Índios e quilombolas de Oriximiná vêm a São Paulo divulgar sua luta

 

Evento marcou o lançamento do livro “Entre águas bravas e mansas. Índios & quilombolas em Oriximiná” produzido para apoiar a aliança indígena-quilombola.

No último dia 8 de outubro, a Comissão Pró-Índio de São Paulo e o Iepé – Instituto de Pesquisa e Formação Indígena promoveram a “Conversa com Índios e Quilombolas de Oriximiná” com o apoio do Centro de Estudos Ameríndios (CEstA) da Universidade de São Paulo.
O evento, que reuniu cerca de 120 pessoas na Ciências Sociais da USP, teve duplo objetivo: divulgar a campanha dos índios e quilombolas de Oriximiná pela regularização de suas terras e lançar o livro “Entre águas bravas e mansas. Índios & quilombolas em Oriximiná”

Esse evento foi muito especial, ver a sala cheia, todo mundo apoiando”, Nilza Nira Melo de Souza, liderança do Quilombo Jauari.

Foto: Carlos Penteado
Abaixo-assinado: Dilma e Jatene regularizem as terras indígenas e quilombolas de Oriximiná
As seis lideranças indígenas e quilombolas presentes solicitaram o apoio de toda a sociedade na assinatura e divulgação do abaixo assinado dirigido ao governo federal e ao governo do Estado do Pará onde demandam a imediata titulação/demarcação de suas terras.

Acesse o abaixo assinado aqui

Os processos de regularização das terras indígenas e quilombolas em Oriximiná foram abertos há mais de 10 anos, mas permanecem sem conclusão, deixando seus territórios vulneráveis ao avanço de grandes projetos de infraestrutura e dos empreendimentos de mineração.
Estou aqui [em São Paulo] pelo meu povo quilombola porque a titulação da nossa terra é importante por conta da pressão que sofremos. Nós somos fruto da floresta, nós sobrevivemos da floresta. Se tomarem a nossa terra para onde vamos?”, questionou Aluízio Silvério dos Santos, morador do Quilombo Tapagem, coordenador da Associação Mãe Domingas.
Lutamos por um objetivo comum que é a garantia dos nossos territórios, sem isso não temos como falar de outros direitos, sem isso não temos como garantir nossa sobrevivência, manter a nossa cultura e espiritualidade” afirmou Ângela liderança do povo indígena Kaxuyana, presente no lançamento.
“Sem território, não temos garantia da nossa sobrevivência, não chega política pública, não tem saúde, educação”, complementou Juventino  Pesirima Kaxuyana, presidente da AIKATUK – Associação dos Povos Indígenas Kaxuyana, Kahyana e Tunayana.
Rosa Kamayu Tiriyó declarou em sua língua que veio de longe porque a luta pela terra é importante para garantir o futuro de seus filhos, netos e toda a comunidade.
O Livro
A publicação vem em um momento oportuno para contribuir com a nossa luta e com o fortalecimento da união entre indígenas e quilombolas. O livro retrata toda a construção da nossa história” afirmou Ângela Kaxuyana.
Um dos objetivos da publicação, de acordo com Lúcia Andrade, coordenadora da Comissão Pró-Índio de São Paulo, é tornar a realidade dessas comunidades mais conhecida. “É importante mostrar que nessa floresta existe gente, que a Calha Norte do Pará não é apenas o espaço das Unidades de Conservação. A Comissão Pró-Índio acredita que o livro pode ajudar as pessoas a conhecerem, respeitarem e serem mais solidárias com os povos indígenas e quilombolas de Oriximiná”, disse. Ângela reforçou a questão: “quem olha no mapa da região conhecida como Calha Norte, vê aquela floresta toda, não sabe que ali tem gente, tem uma diversidade étnica, cultural de diferentes povos.”
Há vinte anos atrás se chegasse um pesquisador pedindo para fazer um livro sobre a nossa comunidade seria diferente, mas agora a nossa prioridade é divulgar a nossa realidade para conseguirmos apoio e ter as terras tituladas e demarcadas”, pontuou Nilza.
Esse livro registra a nossa história de união entre quilombola e indígena. Eu acredito que ele vai levar mais longe a nossa história, e com isso as pessoas podem nos apoiar porque a nossa prioridade agora é a nossa titulação e demarcação”, disse Francisco Hugo de Souza, morador do Quilombo Jauari, presidente da Cooperativa Mista Extrativista dos Quilombolas do Município de Oriximiná (CEQMO).
O livro e o evento foram realizados com o apoio financeiro de Christian Aid e ICCO.
Redação: Bianca Pyl

in EcoDebate, 14/10/2015


[ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Inclusão na lista de distribuição do Boletim Diário da revista eletrônica EcoDebate

Caso queira ser incluído(a) na lista de distribuição de nosso boletim diário, basta enviar um email para newsletter_ecodebate+subscribe@googlegroups.com . O seu e-mail será incluído e você receberá uma mensagem solicitando que confirme a inscrição.

O EcoDebate não pratica SPAM e a exigência de confirmação do e-mail de origem visa evitar que seu e-mail seja incluído indevidamente por terceiros.

Remoção da lista de distribuição do Boletim Diário da revista eletrônica EcoDebate

Para cancelar a sua inscrição neste grupo, envie um e-mail para newsletter_ecodebate+unsubscribe@googlegroups.com ou ecodebate@ecodebate.com.br. O seu e-mail será removido e você receberá uma mensagem confirmando a remoção. Observe que a remoção é automática mas não é instantânea.

Alexa

Um comentário em “Índios e quilombolas de Oriximiná vêm a São Paulo divulgar sua luta

  1. A demarcação de reservas indígenas foi criada pelo governo norte-americano para proteger os índios após o genocídio da conquista do Oeste.
    No Brasil, a demarcação de terras indígenas é feita de forma diferente. Os índios tem o usufruto da terra, mas está pertence ao país.
    Ao longo desses 500 anos após a “descoberta” por Cabral, a situação mudou muito. A princípio, os índios eram nômades e mudavam constantemente assim que a caça e a pesca escasseavam. Hoje, precisam dividir o território com outros brasileiros que também necessitam de terra. A expulsão dos arrozeiros de Roraima demonstrou, a meu ver, uma falta de diálogo que permita a convivência pacífica entre povos de etnias diferentes.
    Quanto aos quilombolas, a situação e diversa. Seus antepassados fugiram da escravidão vergonhosa a que foram submetidos e criaram comunidades onde pudessem resistir.
    Abolida a escravidão, muitas dessas comunidades ainda persistem e a Constituição de 1988 garantiu-lhes a posse da terra.

Comentários encerrados.

Top