Investimentos em Ciência e Tecnolgia, artigo de Bruno Peron Loureiro

 

[EcoDebate] O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) informou que a Coreia do Sul investe mais em ciência e tecnologia que todo o conjunto da América Latina. Outras fontes notificaram também que o “Tigre Asiático” multiplicou por quarenta a renda per capita em pouco mais de sessenta anos e colhe os resultados de sua pujança econômica.

Basicamente o governo sul-coreano tem investido parte considerável do orçamento que resulta de seu crescimento econômico em setores estratégicos de inserção na globalização. A produção industrial em ascensão fomenta as políticas públicas em educação e inclusão digital e vice-versa de tal modo que os profissionais emergentes devolvem estes investimentos ao país e alçam a alavanca da economia.

Para efeito de comparação, a Coreia do Sul investiu 3,7% do Produto Interno Bruto em ciência e tecnologia em 2007, enquanto a média latino-americana era de 0,7% segundo o BID. O Brasil, dentre os países da região, tem sido o maior promotor da ciência com mais de 1,1% do PIB. Somos, assim, espectadores do triunfo das empresas sul-coreanas na América Latina: Hyundai, Kia Motors, LG, Samsung, e quem sabe qual será a próxima.

Ainda, a Coreia do Sul aderiu-se ao BID em março de 2005 e participa de vários projetos de assistência ao desenvolvimento econômico na América Latina. O país asiático doou US$ 200 milhões ao Banco para aplicação em projetos de redução da pobreza, apoio a pequenos negócios, transferência de conhecimento em ciência e tecnologia.

Os países latino-americanos participam timidamente do cenário mundial em pesquisa e desenvolvimento, se se considera a percentagem dos recursos de cada país e o número de publicações em revistas científicas. Algumas de nossas universidades, sobretudo as argentinas, brasileiras, chilenas e mexicanas, destacam-se entre as colocações como as melhores no mundo e têm conquistado espaços mais notórios.

Segundoa revista IDB America, a melhoria na qualidade de vida das pessoas e a competitividade na economia global dependem de quanto um país investe em ciência, tecnologia e inovação. Estes investimentos quase sempre trazem retornos positivos, embora a prazos médios e longos.

Gestores públicos de orientações ideológicas diversas reconhecem a importância do investimento em capacitação humana, embora alguns só o façam como pré-requisito do desenvolvimento econômico do país, ou seja, porque o setor produtivo demanda maior qualificação de seus profissionais para ganhar competitividade no mercado internacional.

Justifica-se o aumento de recursos destinados à ciência e tecnologia como caminho mais sensato para a melhora da qualidade de vida na América Latina e no mundo.Inventos facilitam a comunicação entre as pessoas, fazem-nas viver melhor, e curam doenças.

O governo brasileiro finalmente reconheceu que 1,1% do PIB é um investimento que não saciaria nem a sombra do adamastoriano Brasil. O Ministério da Ciência e Tecnologia lançou o programa Ciência sem Fronteiras, que, entre 2011 e 2014, fomentará a mobilidade internacional de pesquisadores brasileiros e despertará senso de inovação, qualificará a mão-de-obra de jovens cientistas para que trabalhem no Brasil.

Espera-se, com esta medida, dirimir parte dos obstáculos seguintes à pesquisa e o desenvolvimento em ciência e tecnologia: escassez de recursos e de políticas públicas estratégicas; articulação deficiente entre pesquisa e setor produtivo; falta de mecanismos de proteção à propriedade intelectual.

Para esta finalidade, é preciso convencer os beneficiários tradicionais dos recursos públicos de que não há dinheiro para todos e, portanto, os países latino-americanos deverão investir mais em setores estratégicos a fim de inserir-se em melhores condições no sistema “anárquico” internacional do cada um por si.

Não alcançaremos grandes alturas enquanto dependentes da boa vontade de países que, como a Coreia do Sul, aproveitaram bem seus recursos, treinaram seus filhos, oferecem-nos auxílios diminutos em projetos de desenvolvimento, e chegam com empresas bem consolidadas em busca do que temos em troca.

O arrependimento do que se deixou de fazer é improdutivo. Pior que isto é assumir o papel de meros “zappers” de um televisor da Samsung, usuário de um computadorda LG ou motorista de um moderno Hyundai Elantra. Queremos maior presença da América Latina nos avanços da ciência e a tecnologia.

Colaboração de Bruno Peron Loureiro, mestre em Estudos Latino-americanos, para o EcoDebate, 29/11/2011

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