Desperdício: Perdas na produção de trigo no RS superam 10%

 

Perdas nas plantações do RS são superiores a 10% do total produzido nas fazendas

Pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, estudaram a logística do trigo no estado do Rio Grande do Sul, principal produtor de trigo no Brasil. A pesquisa conduzida pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (Esalq-Log) da Esalq, em parceria com a University of Illinois at Urbana-Champaign (UIUC), nos Estados Unidos, procurou identificar os pontos da cadeia produtiva em que acontece maior perda de grãos. O levantamento estima que as perdas são superiores a 10% do total de trigo produzido nas fazendas e ocorrem principalmente após a colheita e devido às condições de armazenamento.

Em fevereiro de 2014, o professor José Vicente Caixeta Filho, coordenador do Esalq-Log, acompanhado da pesquisadora Daniela Bacchi Bartholomeu, também do Esalq-Log, visitou a UIUC, nos Estados Unidos. Na oportunidade, foi firmada uma parceria específica para o desenvolvimento de estudo-piloto para observar perdas nas etapas pós colheita e os aspectos logísticos da produção do trigo no Rio Grande do Sul.

“No estudo, o foco foi dado no que diz respeito às perdas nesse processo. Assim caracterizamos e mensuramos quanto de trigo é perdido no Rio Grande do Sul, desde a saída do produto da origem (fazendas) até sua chegada aos moinhos”, conta Fernando Rocha, um dos pesquisadores envolvidos. Segundo Rocha, desde o início a pretensão estava em identificar qual o elo da cadeia logística em que as perdas são maiores. “Isso possibilita apresentar contribuições para a minimização dessas perdas, contribuindo para a segurança alimentar”, complementa.

A análise conjunta de toda a cadeia mostrou que as perdas atingem números significativos. “As estimativas mostram que as perdas, do produtor até as cooperativas, podem passar de 10% do total produzido nas fazendas Isso representa perda de receita por parte dos agentes, e reduz a sustentabilidade do sistema agroindustrial como um todo. Além disso, reduções nesse número são muito importantes, ainda mais quando se tem em mente o total de pessoas que passam fome no Brasil e no mundo”, reforça Rocha.

Armazenamento
De acordo com o Esalq-Log, as perdas na fazenda, ainda no processo de colheita ficam em torno de 6%, enquanto que outros 5% são perdidos nas cooperativas devido as más condições de armazenamento. Na etapa de transporte, ocorre ainda a perda de 0,5% do total carregado no caminhão durante o percurso entre as fazendas e as cooperativas. “As más condições das estradas e dos ativos de transporte, caminhões em 100% dos casos, potencializam esse número”, aponta Rocha.

De início, os pesquisadores levantaram dados a partir da internet e também por consultas telefônicas, o que permitiu um entendimento maior da dinâmica da cadeia de trigo no Brasil e no Rio Grande do Sul. Passada essa etapa, uma viagem de campo foi realizada ao estado alvo da pesquisa, onde foram conduzidas entrevistas com os principais agentes envolvidos nessa cadeia agroindustrial.

Na viagem, ocorrida em julho de 2014, foram percorridos mais de 1.000 quilômetros. “Nessa etapa foram feitas entrevistas com representantes de moinhos de trigo, cooperativas, produtores rurais, traders, empresas transportadoras e terminais portuários, as quais permitiram um conhecimento detalhado do funcionamento da logística do trigo no estado, bem como seus principais gargalos. Além disso, informações sobre as perdas em cada etapa da logística também foram levantadas na viagem de campo”, explica Fernando Rocha.

Em janeiro de 2015, os pesquisadores Fernando Rocha, Elaine Paturka, Felipe Avileis e Marina Elias foram até Urbana-Champaing apresentar o trabalho para pesquisadores daquela instituição. Na mesma viagem, os alunos tiveram a oportunidade de participar na 94ª conferência anual do Transportation Research Board (TRB), em Washington (Estados Unidos). Do Esalq-Log estão envolvidos ainda o coordenador Thiago Péra, a pesquisadora Daniela Bacchi Bartholomeu, e, da Universidade de Illinois o professor Luiz Rodriguez.

Foto: Caio Albuquerque / Esalq

Fonte: Agência USP de Notícias

Publicado no Portal EcoDebate, 13/03/2015


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