Uso de alimentos transgênicos contrapõe opiniões de pesquisadores

 

Aumento da população mundial criará demanda por maior produção de alimento

 

Paulo Kageyama
Paulo Kageyama. Foto: Nivaldo Silva / Repórter do Futuro, no Flickr.

 

[Por Gemma Macellaro, para o EcoDebate] Diante das estimativas da ONU (Organização das Nações Unidas) a população mundial chegará a 9,6 bilhões de pessoas em 2050. Esse cenário demandará uma maior produção de comida, colocando em discussão o papel dos alimentos transgênicos. O número de pessoas que não têm acesso adequado à comida em 2010 foi de 925 milhões de pessoas segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura). Assim, a fome está entre as dez maiores causas de morte no mundo, na frente da AIDS, malária e tuberculose juntas.

Alguns pesquisadores acreditam que organismos geneticamente modificados (OGMs) poderiam resolver o problema devido à rápida produção. Países como Estados Unidos e Argentina têm usado a técnica para aprimorar sua produtividade nos últimos anos e têm obtido safras recorde. O biólogo e pesquisador do IPCC (sigla em inglês para Painel Internacional de Mudanças Climáticas), Marcos Buckeridge, defende a ideia de que o Brasil deveria seguir o exemplo desses países “pois não há como produzir tanto alimento de maneira convencional”, afirma.

O Brasil é um dos poucos países com grandes áreas cultiváveis e segundo Marcos Buckeridge, a biotecnologia será benéfica para o Brasil. “Uma planta geneticamente modificada cresce 30% mais rápido do que uma planta convencional. Além disso, seu uso na região agrícola brasileira beneficia o país, porque não causaria impacto ambiental”.

No entanto, existem controvérsias quanto ao uso de alimentos transgênicos e suas consequências para a natureza e saúde humana. Os dois principais transgênicos, soja e milho, são associados com agrotóxicos, ou seja, eles são criados com uma pré-resistência através de novas enzimas oriundas de bactérias ou outros seres vivos. No Brasil, a Lei de Biossegurança (11.105/05) exige que qualquer organismo geneticamente modificado passe pela avaliação criteriosa da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança).

Porém, para o engenheiro agrônomo e pesquisador da ESALQ-USP, Paulo Kageyama, agrotóxicos usados em grande escala provocam doenças mais graves como câncer, além de doenças estranhas como a doença da vaca louca. Ele questiona se o mundo realmente precisa produzir mais comida. Segundo Kageyama “não falta alimento, pois a produção alimentícia cresceu 46%, enquanto a população aumentou 26% nos últimos anos. Enquanto isso, o desperdício de comida é brutal por parte dos países mais ricos. O problema da fome é decorrente das diferenças de distribuição de renda”. Ele ainda afirma que “os alimentos produzidos agroecologicamente, os orgânicos, estão nas gôndolas dos supermercados a altos custos e somente a classes mais altas podem adquirir esses produtos. Para reverter esse processo, a agricultura familiar deve ser valorizada no Brasil”.

Gemma Macellaro, é estudante de Jornalismo pela Universidade Anhembi Morumbi e participa do curso “Descobrir-se Repórter – Descobrir a Amazônia” pela Oboré Projetos Especiais em Comunicações e Artes

 

EcoDebate, 18/06/2013


[ O conteúdo do EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, ao EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Inclusão na lista de distribuição do Boletim Diário do Portal EcoDebate
Caso queira ser incluído(a) na lista de distribuição de nosso boletim diário, basta clicar no LINK e preencher o formulário de inscrição. O seu e-mail será incluído e você receberá uma mensagem solicitando que confirme a inscrição.

O EcoDebate não pratica SPAM e a exigência de confirmação do e-mail de origem visa evitar que seu e-mail seja incluído indevidamente por terceiros.

Remoção da lista de distribuição do Boletim Diário do Portal EcoDebate
Para cancelar a sua inscrição neste grupo, envie um e-mail para ecodebate@ecodebate.com.br. O seu e-mail será removido e você receberá uma mensagem confirmando a remoção. Observe que a remoção é automática mas não é instantânea.

Alexa

3 comentários em “Uso de alimentos transgênicos contrapõe opiniões de pesquisadores

  1. Acho muito estranho ver esse tipo de reportagem que não comenta a real destinação dos grãos produzidos, que é ração animal. Qualquer ambientalista que se preze, defenderia o emprego desses grãos na alimentação humana e redução do consumo de produtos animais. Só isso já faria sobrar alimentos no planeta e a discussão pela necessidade de aumento da produção agrícola perde sentido. A alimentação baseada na proteína animal é a coisa mais ineficiente e improdutiva no sentido econômico que pode haver… Reportagem superficial essa….

  2. Comentários (1)

    1.
    Daniel disse:

    18/06/2013 às 11:51

    Acho muito estranho ver esse tipo de reportagem que não comenta a real destinação dos grãos produzidos, que é ração animal. Qualquer ambientalista que se preze, defenderia o emprego desses grãos na alimentação humana e redução do consumo de produtos animais. Só isso já faria sobrar alimentos no planeta e a discussão pela necessidade de aumento da produção agrícola perde sentido. A alimentação baseada na proteína animal é a coisa mais ineficiente e improdutiva no sentido econômico que pode haver… Reportagem superficial essa….

    – See more at: http://www.ecodebate.com.br/2013/06/18/uso-de-alimentos-transgenicos-contrapoe-opinioes-de-pesquisadores/#sthash.CErn8zec.dpuf

    Concordo plenamente com o comentário do Daniel acima;
    o uso de carne na alimentação é extremamente disperdicioso e ineficiente. A proporção nutritiva (proteina, etc.) de alimento vegetal (grãos – milho, feijões, etc) gira em torno de 10 a 20 à mais que esses mesmos alimentos usado para alimentar animais (gado, etc.). Em outras palavras, nos alimentando desses grãos (entre outros tantos), economizariamos até 20 vezes o custo (econômico e ambiental) do hábito – vício de comer carne.
    Carne é um alimento de 2a mão, um resultado da ação metabólica de passer pelo trato digestivo e do metabolism do animal – o que produz a ‘carne’, um produto cheio de colesterol e sub-produtos metabólicos do animal de origem.
    São produzidos muitos elementos nocivos á saúde, pois na hora do abate dos animal, o sangue se torna tóxico, e a ‘carne’ imediatamente inicia a sua decomposição (processo de apodrecimento anaeróbico devido á falta de oxigenação pela parade cardiaca da circulação sanguínea)
    Por isso, pelo bem da humanidade e das futuras gerações, devemos abandoner esse hábito (vício) de se alimentar com produtos de segunda mão – as carcaças de vacas mortas…
    (perdão pela explícita discrição, mas é verídico, e urgente a transição para hábitos mais saudáveis – para nós, e pçrincipalmente para as futuras gerações.
    É um assunto sensível para muitos, mas precisamos nos adequar à novos tempos, de saúde, economia e conservação ambiental.

  3. Peter Midiff, excelente complemento ao comentário e à matéria. Assunto pouco tratado aqui no site e tremendamente relevante. Infelizmente é Tabu, pois esbarra em vícios pessoais. Creio que se essa consciência despertasse nas pessoas, teríamos um mundo bem melhor. Tenho esperança que uma revolução realmente marcante acontecerá baseada nesses fundamentos: respeito à vida, saúde pessoal e saúde global (ecologia). Sinceramente não consigo entender porque as pessoas tem tanta resistência à essa mudança em seus hábitos alimentares. As informações são tantas e tão favoráveis à isso que mesmo uma ou outra sendo exagerada, o conjunto do pensamento em defesa do veganismo é irrefutável. O planeta e as gerações futuras agradecem.

Comentários encerrados.

Top