Produção de húmus, artigo de Roberto Naime

 

Caixa de compostagem. Foto: Minha Horta Suspensa – http://hortasuspensaquintal.blogspot.com.br/

 

[EcoDebate] Segundo dados publicados no site da Associação Brasileira de Agricultura Orgânica, a produção de húmus a partir da vermicompostagem se profissionalizou, com mercado de anelídeos. Site do Diário do Comércio e Indústria estima movimentação de algumas centenas de milhões por ano.

Não é apenas na produção de substratos vegetais, mas também no uso para recuperação de áreas de diversas naturezas, e para recomposição física de solos vulnerabilizados por atividades de erosão ou mesmo lixiviação. Também contribui o enorme avanço da agricultura e da pecuária orgânicos no país, que geram demanda pela maior produção de húmus.

A presença de minhocas no solo auxilia na retenção de nutrientes variados, como potássio, nitrogênio, cálcio e fósforo, também auxilia na oxigenação ou aeração dos terrenos, com ampliação da porosidade dos solos e até mesmo na fixação de moléculas de umidade. Além de atuarem nos solos e na vermicompostagem, as minhocas servem como iscas em anzóis de pesca e além do desenvolvimento de matrizes, são produzidas farinhas deste anelídeo para uso em rações animais.

Minhocas também são utilizadas para a alimentação de peixes ornamentais em aquários e como iguarias para espécimes de répteis e anfíbios, criados em condições domésticas, no interior ou no ambiente de residências. O húmus produzido pelas minhocas também é largamente utilizado para melhoria da qualidade das pastagens, sendo muito empregado em pecuária orgânica.

O húmus, bastante conhecido pela floricultura e o cultivo de plantas em vaso no ambiente doméstico, é produzido em canteiros de cultivo de minhocas e mais recentemente, numa tecnologia desenvolvida e patenteada por empresas, em colchões que funcionam como casulo, e que lembram piscinas plásticas vazias, nos quais se instalam minhocários. As minhocas se alimentam de resíduos orgânicos e produzem cerca de 50kg de húmus para cada metro quadrado de canteiros onde são cultivadas.

A comercialização realizada a granel para propriedades rurais e em embalagens pequenas para floriculturas ou para adição em vasos de folhagens, oscila para valores que se situam no intervalo entre hum mil ou dois mil reais a tonelada, de acordo com a região no primeiro caso, e para valores que se situam entre 2 e 4 reais o kg para comercialização no segundo caso, em embalagens plásticas, onde é necessário registro do produto, com a necessidade de ações de marketing, coordenadas e integradas.

O húmus da forma que se conhece, material muito enriquecido por matéria orgânica, é constituído pelos excrementos da minhoca. O húmus melhora muito as propriedades físicas, químicas e orgânicas do solo, tendo grande aceitação quando inserido na produção agrícola ou pecuária de natureza orgânica.

As minhocas se alimentam de vegetais na natureza, e nos criatórios são tratadas com resíduos sólidos de natureza orgânica, principalmente frutas, verduras e legumes em geral, além de esterco. Se reproduzem rapidamente. Existem centenas de espécies de minhocas no país, mas os tipos mais empregados na produção de húmus são a minhoca vermelha da Califórnia e a denominada minhoca gigante africana.

Site do jornal Gazeta Mercantil consultado indica que existem muitos empreendedores não tradicionais, sensibilizados pelas inúmeras vantagens já descritas do uso de húmus e mesmo dos anelídeos nos solos, onde os túneis que escava, auxiliam de maneira substancial na aeração dos solos e consequentemente na retenção de umidade e na germinação e desenvolvimento das espécies vegetais plantadas.

A divulgação de pesquisas realizadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por universidades e instituições privadas, além do grande número de empreendimentos orgânicos privados, estimulam a utilização do húmus, que já é bastante importante e relevante na Europa e Estados Unidos. O húmus como adubo pode ser empregado nos mais diversos cenários, como fazendas, hortos privados ou comunitários, chácaras, sítios, pesqueiros, posadas e até mesmo em campos cultivados para a prática de golfe.

Produtores estimam em 350, a média de quantidade de indivíduos anelídeos presentes por quilo de húmus considerado. Mesmo com a importância já descrita das minhocas, pode-se afirmar que ainda não existe mercado firme e consolidado para esta forma de substrato que tanto auxilia a recuperação e nas boas condições agrícolas dos solos para produção vegetal ou animal orgânica.

Ainda se verá um cenário que valoriza adequadamente a chamada adubação orgânica que em muito auxilia a recuperação dos solos e a capacidade de germinação e a retenção de nutrientes. Não adiantar inundar os terrenos com nitrogênio, que aliás pode ser produzido por bactérias desnitrificadoras locais, se os solos tiverem capacidade de retenção adequada destes organismos, e adicionar conjuntamente potássio e fósforo. Todos os 3 componentes quando resultantes de compostos onerosos de natureza petroquímica, são sujeitos a que na primeira chuvarada, possam sofrer lixiviação e remoção dos solos, fazendo com que boa parte dos nutrientes ofertados aos terrenos ali não permaneçam.

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Celebração da vida [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

 

in EcoDebate, 08/01/2015

Produção de húmus, artigo de Roberto Naime, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 31/07/2015, https://www.ecodebate.com.br/2015/07/31/producao-de-humus-artigo-de-roberto-naime/.


[ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Inclusão na lista de distribuição do Boletim Diário da revista eletrônica EcoDebate

Caso queira ser incluído(a) na lista de distribuição de nosso boletim diário, basta enviar um email para newsletter_ecodebate+subscribe@googlegroups.com . O seu e-mail será incluído e você receberá uma mensagem solicitando que confirme a inscrição.

O EcoDebate não pratica SPAM e a exigência de confirmação do e-mail de origem visa evitar que seu e-mail seja incluído indevidamente por terceiros.

Remoção da lista de distribuição do Boletim Diário da revista eletrônica EcoDebate

Para cancelar a sua inscrição neste grupo, envie um e-mail para newsletter_ecodebate+unsubscribe@googlegroups.com ou ecodebate@ecodebate.com.br. O seu e-mail será removido e você receberá uma mensagem confirmando a remoção. Observe que a remoção é automática mas não é instantânea.

Alexa

6 comentários em “Produção de húmus, artigo de Roberto Naime

  1. O lodo da estação de tratamento de esgoto é um ótimo material para a produção de húmus, bastando a adição de grama, capim ou outro material contendo carbono.

  2. Agradeço muito a indicação e vou procurar o vídeo. Nesta pequena e simples temática, com certeza, existe uma revolução que ainda está por acontecer…

    Grande abs…

    RNaime

  3. Muito inspirador o artigo e também os comentários! A respeito do lodo, mesmo reconhecendo o valor das minhocas, pondero sobre seu potencial para purificá-lo. Em outras palavras, qual seria a eficácia das minhocas na eliminação de organismos patogênicos? Aparentemente, ainda temos pouca pesquisa relacionada.

  4. Desconheço a eficácia das minhocas na eliminação de patógenos. Acho que não são eficientes nisso.

    Mas existem grande quantidade de bactérias que são eficientes e poderiam ser adicionadas…

    Grande abs…

    RNaime

  5. A CAESB, de Brasília, fez uma pesquisa em que as minhocas eliminam os cistos e oocistos de protozoários existentes no lodo.
    A única exigência que se faz é que as minhocas sejam usadas exclusivamente para essa finalidade.
    Não vale usar algumas dessas minhocas como isca…

Comentários encerrados.

Top