentos além destes.

Um campo onde os artigos-fantasmas vem se tornando um problema crescente, é da psiquiatria. Ocorre citação de médico que estava realizando pesquisas sobre os possíveis perigos dos antidepressivos, quando o representante de um fabricante de medicamentos lhe mandou uma mensagem por e-mail oferecendo ajuda. A mensagem, citada pelo site e alegadamente registrada pelo “The Observer”, dizia que se oferecia para reduzir a carga de trabalho do médico, se houvesse aquiescência com interesses explicitados.

Mesmo reconhecendo as importantes profilaxias sustentadas por homeopáticos ou pelas diversas formas de medicação das inúmeras escolas médicas, há reconhecimento tácito de que a marcha civilizatória da espécie humana sofre enorme influência satisfatória de alopáticos como os “antibióticos”. E de uma forma favorável e adequada, a indústria farmacêutica de alopáticos poderia enterrar definitivamente estas sombras causadas por mecanismos de indução questionáveis.

 

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

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in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 10/10/2017

"A indústria farmacêutica e a credibilidade, artigo de Roberto Naime," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 10/10/2017, https://www.ecodebate.com.br/2017/10/10/industria-farmaceutica-e-credibilidade-artigo-de-roberto-naime/.

 

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