Tecnologias do Plano ABC têm alto potencial de mitigação de gases de efeito estufa na agropecuária

 

Estudo do Observatório ABC estima redução de 1,8 bilhão de toneladas de CO2 em onze anos com adoção de técnicas sustentáveis

O potencial de mitigação das emissões de gases de efeito estufa (GEE) da agropecuária brasileira é dez vezes maior do que a meta estipulada pelo Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono), e pode chegar a 1,8 bilhão de toneladas de CO2 equivalente entre 2012 e 2023, apenas pela adoção de três das tecnologias preconizadas pelo ABC – recuperação de pastagens, integração lavoura-pecuária e integração lavoura-pecuária-floresta – em 52 milhões de hectares de pastos degradados.

Esta é a principal conclusão do estudo “Invertendo o sinal de carbono da agropecuária brasileira – Uma estimativa do potencial de mitigação de tecnologias do Plano ABC de 2012 a 2023”, lançado pelo Observatório ABC ontem, 01/07, em São Paulo. Coordenado pelo pesquisador da Embrapa, Eduardo Assad, o estudo projeta os resultados em dois cenários: com e sem a adoção de tecnologias que reduzem as emissões de GEE. O cálculo considerou a expansão da agropecuária brasileira prevista para os próximos 11 anos, segundo estimativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Para Eduardo Assad, os dados mostram que as emissões da agropecuária são neutralizadas pelas tecnologias de baixa emissão de carbono, já considerando o aumento do número de animais no sistema produtivo. “Apesar do aumento das emissões pela fermentação entérica, as mesmas são neutralizadas pelo alto armazenamento de carbono no solo devido ao manejo correto dessas tecnologias de baixa emissão em comparação ao estoque de carbono no solo de pastos degradados”, esclarece Assad.

O estudo aponta que, com a tecnologia de recuperação de pastagens aplicada em 75% da área de pastos degradados e com a implantação da integração lavoura-pecuária e da integração lavoura-pecuária-floresta nos 25% restantes, seria possível evitar emissões de 670 milhões de toneladas de CO2 equivalente e, ainda, armazenar 1,10 bilhão de toneladas de CO2 no solo (cerca de 100,2 milhões de toneladas por ano).

Os dados são estratégicos para a economia e a segurança alimentar do Brasil. Isso porque o setor agropecuário é o segundo principal emissor de GEE, respondendo por 32% do total nacional. Entre 2005 e 2010, as emissões do setor subiram de 415,754 milhões para 472,734 milhões de toneladas de CO2 equivalente, segundo o 3o Inventário Brasileiro de Emissões (BRASIL, 2015). Com a crescente demanda mundial por alimentos pressionando cada vez mais a expansão da agropecuária, essas emissões tendem a crescer ainda mais.

A região prioritária para a recuperação de pastos ou avanço da agricultura de baixa emissão de carbono é o Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás), que concentra 34,4% do rebanho nacional, e os estados de Minas Gerais, Bahia e Pará, que apresentam maiores áreas de pasto degradado.

Entre as culturas analisadas, o milho foi a principal fonte de emissões de GEE, devido à maior área plantada, contribuindo com aproximadamente 9 milhões de tCO2eq. entre 2012 e 2023. A soja, principal cultura agrícola de exportação do País, não teve emissões significativas por utilizar a fixação biológica de nitrogênio (FBN), tecnologia que dispensa a aplicação de fertilizantes nitrogenados (principal fonte de emissão direta de GEE na produção vegetal) para essa lavoura. Em todos os casos, o rebanho bovino é a principal fonte de emissões.

Entre as regiões do País, o Sudeste foi o principal emissor no cenário sem a expansão das tecnologias de ABC. O total de emissões de GEE acumuladas na região no período entre 2012/13 e 2022/23 foi de 219,6 milhões de tCO2eq. Em segundo lugar, ficou o Centro-Oeste (218 milhões de tCO2eq.), seguido pelo Nordeste (125 milhões de tCO2eq.), pelo Norte (117 milhões de tCO2eq.) e pelo Sul (14 milhões de tCO2eq.).

Colaboração de Kellen Leal, para o Portal EcoDebate, 06/07/2015


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