Baixa na produção mundial de alimentos preocupa

 

Marcos Buckeridge, professor do Departamento de Botânica da Universidade de São Paulo (USP). Foto: Foto: Nivaldo/ Repórter do Futuro, no Flickr
Marcos Buckeridge, professor do Departamento de Botânica da Universidade de São Paulo (USP). Foto: Foto: Nivaldo/ Repórter do Futuro, no Flickr

 

[Por Carlos Chicuambi, para o EcoDebate] “O mundo terá de aumentar a produção de alimentos em 70% até 2040 para atender à demanda”, afirmou Marcos Buckeridge, professor do Departamento de Botânica da Universidade de São Paulo (USP), durante conferência no Instituto de Estudos Avançados (IEA), realizada em 8 de junho. Atualmente considera-se o Brasil como o “pilar” da produção agrícola mundial, mas ele “ainda não está preparado para melhorar a redistribuição alimentícia, em consequência das políticas agrárias do país”, comentou Buckeridge.

Segundo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), divulgado na semana passada, a produção agrícola mundial crescerá apenas 1,5% ao ano, na próxima década. Ou seja, mais lentamente em comparação com o crescimento anual de 2,1%, ocorrido entre 2003 e 2012.

Buckeridge acredita que a falta de regiões com estabilidade política, além do Brasil, para o aumento da produção agrícola no planeta, será determinante para esta redução. Para as duas entidades internacionais, OCDE e FAO, a expansão reduzida das terras agrícolas, a alta dos recursos de produção, a crescente escassez de recursos e o aumento das pressões ambientais figuram entre os fatores que determinam este resultado.

A oferta de produtos básicos agrícolas crescerá ao ritmo da demanda mundial, e espera-se que os preços se mantenham em níveis elevados, por um curto período, aponta o relatório. No entanto, especialistas advertem que uma seca generalizada, como a de 2012, unida às baixas reservas de alimentos, poderia aumentar os preços mundiais de 15% à 40%.

Em nota publicada pela agência internacional de notícias AFP, José Graziano da Silva, diretor geral da FAO, afirma que “os preços elevados dos alimentos são um incentivo para aumentar a produção e temos que fazer o possível para garantir que os agricultores pobres se beneficiem deles”.

Após ser destacado como “exemplo no combate ao desperdício de comida” pela FAO, o Brasil cria a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anatur) para reforçar o apoio à agricultura familiar, considerada por especialistas como “a principal fontes de alimentos consumidos pelo brasileiro”.

Segundo a Agência Brasil, a presidente Dilma Rousseff disse que a nova agência dará “braços e pernas” às tecnologias desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para aumentar a produtividade. “A Anatur é um órgão de difusão de tecnologia, concentrado, sobretudo nos pequenos e médios produtores, porque nós mudamos o patamar. Com a tecnologia, se produz, na mesma área, mais e melhor, diminuindo os custos de produção”, comentou a presidente.

O relatório aponta também que o consumo dos principais produtos agrícolas aumentará mais rapidamente na Europa Oriental e Ásia Central, seguidas da América Latina e outros países asiáticos.

Carlos Chicuambi é estudante do 7º Semestre de Jornalismo pela Universidade Nove de Julho, no Campus Memorial – SP e participa da 7ª Edição do Curso de Complementação Universitária “Descobrir a Amazônia, Descobrir-se Repórter” do Projeto Repórter do Futuro, realizado no Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA) e pela OBORÉ.

 

EcoDebate, 12/06/2013


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