A descoberta do século, artigo de Montserrat Martins

 

opiniao

 

[EcoDebate] Várias descobertas ou invenções científicas revolucionam o estilo de vida do século XXI. A impressora 3 D, por exemplo, tem múltiplas aplicações práticas. A holografia, para espetáculos, permitiria você “reviver” um show “ao vivo” de um Elvis Presley, Frank Sinatra, Elis Regina ou Cazuza, por exemplo. Mas se fossemos escolher um só fato científico de impacto no século XXI, poderia ser a Memética, a ciência que estuda as características dos memes, que vem a ser o menor fragmento de memória que tende a se proliferar de modo “viral”.

Hoje nenhuma empresa ignora a importância do “marketing viral” de seus produtos e em outras áreas sociais que dependem da comunicação de massas – como é o caso da política – há milhares de profissionais a serviço de partidos, tanto para divulgar seus candidatos como para denegrir a concorrência, de modo permanente e não só nas eleições.

No século XXI, onde “imagem é tudo”, o impacto do uso dos memes nos negócios, na política e na vida social em geral é incomensurável. Ninguém será capaz de se eleger, em quaisquer eleições do século XXI, sem compreender e dominar a linguagem dos memes, mesmo que seja apenas para se defender dos ataques virtuais dos adversários. Da mesma forma, nenhuma empresa irá prosperar, ou sobreviver, sem uma boa gestão profissional de sua marca.

A história da “descoberta dos memes” merece ser conhecida pois é a partir dela que compreendemos todas as implicações que vem tendo e terá, mais ainda, na sociedade do presente e do futuro. Quem teve o primeiro “insight” sobre esse fenômeno foi do biólogo Richard Dawkins, que o expôs no seu livro “O Gene Egoísta”, em 1976, no qual aparece pela primeira vez o conceito de “Meme”, que nos últimos 40 anos se desenvolveu a ponto de formar uma disciplina, a Memética.

Baseado nos estudos de Darwin sobre a “vocação” dos genes a se reproduzirem, que é maior quanto mais simples for o organismo – como é o caso da reprodução viral – Dawkins identificou na cultura o fenômeno da reprodução dos fragmentos de memória, que se espalham rapidamente e que também podem se perpetuar através de gerações. Por analogia com o “Gene”, batizou a descoberta de “Meme”, um “gene da memória”.

São as “menores unidades” de memória, as mais simples, que se reproduzem “viralmente”, se massificam e entram na mente de milhares, milhões de pessoas. “Pior do que tá não fica” é um exemplo clássico de meme, uma frase curta, com impacto emocional e humor. Essa combinação de simplicidade com relevância emocional (potencializado pelo humor) é o que caracteriza os “menores fragmentos de memória” que tendem a se difundir massivamente e se perpetuar. Para interagir em quaisquer empreendimentos sociais, a Memética é indispensável, pois não é uma invenção, é uma descoberta de como funciona nossa mente.

Montserrat Martins, Colunista do Portal EcoDebate, é médico psiquiatra, bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais e ex-presidente do IGS – Instituto Gaúcho da Sustentabilidade.

 

in EcoDebate, 06/06/2016

[cite]

 

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à Ecodebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Inclusão na lista de distribuição do Boletim Diário da revista eletrônica EcoDebate

Caso queira ser incluído(a) na lista de distribuição de nosso boletim diário, basta enviar um email para newsletter_ecodebate+subscribe@googlegroups.com . O seu e-mail será incluído e você receberá uma mensagem solicitando que confirme a inscrição.

O EcoDebate não pratica SPAM e a exigência de confirmação do e-mail de origem visa evitar que seu e-mail seja incluído indevidamente por terceiros.

Remoção da lista de distribuição do Boletim Diário da revista eletrônica EcoDebate

Para cancelar a sua inscrição neste grupo, envie um e-mail para newsletter_ecodebate+unsubscribe@googlegroups.com ou ecodebate@ecodebate.com.br. O seu e-mail será removido e você receberá uma mensagem confirmando a remoção. Observe que a remoção é automática mas não é instantânea.

Top