Mato Grosso lidera desmatamento na Amazônia Legal, segundo Inpe. MMA investiga as razões do aumento

Mato Grosso foi o estado da Amazônia Legal onde ocorreu o maior desmatamento entre março e abril deste ano. Foram 480,93 quilômetros quadrados (km²) desmatados, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que mede o desmatamento com base em imagens de satélites e dados do sistema Deter.

No total, o desmatamento atingiu 593 quilômetros quadrados nos estados do Acre, de Mato Grosso, do Maranhão, Pará, de Rondônia e Roraima. Nos outros três estados da Amazônia Legal (Amapá, Amazônia e Tocantins) não houve registro de desmatamento. Os dados foram divulgados ontem (18) pelo Ministério do Meio Ambiente.

Além disso, houve um aumento no desmatamento, entre agosto de 2010 a abril de 2011, de 27% na comparação com o mesmo período de 2009 e 2010.

Desmatamento em Mato Grosso foi atípico, diz ministra do Meio Ambiente

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse ontem (18) que o desmatamento detectado em Mato Grosso (MT) foi atípico. Ela afirmou também que está tomando providências para saber o que motivou o aumento da área desmatada.

Segundo dados divulgados hoje, a área desmatada na Amazônia Legal atingiu 593 quilômetros quadrados (km²) no Acre, em Mato Grosso, no Maranhão, Pará, em Rondônia e Roraima. Além disso, houve aumento no desmatamento de 27% entre agosto de 2010 e abril de 2011 na comparação com o mesmo período anterior. O MT foi o estado o que teve a maior área desmatada, com 480,93 quilômetros quadrados desmatados.

“Ainda não podemos citar quais as razões para esse pico de desmatamento”, disse a ministra. De acordo com ela, a Secretário de Meio Ambiente de Mato Grosso informou que as s fazendas [onde houve o desmatamento] estão licenciadas e apresentam um perfil de desmatamento de áreas com mais de mil quilômetros quadrados, o que não acontece mais na Amazônia. “Hoje, estamos trabalhando com pequenas áreas.”

Conforme a ministra, no estado foi registrado uma redução de desmatamento em 62% dos municípios e 15% do desmatamento em novas áreas. Ela disse ainda que outro fator que chamou atenção foi o uso de correntes puxadas por tratores para derrubar árvores, o que não era verificado há muito tempo. Izabella adiantou que o estado vai apresentar, na próxima semana, um relatório sobre as áreas desmatadas.

“O governo estadual informou que o aumento [do desmatamento] é resultado de autorizações com base na legislação. Fui informada de que houve aprovação de uma lei estadual de zoneamento econômico e ecológico, que não foi formalmente apresentada ao governo federal”, assinalou a ministra.

Izabella disse ainda que 500 homens estão em Mato Grosso fiscalizando as áreas desmatadas. Também foi criado um gabinete de crise, que está se reunindo toda a semana para avaliar a situação do desmatamento nos estados. Fazem parte do gabinete os ministérios do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Polícia Federal, entre outros órgãos.

A ministra disse ainda que quem tiver gado ou platação em área desmatada vai ter o animal ou o produto apreendido e doado ao Programa Fome Zero. “Quem estiver desmatado para abrir pasto, vai ter o boi apreendido e doado ao Fome Zero. Quem tiver plantado em área desmatada, vai ter o produto doado para o Programa Fome Zero.”

Já o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse que será feito um histórico das áreas que estão sendo embargadas. A ideia, acrescentou, ele é documentar tudo o ocorreu nelas ao longo do tempo. Ele afirmou ainda que os fiscais que estão em campo serão informados em tempo real com imagens de satélite. No próximo ano, segundo ele, deverá ser lançado um satélite mais eficiente para monitorar as áreas desmatadas

Reportagem de Roberta Lopes, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 19/05/2011

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Um comentário em “Mato Grosso lidera desmatamento na Amazônia Legal, segundo Inpe. MMA investiga as razões do aumento

  1. O aumento do desmatamento em MT e outros estados era mais do que esperado. Desmatadores acreditavam em um perdão irrestrito dos seus crimes (acreditavam que o novo código os iria proteger). Mas será mesmo necessário aprovar leis que os protejam? Para que? A proteção já existe, ela implícita, tácita, permissiva e aceita. Os orgãos ambientais agem, multam. MULTAM – eis aqui a razão do aumento e continuidade dos desmatamentos – MULTAM MAS NÃO RECEBEM – Não doendo no orgão mais sensível do corpo humano – O BOLSO – de nada adiantará estes esforços coibitivos. Necessário se faz, com urgência, que se crie (Camara e Senado) mecanismos legais de se aplicar e RECEBER estas multas. Menos de 2% das multas aplicadas pelo IBAMA se transformam em reais penalizações. Enquanto o desmatador tiver a certeza desta proteção tácita, não conseguiremos debelar este mal.
    Conhecemos a patologia, conhecemos o remédio, so que, na hora de aplicar – O MÉDICO SUMIU – .

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