Saúde de trabalhadores do amianto ganha destaque na edição da Radis de novembro

 

Terceiro maior produtor de asbesto do mundo e registrando consumo de quase 1kg da substância por habitante ao ano, o Brasil hoje trava uma luta pelo banimento da fibra. Toda essa produção encontra-se nas instalações e equipamentos espalhados em diferentes locais, o que ultrapassa as áreas de trabalho e aumenta o risco para a população ambientalmente exposta. Várias doenças, como a asbestose, placas pleurais, câncer de pulmão e mesotelioma, podem ser ocasionadas pela exposição dessa substância na saúde dos trabalhadores. Foi justamente sobre esse assunto que a Revista Radis de novembro (número 122), disponível no Portal ENSP, pautou sua reportagem de capa, ao entrevistar diversas pessoas que adoeceram trabalhando na mina de Bom Jesus da Serra, no interior da Bahia.

A edição deste mês conta a história e o exemplo de luta de Alcides Silva, Juvenal Batista, Esmeraldo Teixeira e mais de 80 trabalhadores atingidos. A partir das evidências, a revista leva o leitor a formar sua opinião em relação ao banimento ou não do amianto – objeto de projetos de lei que se arrastam em Assembleias Legislativas e no Congresso Nacional. Em ações no Supremo Tribunal Federal, os Ministérios da Saúde, Trabalho e Previdência defendem a proteção da saúde da população e dos trabalhadores, em oposição aos Ministérios de Minas e Energia e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, cujo representante, em audiência no STF, usou um argumento  duvidoso em prol da continuidade das exportações. Defendeu os dólares “muito saudáveis” para a balança comercial brasileira.

Em reportagem sobre a palestra do sociólogo Luiz Eduardo Soares, durante o seminário a respeito das drogas, o entendimento das motivações que levam ao uso e até ao tráfico é abordado como essencial para estabelecer políticas de prevenção, redução de danos ou regulação. Da mesma forma, pensar as estratégias de comunicação necessárias às mudanças culturais que permitam um enfoque que não reforce estigmas nem estimule o próspero comércio de substâncias ilícitas e armas. A edição ainda comenta um estudo sobre uso de cocaína e derivados, que revelou ser o Brasil o maior mercado mundial de crack e o segundo maior de cocaína, atrás apenas dos Estados Unidos. Os dados do segundo Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), informam que o Brasil responde por 20% do comércio da droga no mundo, e 6 milhões de brasileiros (4% da população adulta) já experimentaram cocaína ou derivados alguma vez na vida. Ficou comprovado também que o contato com a droga começa em média antes dos 18 anos. Quase metade dos consumidores de cocaína (48%) tornou-se dependente. Para 78% dos usuários, encontrar a droga é fácil no Brasil.

A revista também destaca o protagonismo dos envolvidos com o Sistema Único de Saúde. Livro recente discute a construção do SUS em Mato Grosso, com destaque para o papel da participação social. No final dos anos 1980, o Jornal Proposta, do Radis, reportou a intensa mobilização de lideranças populares em reuniões comunitárias noturnas e em conselhos municipais – não só de Saúde -, assim como em ações de vigilância sanitária, educação e comunicação, quando um dos autores, Julio Müller Neto, era secretário de Saúde de Dante de Oliveira (o das “Diretas Já”) em Cuiabá.

A Radis de novembro pode ser acessada aqui.

 

 

Informe ENSP, publicado pelo EcoDebate, 08/11/2012

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