A ‘evolução’ humana apenas começou, artigo de Maurício Gomide Martins

[EcoDebate] O animal humano não foi criado, foi evoluído como toda a biodiversidade terrestre. Foi evoluído? Não. O homem está sendo evoluído; está atualmente num processo de evolução.

Biologicamente o homem alcançou um patamar de ponta, pois incorporou ao seu instrumental, além do posicionamento erétil, o que lhe proporcionou liberdade dos braços e destreza de movimento das mãos, também a fala, fato que marcou a abertura para sua evolução em um horizonte novo, o campo do intelecto.

O humano é um animal perfeito e acabado em sua estrutura corpórea, mas seu intelecto representa o primeiro degrau no desenvolvimento evolucionário para um nível energético superior. (se houver tempo para isso.)

A evolução, de modo geral, não se dá de forma lenta, constante e em todas as situações ambientais. Ela se manifesta em saltos, mas somente quando há estímulos exteriores, advindos de circunstâncias climáticas, sociais ou culturais. E cada salto se realiza por indivíduo e não coletivamente.

Na evolução mental, cada indivíduo que alcança uma progressão, dependendo de sua posição na sociedade a que pertence, tenta com êxito ou não transmiti-la por ação genética e cultural.

Se for um Alexandre da Macedônia, conquista um império e estimula as artes e ciências. Se for um Sócrates, ensina filosofia e alcança a cicuta. Se for um fenício obscuro, cria o alfabeto e alavanca o desenvolvimento cultural. Se for um Giordano Bruno, emergem-se as vaidades e rancores da fé religiosa, e o fogo vivo redime a alma enquanto sufoca e mata as mensagens da mente.

Assim, uns têm êxito em divulgar e transmitir seu progresso intelectual, o que impulsionará outras cabeças para percorrer mais degraus da evolução mental. Outros, por força de circunstâncias adversas, amargarão a incompreensão e intolerância. Aqueles serão chamados de sábios, estes de lunáticos ou hereges.

No mundo atual, as divergências de toda ordem, os crimes, as guerras e rapinagens econômicas entre indivíduos, povos e países, advêm justamente do fato de que as potencialidades mentais dos humanos não estão coordenadas em patamares assemelhados. As capacidades de visão intelectual estão em desacordo entre si, porque em graus evolutivos diferentes.

Como podem duas pessoas ou dois países, disputando um mesmo objeto, dizerem “é meu”? Só se pode explicar pela existência de dois níveis diferentes de consciência ou dois estágios mentais.

Julgamos necessário reconhecer e realçar tais desníveis, a fim de melhor compreendermos as causas de tantos problemas existenciais que se fermentam no caldo das sociedades humanas.

A humanidade teria um futuro muito feliz se a sua evolução tivesse estacionado há pelo menos 500 mil anos, antes do surgimento da fala, e não tivesse procriado tanto. A tartaruga marinha e os tubarões pararam de evoluir há 400 milhões de anos e vivem muito felizes aparentement

A humanidade é heterogênea demais. É composta de espécimes distintos entre si, tanto na composição facial como nos estágios evolucionários culturais e mentais. E ainda usam linguagens diferentes, o que dificulta o entendimento.

E essas diferenças e divergências aumentam cada vez mais por força do crescimento descabido da população global. E o pior é que alguns cérebros privilegiados criam mundos virtuais que vão destruindo, pela tecnologia, o que resta de intelecto na enorme massa de indolentes vegetativos.

Maurício Gomide Martins, 82 anos, ambientalista e articulista do EcoDebate, residente em Belo Horizonte(MG), depois de aposentado como auditor do Banco do Brasil, já escreveu três livros. Um de crônicas chamado “Crônicas Ezkizitaz”, onde perfila questões diversas sob uma óptica filosófica. O outro, intitulado “Nas Pegadas da Vida”, é um ensaio que constrói uma conjectura sobre a identidade da Vida. E o último, chamado “Agora ou Nunca Mais”, sob o gênero “romance de tese”, onde aborda a questão ambiental sob uma visão extremamente real e indica o único caminho a seguir para a salvação da humanidade.

EcoDebate, 18/05/2011

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