Drenagem ácida, resultado da extração de materiais como chumbo, ouro e zinco, polui o meio ambiente e ameaça a saúde

drenagem ácida
1 – Água
2 – A drenagem ácida ocorre quando minerais que contêm sulfetos e se localizam em locais mais profundos são expostos a ambientes mais abertos e entram em contato com oxigênio e água, gerando, assim, sulfatos, que podem contaminar águas subterrâneas
3 – Água entra em contato com os sulfetos das rochas
4 – Minerais contendo sulfetos
5 – Água ácida

Perigo na mineração – Cientistas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estudam uma forma de combater a drenagem ácida, um dos maiores problemas ambientais causados por empresas de mineração, com possibilidade de mobilizar elementos tóxicos e poluir os recursos hídricos, causando impactos na biodiversidade dos ambientes afetados e também na saúde humana. A ocorrência da drenagem ácida tem sido relatada principalmente na extração de ouro, chumbo, zinco, níquel e cádmio. No Brasil, os principais estados mineradores são Pará, Bahia, Santa Catarina e Minas Gerais, onde está concentrado o maior número de lavras.

A drenagem ácida é uma solução aquosa gerada quando minerais que contêm sulfetos, localizados em ambientes profundos, são expostos a ambientes abertos e entram em contato com oxigênio e água, gerando sulfatos (substâncias ácidas). A coordenadora do Instituto Nacional — Recursos Minerais, Água e Biodiversidade (IEE) e professora do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da UFMG, Virgínia Sampaio Teixeira, explica que o processo de transformação da água ácida ocorre com a combinação de minérios que possuem enxofre com micro-organismos, que geralmente estão presentes nos depósitos de minérios e de água. Reportagem de Alice Maciel, no Correio Braziliense.


“O fato de haver minérios sulfetados não significa necessariamente que há água ácida. O que causa o problema são características locais e a diferença entre o poder de geração dessa água e o poder de neutralizá-la, que o próprio minério e o solo têm”, explica. As águas naturais têm concentração de substâncias e características do seu contato com o solo que podem reagir de maneiras diferentes quando encontram a água de pH baixo, como nos locais onde há maior quantidade de carbonatos e bicarbonatos, componentes de característica básica, sendo mais fácil, dessa forma, ocorrer a neutralização natural da água.

Uma das formas de evitar a formação da drenagem ácida é prevenindo a criação de condições que favoreçam a reação, com o controle dos três principais fatores químicos do processo: oxigênio, água e sulfeto. “O sulfeto e a bactéria já estão no local. A atuação ocorre principalmente no oxigênio e na água. Sendo que, entre os dois, o mais fácil de controlar é o oxigênio”, afirma Virgínia. Segundo ela, é importante agir para que as superfícies de rejeitos que contêm minerais sulfetados não fiquem expostas às condições oxidantes em presença de água.

O professor do Departamento de Engenharia Elétrica da UFMG Flávio Vasconcelos acrescenta que uma das maneiras de as mineradoras prevenirem a formação da água ácida é cobrindo a pilha de estéril (monte de material extraído que se forma com a mineração) com algo impermeável que tenha a função de evitar ou minimizar a infiltração. “Mesmo com essa técnica, é possível haver um pouco de infiltração. De qualquer forma, é uma maneira de reduzir o dano.”

Em Minas Gerais, há 17 lavras com grande potencial para produzir a água ácida — a maioria de extração de ouro. Segundo a gerente de Resíduos Sólidos, Industriais e Minerários da Fundação Estadual de Meio Ambiente, Eleonora Deschamps, o órgão ambiental fiscaliza e orienta as empresas a monitorar as pilhas de estéril do material extraído. “Além de contaminar o solo e a água, a drenagem ácida pode atingir nascentes e rios, de onde muitos municípios fazem a captação para abastecimento público. Com isso, metais pesados e tóxicos solubilizados em meio ácido podem ser consumidos pelas pessoas, como o cromo e o arsênio, que têm potencial cancerígeno. Por essa razão, o assunto merece atenção e alerta à saúde”, diz.

Água doce
Além da pesquisa sobre drenagem ácida, os cientistas da UFMG avaliam maneiras de diminuir os impactos da mineração nas águas subterrâneas, encontradas abaixo da superfície do solo. Elas correspondem ao maior estoque de água doce nos continentes e são responsáveis pela regulação de córregos, rios e nascentes. Muitos municípios usam essa água para seu abastecimento.

De acordo com o professor do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFMG Celso de Oliveira Loreiro, se o processo de exploração mineral atinge grandes profundidades, a água subterrânea pode ser afetada. “A água passa a ser, em princípio, um tipo de empecilho para a mineração, sendo necessário retirá-la. E essa retirada promove, efetivamente, um rebaixamento da mina, com potencial de impactos hídricos nos focos de água no entorno”, afirma.

Segundo ele, uma das formas de amenizar esse impacto é fazendo uma gestão da água. “A água que se retira para promover o rebaixamento pode ser administrada em termos da própria cooperação industrial, do processo industrial, na operação e na reciclagem, por meio de um estudo de engenharia. Ela pode ser usada, voltar a ser utilizada e até mesmo retornar para a natureza com qualidade.”

EcoDebate, 06/07/2010

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