Órgãos e institutos ambientais apresentam dados sobre matança de botos no AM

 

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Foto: http://bit.ly/182XFYI

 

Audiência pública realizada na manha desta terça-feira, 1º de outubro, é um desdobramento de inquérito civil público que investiga a prática ilegal

A convite do Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM), representantes de entidades da classe dos pescadores, de órgãos públicos estaduais e federais e de entidades da sociedade civil voltados à proteção do meio ambiente participaram de audiência pública realizada na sede do órgão, nesta terça-feira, 1º de outubro, para discutir a prática ilegal de matança dos botos no Amazonas. O evento é um desdobramento de inquérito civil público instaurado em 2012 pelo MPF para investigar a prática ilegal já identificada em diversas regiões do Estado.

O procurador da República Rafael da Silva Rocha, responsável pela condução do inquérito civil público que motivou o evento, destacou que o objetivo principal do MPF com a audiência é colher mais dados, sugestões e indicações de possíveis causas, circunstâncias e desdobramentos relacionados à caça de botos no Amazonas, para subsidiar a investigação existente, e também estabelecer o diálogo entre as instituições e a sociedade. “Não basta apenas apurar eventuais denúncias de falta de fiscalização ou responsabilizar por eventual omissão nesse sentido. Nosso objetivo é estabelecer uma parceria com todos os órgãos públicos e com a sociedade para que seja possível fazer cessar essa prática de matança de botos, identificar as causas e combatê-las”, disse.

A audiência contou com a participação de representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Associação Amigos do Peixe Boi, Instituto Piagaçu, Instituto Mamirauá, Federação dos Pescadores do Estado do Amazonas, Batalhão Ambiental da Polícia Militar e proprietários de frigoríficos.

Em função de informações sobre a ocorrência da prática em diversos municípios do Estado, a audiência pública foi realizada em conjunto pelas Procuradorias da República no Amazonas (PR/AM) e nos municípios de Tabatinga (PRM/TBT), representada pela procuradora da República Camila Bortolotti, e Tefé (PRM/TFF), representada pela procuradora da República Paula Cristine Bellotti.

Isca para pesca – As falas de todos os participantes da audiência, em especial dos institutos de pesquisas e órgãos de fiscalização, indicaram o uso da carne de botos como isca para pesca da espécie de peixe conhecida por piracatinga como o principal motivo para a matança que está ocorrendo no Amazonas e também no Pará. A espécie é considerada de baixo valor econômico e tem pouca aceitação no Brasil. De acordo com as pesquisas apresentadas, a maior parte do estoque de piracatinga pescado no Estado é exportado para outros países, como a Colômbia.

De acordo com o pesquisador do Instituto Mamirauá Robinson Botero-Aria, que participou de pesquisas sobre a pesca da piracatinga na região do Médio Solimões, próximo ao município de Tefé, a prática ilegal é motivo de preocupação na região desde 2002. “Além dos botos, um volume expressivo de jacarés têm sido mortos na região com a mesma finalidade. É preciso estender esse olhar também para os jacarés”, acrescentou.

A dificuldade de obter flagrantes da prática foi citada pelo superintendente do Ibama no Amazonas, Geandro Pantoja, como um entrave para identificar os responsáveis pela matança de botos e obter mais informações sobre a cadeia comercial da piracatinga pescada com a carne desses animais. Para ele, a parceria proposta pelo MPF na audiência entre os institutos de pesquisa, comunitários, pescadores e órgãos públicos de defesa do meio ambiente é o caminho para combater a prática no Amazonas.

Estimativas realizadas a partir de pesquisa do Instituto Piagaçu, responsável pelo gerenciamento de uma unidade de conservação no rio Purus, dão conta de que até 2,5 mil botos por ano podem estar sendo utilizados na pesca da piracatinga comercializada na região de Manaus. Segundo a pesquisadora Sane Brum, foram identificados vários locais dentro da reserva nas quais barcos pesqueiros faziam a captura de botos, com relatos de até 40 animais capturados em uma única investida. “Medidas urgentes são necessárias para cessar essa prática insustentável. Precisamos entender a cadeia produtiva e saber mais sobre a biologia da piracatinga, mas é preciso tomar medidas imediatas para proteger os golfinhos da Amazônia”, disse.

O presidente da Federação de Pescadores do Amazonas, Walzenir Falcão, declarou durante o evento que a classe é contra a utilização de botos ou quaisquer outros animais de caça proibida como isca para pesca e defendeu a união de esforços para buscar uma alternativa a ser usada como isca para a piracatinga. “O que não queremos é que o pescador seja prejudicado com mais uma proibição de pesca, já que o problema não é a pesca da piracatinga. Defendemos a legalidade da atividade antes de qualquer coisa e todos membros da federação são orientados nesse sentido”, defendeu Falcão.

Investigação – De acordo com o procurador da República Rafael Rocha, as informações reunidas durante a audiência serão analisadas para que o MPF decida sobre os próximos passos a serem dados na investigação em tramitação. “Colhemos dados relevantes e informações que certamente nos auxiliarão na busca pelas causas e construção coletiva dos instrumentos que auxiliarão no combate à essa prática criminosa”, finalizou.

Fonte: Procuradoria da República no Amazonas

EcoDebate, 02/10/2013


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Alexa

Um comentário em “Órgãos e institutos ambientais apresentam dados sobre matança de botos no AM

  1. É muito triste e lamentável que no século 21, pessoas assassinem animais para servirem de isca para pesca de uma espécie de peixe. Infelizmente por trás disso tudo sempre vem o dinheiro.
    Talvez a proibição comercial deste pescado juntamente com um processo educacional e fiscalização eficiente com a perda dos apetrechos de pesca e permanente possa inibir tal matança.

Comentários encerrados.

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