As empresas e o meio ambiente, artigo de Roberto Naime

 

[EcoDebate] O enfrentamento da questão sempre crescente da degradação ambiental identificada e o acolhimento da concepção de que a responsabilidade sobre a questão ambiental é solidária de toda a sociedade incluindo empresas, instituições e consumidores, e atinge o centro de uma consciência social que se articula e se desenvolve cotidianamente.

Os princípios do desenvolvimento sustentável continuam fiéis às concepções originais de Gros Harlem Brundtland, quando da realização do I Encontro sobre meio-ambiental patrocinado pela Organização das Nações Unidas (ONU): utilizar os recursos naturais de forma responsável, sem comprometer a sobrevivência das futuras gerações, ou seja, provendo para que não faltem os necessários recursos naturais para suprir as necessidades das gerações posteriores.

A preocupação de preservação ambiental tem encontrado uma parceria que se frutifica, na crescente percepção que as empresas tem de que o novo consumidor está cada vez mais disposto de atrelar à suas condutas de consumo uma visão de responsabilidade socioambiental. O consumidor tende a transformar cada atitude de consumo numa manifestação de um ato responsável, dando preferência a produtos e serviços que este mesmo consumidor percebe como ambientalmente sustentáveis e engajados em conceitos socioambientais que demonstrem responsabilidade.

Por isso as empresas demonstram estar cada vez mais conscientes de que devem associar as questões ecológicas com finalidades econômicas, criando sinergias que potencializem a intenção manifesta dos consumidores de associar responsabilidade socioambiental com atitudes de consumo.

Então processar programas de salvaguarda da biodiversidade, uso racional de água e energia e atitudes de redução de emissão de Gases de Efeito Estufa ( GEE) se tornam mais que iniciativas ambientais, se tornam ferramentas que vão auxiliar em muito o marketing a facilitar a vida de consumidores que manifestam cada vez mais claramente a intenção de fazer da atitude de consumo um gesto engajado na consciência social em construção.

Grandes empreendedores, como uma conhecida empresa do ramo de tintas, decidiu reaproveitar embalagens de garrafas descartáveis na composição de seus produtos. Isto significa uma notável evolução científica e tecnológica com intangíveis ganhos empresariais e sociais inseridos dentro de uma matriz de economia ambiental.

Ainda que não atualizados existem muitos dados disponíveis. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) destaca que investimentos na área que denomina de controle ambiental passaram de 2,2 bilhões no ano de 1997 para mais de 4,1 bilhões em 2002. Dobrando os valores em meia década. Neste período, o número de projetos classificados dentro desta rubrica passou de 3.823 para 6.691, representando uma alta de 86%, numa notável evolução.

Cada vez mais as empresas, organizações e instituições consideram os valores invertidos em programas ambientais como investimentos e não mais como custeios.

Na verdade todo o segmento empreendedor vem a reboque do consumidor, que já desenvolveu e maturou a concepção de que inversões ambientais significam investimento na qualidade de vida. Este mesmo consumidor disposto a fazer de seu gesto de consumo um manifesto público de compromisso com a responsabilidade socioambiental.

O meio ambiente que será herdado pelas futuras gerações que são nossos descendentes dependerá do que fizermos hoje. Com inversões e investimentos em tecnologias limpas, redução de emissão de gases de efeito estufa, ações consequentes, planejadas e sistêmicas de reciclagem e permanente economia de materiais e recursos naturais, a humanidade estará exercendo uma relevante contribuição para legar às futuras gerações um mundo melhor do que o atual.

Dr. Roberto Naime, Colunista do EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

EcoDebate, 13/03/2012

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Um comentário em “As empresas e o meio ambiente, artigo de Roberto Naime

  1. Além de tudo que o autor do artigo propõe, devemos acrescentar a necessidade de redução demográfica, até mesmo para que suas propostas tenham viabilidade.

    Mesmo que a população humana não continue crescendo, e se mantenha do tamanho que está, os problemas que hoje vivenciamos não poderão ser solucionados.

    Se não houver grande investimento objetivando a redução populacional, em pouco tempo, todo o nosso Planeta se tornará um deserto, e o oceanos em esgoto vão se transfomar, e a vida, a essa altura, aqui já não terá lugar. Tudo estará morto. Nem nós, nem nossos descentes, ninguem, nem um serzinho só, estará aqui para, perante o universo, testemunhar.

    Assim será, e medidas paliativas somente poderão retardar um pouco o fim inevitável.

    No mundo capitalista, as empresas só sobrevivem se obtiverem lucro, e elas sabem disso. Portanto, o objetivo principal das empresas é o lucro, e esse há que ser perseguido a qualquer custo. Quanto à preservação da vida, bem… o nosso tempo presente já nos deixa nos enganarmos.

    A questão da superpopulação humana na Terra se assemelha à da crença religiosa. Muitos sabem o mal que causam, mas ninguem (ou quase ninguem) diz nada. Parecem ser espaços “sagrados” onde não se pode entrar.

    FUI CLARO?

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